20 de agosto de 2026
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Segurança é preso por morte de ciclista espancado em Copacabana, e irmã confronta: ‘Gostou de matar meu irmão?’

Um dos seguranças envolvidos na morte do ciclista que foi espancado em Copacabana, na Zona Sul do Rio, foi preso no início da tarde desta quinta-feira (20). Jorge Luiz Ricardo Dias, de 56 anos, se apresentou na delegacia por volta de 12h50 e foi confrontado pela irmã de Cláudio Rafael Landeiro:

“Gostou de matar meu irmão? Gostou de matar meu irmão?”, repetiu ela. O segurança não respondeu e entrou na delegacia.

O delegado titular Ângelo Lages confirmou que um mandado de prisão temporário foi cumprido contra o homem, mas que ele não participou diretamente nas agressões.

“Ele teve uma participação acessória no crime. Vai ser cumprido o mandado de prisão contra ele”, afirmou o delegado ao g1.

Segundo as investigações, o segurança não chegou a agredir, mas esteve presente ao segurar a bicicleta da vítima e segurou o porrete que foi usado nas agressões. Em depoimento, Jorge disse que alertou para que Davi não cometesse as agressões.

O delegado disse que a Polícia Civil identificou que o crime teve a participação de quatro homens, sendo que três participaram das agressões, depois que um segurança desconfiou de que a bicicleta era roubada.

Segundo o delegado Ângelo Lages, a vítima estava na Rua Barata Ribeiro quando foi abordado pelo segurança, identificado como Davi. O rapaz tinha problemas psiquiátricos e não conseguiu explicar que a bicicleta era da irmã.

“O crime começou na Barata Ribeiro, um segurança começou a interrogar de quem seria a bicicleta e ele, com dificuldades de fala, não conseguiu explicar que a bicicleta era da irmã. Depois chega um segundo segurança e tira a bicicleta da posse dele e começa a agressão”, afirma o delegado.

“Depois, ele sai dali e vai para a Rua Felipe de Oliveira e senta na porta de um prédio. Ali chegaram dois entregadores e novamente aparece o segurança Davi com um porrete e começam a agredi-lo de forma bárbara. Os seguranças já foram identificados, para fecharmos a investigação por completo só falta identificarmos os entregadores”, completa.

Para o delegado, o crime foi extremamente cruel.

“Um crime hediondo, um homicídio triplamente qualificado com crueldade e motivo fútil, sem possibilidade de defesa da vítima”, define.

Dois homens já foram identificados. Câmeras de segurança de um prédio de Copacabana registraram o linchamento.

Nas imagens (veja acima), três homens cercam Cláudio. Dois deles portavam mochilas de entrega, e o outro segurava uma vareta — com a qual desferiu ao menos 30 pauladas.

O trio ainda alterna entre pernadas e socos até que a vítima cai na calçada.

O que as imagens mostram

O crime ocorreu na noite de 11 de agosto. Cláudio estava com a bicicleta da irmã e parou em frente a uma loja na esquina das ruas Barata Ribeiro e Belford Roxo, onde desceu e ficou em pé, na calçada.

Pessoas que suspeitaram dele chamaram seguranças da rua. Um deles perguntou o que Cláudio queria com a bicicleta. Sem resposta, um vigia deu uma paulada no braço do ciclista.

Cláudio, então, foi até a Rua Felipe de Oliveira, onde se sentou na escadaria de um prédio — a partir desse momento, o episódio é registrado pelas câmeras.

Os homens com as mochilas chegam de bicicleta e interpelam Cláudio. Na sequência, o vigilante com a vareta aparece. As agressões começam, com pauladas.

Cláudio se levanta da escada e tenta escapar, mas é segurado. O trio desfere socos e chutes. Cláudio, que em nenhum momento reage, cai no chão desacordado.

Os agressores ainda vasculham os bolsos do ciclista, e o vigia também tira uma foto da cena. Todos vão embora, deixando Cláudio agonizando.

Bombeiros são acionados e socorrem Cláudio. Ele foi levado para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo informações repassadas à família, a causa da morte foi traumatismo craniano e hemorragia interna.

Testemunhas

O porteiro do prédio, Jorge Pires, viu tudo. “As imagens mostram uma violência muito grande. Bateram muito mesmo”, lamentou.

A turismóloga Gabriela Lima disse ter ficado chocada com o barulho das pancadas.

“Eram pauladas, que não parecia que era em uma pessoa. Eu ouvi gritos. Era um barulho muito contundente, aquele pá, pá, pá, muito contundente. É chocante porque poderia ser qualquer um de nós.”

Uma das irmãs de Cláudio, Fabiana Landeiro Hansen, disse que ele estava com uma bicicleta da família. Ela definiu Cláudio como um homem de coração puro, calmo e “quieto, na dele”.

“A família está desolada, eu, minha mãe, irmã. Foi simplesmente uma iniciativa de um indivíduo que pressupôs isso sobre ele. Não teve nenhum motivo”, contou Fabiana.

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