Ucrânia diz que Rússia usa pessoas como “escudos humanos” na região de Kharkiv

As forças russas capturaram dezenas de civis na cidade fronteiriça de Vovchansk, disse uma autoridade ucraniana, com um alto oficial da polícia regional acusando-os de usar os prisioneiros como “escudos humanos.”

Moscou intensificou sua ofensiva no norte da Ucrânia. Na semana passada, os russos lançaram sua operação mais surpreendente em dois anos de guerra, atravessando a fronteira norte em novas tentativas de tomar Kharkiv, a segunda cidade mais populosa do país.

Vovchansk, na região norte de Kharkiv, enfrentou um ataque, com as forças russas alegando controlar as aldeias vizinhas, forçando os civis a fugir.

O ataque transfronteiriço ocorreu em um mês difícil para Kiev e virou mais um exemplo dos reveses para os ucranianos este ano. As forças são escassas, com muito menos artilharia do que os russos, defesas aéreas grosseiramente inadequadas e, acima de tudo, falta de soldados. A situação foi agravada pelo tempo seco, permitindo que as unidades mecanizadas russas se movessem mais facilmente.

O vice-chefe da Inteligência de Defesa da Ucrânia, o major-general Vadym Skibitsky, disse ao Economist na semana passada: “Nosso problema é muito simples: não temos armas. Eles sempre souberam que abril e maio seria um momento difícil para nós.”

Vários analistas esperam que os russos ampliem os ataques de fronteira para o oeste na região de Sumy, que viu meses de ataques de forças especiais russas.

Os russos têm mão de obra para desgastar as defesas ucranianas através de vários pontos de ataque a centenas de quilômetros de distância, forçando Kiev a adivinhar onde e quando uma ofensiva antecipada no início do verão se concentrará.

Serhii Bolvinov, chefe do departamento de investigação da polícia regional de Kharkiv, disse à emissora pública Suspilne News na sexta-feira (17) que soldados russos mantiveram cerca de 40 civis em um porão, perto de seu “quartel-general de comando.”

As pessoas estão sendo interrogadas, e “aqueles que conduzem os interrogatórios são funcionários do FSB”, disse Bolvinov, referindo-se à agência de segurança doméstica da Rússia, acrescentando que os prisioneiros estão sendo usados como “escudos humanos.”

Ele disse que os prisioneiros eram principalmente pessoas idosas que “não queriam sair” e foram capturadas quando finalmente decidiram partir para um território controlado pela Ucrânia.

Bolvinov disse que um morador idoso de Vovchansk foi morto por soldados russos depois de se recusar a obedecer suas ordens e tentar escapar a pé.

Os detalhes vieram um dia depois que o ministro do Interior da Ucrânia, Ihor Klymenko, disse que os russos estão levando civis presos no norte de Vovchansk.

“Sabemos dos primeiros casos de execuções de civis pelos militares russos”, disse Klymenko em seu canal Telegram, acrescentando: “Em particular, um dos moradores de Vovchansk tentou escapar a pé, se recusou a obedecer aos comandos dos invasores – os russos o mataram.”

Os investigadores da polícia abriram um caso criminal com base em violações das regras de guerra, disse ele, acrescentando que as saídas estavam em andamento naquela área até quinta-feira.

A CNN não pode verificar de forma independente as alegações de Bolvinov e entrou em contato com o Ministério da Defesa russo em busca de um posicionamento. A Rússia não comentou sobre suas tropas usando civis como escudos humanos ou visando aqueles que tentam fugir.

As forças russas lançaram ataques aéreos em Carcóvia na sexta-feira (17), matando pelo menos três pessoas e ferindo 28, disse o prefeito Ihor Terekhov em um telegrama.

Oleh Syniehubov, chefe da administração militar regional de Kharkiv, disse em um post do Telegram na sexta-feira que o distrito foi atingido duas vezes por bombas aéreas guiadas.

Cerca de 10 mil pessoas foram retiradas na região de Kharkiv devido à nova ofensiva da Rússia, disse o chefe da administração militar regional de Kharkiv, Oleh Syniehubov, em uma atualização do Telegram na manhã de sábado.

As saídas ocorreram durante sete dias após a ofensiva surpresa da Rússia no norte da Ucrânia, que começou na manhã de 10 de maio.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, adiou na semana passada todas as próximas visitas internacionais enquanto o país enfrenta uma nova ofensiva.

Em uma entrevista à agência de notícias AFP transmitida na sexta-feira (17), Zelensky disse que a ofensiva russa na região de Kharkiv “não está estabilizada, está controlada.”

Ele disse que as forças ucranianas estão controlando as rotas de entrada das tropas russas na região, mas que a operação russa continua.

Ele também disse que pode haver várias ondas de ataques russos na região e enfatizou a necessidade de sistemas de mísseis Patriot para empurrar as tropas russas para fora de Carcóvia.

Os Estados Unidos anunciaram na semana passada um pacote de 400 milhões de dólares de armas de defesa aérea e outros armamentos.

 

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