Vereador e policial civil de Petrópolis viram réus por tentativa de extorsão contra o prefeito Rubens Bomtempo

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) tornou réus o vereador de Petrópolis Luiz Eduardo Francisco da Silva, o Dudu (MDB), o chefe do setor de inteligência da 105ª DP (Petrópolis), Bruno César Salerno, e Guilherme Gonçalvez Vicente Moreira por extorsão mediante associação criminosa.

Segundo a denúncia do MPRJ, aceita pela Justiça, Dudu, Salerno e Gonçalvez exigiram R$ 2 milhões do prefeito Rubens Bomtempo (PSB) e do vereador Léo França (PSB) para que não fossem investigados num suposto desdobramento da Operação Clean. Em uma das ameaças, Dudu teria apontado um fuzil para Léo.

A denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) foi apresentada ao juiz da 1ª Vara Criminal e Juizado Especial Criminal e da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Petrópolis, Afonso Henrique Castrioto Botelho, que a aceitou.

O suposto esquema de extorsão

 

Léo França foi presidente da Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (Comdep) e se elegeu vereador em 2020.

Segundo o MPRJ, Dudu primeiro procurou Bomtempo e afirmou que ele e Léo seriam alvos de uma fictícia segunda fase da Operação Clean, por causa de supostas fraudes na Comdep. Para que não fossem investigados, exigiram R$ 2 milhões.

A denúncia narra um segundo encontro, desta vez entre Gonçalvez e Bomtempo. O homem teria dito ao prefeito que tinha “um primo lotado na 105ª DP” que poderia manipular os inquéritos, desde que pagassem os R$ 2 milhões.

Houve ainda um terceiro episódio de ameaça, de acordo com o MPRJ. O trio levou Léo até um condomínio de luxo, onde Gonçalvez “retirou um fuzil do armário” e o entregou a Dudu, “que o apontou em direção à vítima”.

Computadores e documentos apreendidos na Operação Clean, em agosto de 2022 — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Computadores e documentos apreendidos na Operação Clean, em agosto de 2022 — Foto: Divulgação/Polícia Civil

O que dizem os envolvidos

 

O prefeito de Petrópolis informou que “o crime de extorsão se iniciou horas após a deflagração da Operação Clean” e que “os três réus tiveram acesso aos celulares apreendidos e passaram a abordar as vítimas com a ameaça de instauração de inquéritos, ainda que não houvesse motivo real para tanto”.

O vereador Léo França disse que protocolou a denúncia em agosto de 2022. Ele destacou que tem “profundo respeito pela Justiça”.

“Não posso me calar diante de um grupo que tenta a todo custo fazer politicagem, desestabilizar e descredibilizar o trabalho e a minha luta pelo povo de Petrópolis”, afirmou.

O advogado Gabriel Miranda, que defende o vereador Dudu, disse que a defesa “nega veementemente as acusações”. “Não tivemos acesso à denúncia. A descrição dos fatos é contraditória à vida pública do vereador Luiz Eduardo. Tão logo tivermos acesso (aos autos), iremos nos manifestar de maneira apropriada no processo”, destacou Miranda.

Procurada, a Câmara Municipal de Petrópolis disse que ainda “não foi notificada sobre a investigação e, até o momento, não teve acesso ao procedimento”. A instituição não informou se o vereador será investigado no Conselho de Ética da casa.

A Polícia Civil ainda não comentou o caso. O g1 tenta contato com Salerno e Gonçalvez.

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