15 de agosto de 2026
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Restaurados pelo Arquivo Nacional, mapas de 1875 voltam a Teresópolis 

Doada à Casa da Memória em 2022, terceira prancha também foi restaurada

Quinze anos depois de ter restaurado dois mapas preciosos para a história de Teresópolis, em contribuição pelo movimento de recuperação da cidade depois da tragédia de 2011, o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro deu outro presente ao município neste mês: a restauração de outro mapa feito pelo agrimensor Edward Laplane, em 1875, quando foram levantadas as terras remanescentes da Fazenda Sant’Anna do Paquequer. 

O bem histórico foi recolhido em agosto do ano passado na Casa da Memória Arthur Dalmasso pelas servidoras Gláucia Vaz e Maria Julia Faisal Cardoso. Um ano  depois, o secretário municipal de Cultura, Wanderley Peres, acompanhado do subsecretário Arnaldo Almeida, foi ao Arquivo Nacional para buscar o mapa restaurado, somando-se às outras duas pranchas do acervo da Casa da Memória.

Essas outras duas pranchas do mapa, mostrando os morros das fazendas desde a Prata e o Meudon, e regiões próximas à Várzea, já haviam sido restauradas em 2013 e estão à disposição de pesquisadores também em formato digital. Propriedade do cidadão Francisco Barthel, dono da Fazenda Casa Branca, que chegou às mãos do médico e historiador Antônio Sumavielle, os dois primeiros mapas haviam sido doados ao município pelo médico José da Silva Pereira em 2011. Nessa terceira prancha, há pouco tempo encontrada, também foi doada pelo médico, três anos atrás, e entregue ao diretor da Casa da Memória, Rafael Corrêa.

“Todos os preciosos guardados do médico Antônio Sumavielle foram doados ao acervo Pró-Memória Teresópolis em 2010, pelos amigos Iza e José Pereira, quando eu era secretário de Cultura e encontrei enroladas as duas primeiras pranchas desse mapa do agrimensor Edward Laplane. No ano seguinte, eles foram buscados para o restauro e entregues em 2013. Aí, levantando o rico acervo, encontrei a terceira das quatro pranchas do mapa, dobrada dentro de uma bolsa, perdido entre tantos outros itens de menos importância, e devolvi ao Pereira, para que fizesse a entrega, pessoalmente, à Casa da Memória, o que ocorreu em julho de 2022, quando lancei o livro Viagem ao Passado”, conta o secretário de Cultura, Wanderley Peres.

Voltando à função de secretário de Cultura em janeiro de 2025, Wanderley fez contato com o Arquivo Nacional, pedindo a gentileza do restauro do mapa que faltava. Meses depois, uma equipe do órgão federal esteve em Teresópolis para a retirada do mapa.

“Não conhecia ninguém do Arquivo Nacional e arrisquei o pedido num e-mail, onde apontei para a importância do restauro e o risco de perda do bem em depreciação. Sem esquecer de agradecer, mais uma vez, pelo presente de mais de dez anos atrás. Demorou mais de 6 meses para a resposta, mas ela veio na forma do sim. Logo estiveram na cidade as servidoras Gláucia Vaz e Maria Julia, que revisitaram os mapas restaurados e levaram o que faltava recuperar. Agora, um ano depois, os mapas voltaram para a Secretaria de Cultura, devidamente restaurados pelas mãos cuidadosas das zelosas servidoras Alda Arcoverde e Bárbara Braga, da área de Coordenação de Preservação do Acervo, que trabalharam diretamente no processo”, relatou o secretário.

Ele lembrou às artistas do restauro saber muito bem quanto custaria um serviço desses, por isso a cidade de Teresópolis estava agradecida tão penhoradamente pelo presente. “O dono dos mapas, doutor Sumavielle, deixou em seus documentos o orçamento do restauro de uma das pranchas, a que ainda está desparecida. E quando esta prancha for recuperada, a partir das investigações da Secretaria de Cultura, vamos voltar a pedir um novo favor”, ousou o secretário, não ouvindo um não, e percebendo um sorriso que deu a esperança de ver atendido o pedido já antecipado enquanto o mapa que falta não chega ao acervo municipal.

O serviço de restauração: Os três mapas foram submetidos a diversas técnicas de restauração. Houve limpeza mecânica; teste de solubilidade para verificar a estabilidade das tintas, proporcionando maior segurança no tratamento; consolidação dos rasgos para dar maior estabilidade no decorrer do tratamento; aplainamento pontual de suporte; laminação do documento pelo verso, com papel artesanal e cola metilcelulose; secagem e aplainamento sob peso; remoção das consolidações no anverso do mapa; reencolagem e uso de prensa hidráulica paraaplainamento final de todo mapa; refilamento das bordas; reintegração cromática de algumas áreas com lápis aquarelado e confecção de embalagem em etaflon para transporte e guarda do documento.