Rússia diz que só rendição da Ucrânia pode pôr fim à guerra
O governo da Rússia afirmou, nesta segunda-feira, que está disposto a aceitar um acordo de paz com a Ucrânia, desde que o regime de Kiev pare de combater as tropas russas que invadiram o país. Em um comunicado, a diplomacia de Moscou colocou como condições para o fim do conflito a rendição ucraniana e a aceitação da nova “realidade territorial” da região, com as áreas ocupadas sendo reconhecidas como solo russo.
“Estamos convencidos de que um acordo verdadeiramente global, duradouro e justo só é possível se o regime de Kiev puser fim às hostilidades e aos atentados terroristas”, disse Maria Zajárova, porta-voz da diplomacia russa, em um comunicado. “As novas realidades territoriais devem ser reconhecidas, e a desmilitarização e desnazificação da Ucrânia devem ser garantidas”, acrescentou.
Após quase um ano e meio de conflito, o posicionamento russo é uma sinalização de que Moscou ainda não está disposta a iniciar uma negociação — mesmo em um momento em que ataques ao território russo se intensificam e que a comunidade internacional tenta pressionar pelo fim da guerra.
Mais cedo, o governador da região russa de Kaluga anunciou que a defesa antiaérea russa abateu um drone ucraniano a menos de 200km a sudoeste de Moscou, na noite de domingo. Em 3 de agosto, as autoridades já haviam dito que sete drones ucranianos foram abatidos na região.
“Um drone foi abatido pelo sistema de defesa antiaérea no distrito de Ferzikovsky”, escreveu Vladislav Chapsha, no Telegram, acrescentando que o incidente “não afetou pessoas ou infraestrutura”.
Ataques importantes também foram registrados em pontes vitais para a ligação entre a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, e partes da região ucraniana de Kherson ocupadas por forças russas. Autoridades russas confirmaram que explosões ocorreram em uma ponte que liga a cidade de Henichsk ao Arabat Spit, a barreira que separa o Mar de Azov das águas salinas do Lago Sivas, na costa leste da Península da Crimeia, e na ponte de Chonhar, entre Kherson e a Crimeia.
Pouco antes, a ofensiva estava com Moscou, que executou um ataque em larga escala com mísseis, movimento que foi visto como uma tentativa de resposta ao bombardeio de um petroleiro russo no sábado. A Força Aérea ucraniana afirmou que derrubou 30 dos 40 mísseis de cruzeiro e todos os drones de fabricação iraniana Shahed lançados pela Rússia, segundo o Guardian.
A manifestação russa desta segunda ocorre dois dias após um esforço no campo diplomático liderado pela Arábia Saudita, que reuniu altos funcionários de mais de 40 países, incluindo alguns com fortes ligações com a Rússia, como China e Índia, para discutir como acabar com a guerra na Ucrânia.
Zelensky afirmou que a delegação ucraniana tentou promover o “plano de paz” de 10 pontos do país, que inclui a recuperação de todos os territórios ocupados pela Rússia, inclusive a Crimeia, mas após horas de discussões, a reunião terminou sem a divulgação de um comunicado final.
Um vislumbre de progresso decorreu, contudo, da participação da China, que não compareceu às negociações anteriores em junho, e sinalizou que está disposta a participar de uma terceira rodada de negociações – que pode ser a precursora de uma reunião de chefes de estado, de acordo com um relatório da União Europeia.