16 de julho de 2026
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Vida digital aumenta os riscos para a Doença do Olho Seco

Os olhos ardem ao fim do expediente, a visão fica embaçada depois de horas diante do computador e a sensação de areia parece fazer parte da rotina de muita gente. Embora esses sinais sejam frequentemente ignorados ou atribuídos apenas ao excesso de tempo em frente às telas, eles podem indicar a presença da Doença do Olho Seco, condição que exige diagnóstico precoce e tratamento adequado. O Julho Turquesa é a campanha dedicada à conscientização sobre a enfermidade e busca alertar a população para a importância de reconhecer os primeiros sintomas e procurar avaliação oftalmológica.
De acordo com o Dr. Bernardo Cavalcanti, médico oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), a Doença do Olho Seco é uma condição cada vez mais frequente e está diretamente relacionada aos hábitos da vida moderna. “O estilo de vida atual transformou esse problema em uma verdadeira epidemia silenciosa. Quando utilizamos celulares, computadores ou tablets, a frequência das piscadas pode diminuir em até 60%, fazendo com que a lágrima evapore mais rapidamente. O ar-condicionado reduz a umidade do ambiente, enquanto períodos de estiagem, poluição e variações bruscas de temperatura também prejudicam a superfície ocular.”
O oftalmologista explica que outros fatores também favorecem o desenvolvimento do problema. “O envelhecimento, alterações hormonais, principalmente durante a menopausa, o uso prolongado de lentes de contato e determinados medicamentos de uso contínuo também aumentam o risco da doença”, afirma.
Segundo o especialista, a Doença do Olho Seco não se resume à diminuição da produção de lágrimas. “Trata-se de uma enfermidade multifatorial, com importante componente inflamatório, que provoca instabilidade do filme lacrimal e pode causar danos à superfície ocular. Por isso, o tratamento vai muito além da simples lubrificação dos olhos e deve ser individualizado para controlar a inflamação e tratar a causa do problema”, ressalta.
Entre as manifestações mais comuns estão sensação de areia, ardência, queimação, vermelhidão, visão embaçada e até lacrimejamento excessivo. “Muitas pessoas acreditam que produzir muita lágrima significa que os olhos estão saudáveis, porém isso pode ser uma resposta de defesa do organismo, com produção de uma secreção de baixa qualidade”, esclarece.
O médico alerta que qualquer mudança na intensidade das queixas merece avaliação especializada. “É importante procurar atendimento quando houver necessidade de utilizar colírios lubrificantes repetidas vezes ao longo do dia sem melhora, além de dor, sensibilidade intensa à luz ou oscilação visual. Colírios utilizados por conta própria, principalmente aqueles destinados a retirar a vermelhidão, podem mascarar infecções, provocar dependência, agravar a inflamação e, dependendo da formulação, causar danos adicionais à superfície ocular”, pontua.
Sem tratamento adequado, as consequências podem ultrapassar o desconforto diário. “A doença reduz a capacidade de concentração diante das telas, provoca fadiga ocular precoce, dores de cabeça e interfere diretamente no desempenho profissional. Atividades simples, como ler ou dirigir durante a noite, tornam-se cansativas. Nos quadros mais avançados, a inflamação persistente pode evoluir para ceratite, úlceras na córnea e cicatrizes capazes de comprometer a visão”, alerta.
A adoção de medidas preventivas ajuda a preservar a saúde dos olhos. Entre as recomendações estão a regra do 20-20-20, que consiste em, a cada 20 minutos diante das telas, direcionar o olhar para um ponto localizado a cerca de seis metros durante 20 segundos, além de piscar voluntariamente, manter boa hidratação, utilizar umidificadores de ar, investir em alimentação rica em ômega 3, realizar higiene adequada das pálpebras com produtos específicos e recorrer, quando indicado, às compressas mornas.
Em relação aos recursos terapêuticos disponíveis, o especialista destaca que os avanços permitem abordagens cada vez mais personalizadas. Existem colírios lubrificantes sem conservantes que procuram reproduzir a composição natural da lágrima. Em muitos casos, também é necessário utilizar medicamentos anti-inflamatórios, sempre com prescrição e acompanhamento do oftalmologista, para controlar a inflamação da superfície ocular. Entre as tecnologias, a Luz Pulsada Intensa estimula as glândulas responsáveis pela camada oleosa do filme lacrimal, reduzindo o processo inflamatório e melhorando significativamente sua qualidade. Também contamos com dispositivos de expressão térmica para desobstrução dessas estruturas e, quando há baixa produção lacrimal, podemos recorrer aos plugs lacrimais”, explica.
Durante o Julho Turquesa, o oftalmologista reforça a importância de reconhecer os primeiros sinais e buscar diagnóstico precoce. “Não normalize o desconforto nos seus olhos. Ardência, ressecamento e sensação de cansaço ao final do dia não fazem parte do novo normal da vida digital. A Doença do Olho Seco possui diagnóstico rápido, tratamento eficaz e tecnologias modernas. Cuidar da saúde ocular é proteger a visão e preservar a qualidade de vida”, finaliza o Dr. Bernardo Cavalcanti.

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