Uniformes da Light ganham nova vida nas mãos de mulheres de Mesquita
Material que seria descartado vira ecobags para o Festival Favela Cria e gera renda para artesãs da Baixada Fluminense
O que antes fazia parte da rotina de eletricistas e equipes de campo da Light agora ganha uma nova função. Uniformes usados da distribuidora estão sendo transformados em ecobags por mulheres de Mesquita, na Baixada Fluminense, por meio do projeto social “Eu Já Fui um EPI”, desenvolvido pelo Ateliê Mundo Novo.
Ao todo, 633 quilos de uniformes que seriam descartados estão sendo reaproveitados na confecção dos novos produtos. As peças serão distribuídas em kits para convidados e artistas do Festival Favela Cria, que acontece entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro, no Centro do Rio. Essa iniciativa integra o patrocínio da Light e apoio do Instituto Light ao festival.
“Esses uniformes cumpriram sua função na operação da Light e agora ganham um novo destino. Em vez de descartar o material, escolhemos transformá-lo em produto, com renda e capacitação para mulheres da Baixada Fluminense”, disse Zilma Ferreira, Gerente do Instituto Light.
Para transformar os antigos uniformes, o processo passa por etapas como higienização, desmontagem, modelagem, corte e costura. Ao todo, 12 mulheres participam da produção. Além de dar uma nova destinação às peças, o projeto contribui para a geração de renda de mulheres, que recebem capacitação em áreas como economia criativa, empreendedorismo e tecnologia.
“Quando uma empresa abre espaço para um projeto como o nosso, ela fortalece toda uma cadeia: o Ateliê, as mulheres que trabalham aqui e a comunidade ao redor. Essa parceria com a Light mostra como o reaproveitamento pode ser também uma ferramenta de desenvolvimento do território”, disse Bianca Simãozinho, criadora e idealizadora do Instituto Mundo Novo, responsável pelo Ateliê Mundo Novo.
A produção das peças também se conecta à trajetória de mulheres que encontraram no Ateliê Mundo Novo uma porta de entrada para o mercado de trabalho e para o empreendedorismo. É o caso da costureira Francielle Apolinário, que teve seu primeiro contato com o upcycling (técnica que dá novo uso a materiais que seriam descartados) justamente no ateliê, em 2016.
Ela começou a trabalhar com costura aos 13 anos, quando aprendeu o ofício com a avó, e conheceu o Instituto ainda na adolescência. Depois de passar pelo Ateliê, a costureira trabalhou com figurinos, abriu o próprio negócio e, em 2025, participou do curso Potência Feminina, de empreendedorismo.
“Durante esses anos, ganhei muita experiência no setor de produção e foi justamente essa experiência que quis trazer para somar ao time do Ateliê”, conta Francielle.
Hoje, ela trabalha com peças personalizadas e roupas sob medida e voltou a contribuir com o espaço, levando também sua experiência profissional para a produção das peças feitas a partir dos uniformes da Light.

