Tubarão que atraiu 1,4 milhão na Coreia do Sul segue preso em canal; frio preocupa especialistas
O tubarão apelidado de “Bukangi” continua preso em um canal de Busan, cidade portuária no sul da Coreia do Sul, quase um mês depois de ser visto pela primeira vez no local.
Agora, a aproximação do frio e alguns sinais de estresse aumentaram a preocupação de pesquisadores.
O animal, uma fêmea de cerca de 3 metros da espécie Carcharhinus obscurus, está no canal desde 18 de setembro.
Segundo a imprensa sul-coreana, mais de 1,4 milhão de pessoas já passaram pela região para tentar vê-lo.
Duas tentativas de conduzir Bukangi de volta ao mar já fracassaram. Na segunda, o tubarão chegou a ser levado para perto da saída, mas passou sobre uma rede durante a maré alta e voltou para a parte interna do canal.
Desde então, as autoridades vinham apostando em uma saída espontânea.
Nos últimos dias, porém, especialistas passaram a defender uma nova operação.
O professor emérito Choi Yoon, da Universidade Nacional de Kunsan, que pesquisa tubarões há cerca de 30 anos, disse ao jornal sul-coreano Hankyoreh que o animal deveria ser retirado do canal antes de meados de novembro, quando a temperatura da água tende a cair de forma mais acentuada.
A espécie costuma circular por águas entre 18°C e 26°C e pode percorrer grandes distâncias em busca de temperaturas mais favoráveis. Há registros de deslocamentos de até 3.700 km.
Segundo a emissora JTBC, a água do canal está atualmente em torno de 22°C, mas pode ficar mais de 5°C mais fria no próximo mês.
Temperaturas abaixo de 15°C poderiam tornar inviável a permanência prolongada de Bukangi no local. Justamente por isso, a prefeitura de Busan já discute uma terceira tentativa de resgate.
Outra preocupação é o comportamento de visitantes. Reportagens locais registraram pessoas usando lanternas fortes durante a noite e até jogando restos de comida no canal.
O animal também apresentou ferimentos no focinho e passou a repetir trajetos em uma mesma área, comportamento que, segundo especialistas, pode estar relacionado ao estresse.
Apesar disso, pesquisadores afirmam que o estado geral do tubarão ainda não indica um problema grave de saúde.
O Instituto Nacional de Ciências Pesqueiras da Coreia do Sul afirma que segue acompanhando seus movimentos e as condições da água enquanto as autoridades avaliam se será necessário tentar novamente levá-lo ao mar.

