30 de abril de 2026
NotíciasNotícias 24hs

Por quê o planeta Vênus gira ao contrário? Cientista brasileiro explica de forma inédita

Ao contrário dos outros planetas do Sistema Solar, Vênus gira de leste para oeste. Durante décadas, a explicação mais aceita para isso envolvia eventos violentos: colisões com asteroides gigantescos no início da formação do sistema que teriam “tombado” o planeta ou forçado sua rotação para trás. No entanto, um novo estudo do astrofísico Dr. Sylvio Ferraz-Mello , professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretor do Observatório Nacional (ON/MCTI) propõe que a resposta para esse mistério não está em impactos externos, mas na própria atmosfera que envolve o planeta.

A pesquisa revela que a rotação de um planeta não é imutável e pode ser decidida por um “cabo de guerra” invisível entre duas forças poderosas. De um lado, a ação da atração solar sobre o corpo sólido. De outro, a ação sobre a atmosfera densa formada no curso da evolução do planeta. “A força que vem da atmosfera densa também é devida à atração gravitacional do Sol”, explica o Dr. Sylvio.

Acesse o estudo, em inglês

O que os modelos matemáticos mostram é que esse processo é suave e previsível, sem a necessidade de catástrofes. À medida que um planeta na zona habitável libera gases de seu interior e forma sua atmosfera, o equilíbrio de forças atinge um ponto crítico. Nesse estágio, o sistema de rotação se torna instável e “escolhe” um novo caminho. Se o planeta estiver girando devagar o suficiente, o empurrão da atmosfera pode ser o fator decisivo para que ele comece a girar para trás, exatamente como vemos em Vênus.

Para provar essa dependência, o pesquisador calculou o que aconteceria se Vênus fosse subitamente despido de sua atmosfera. O resultado é surpreendente: sem o apoio de seu ar denso, o freio da gravidade solar ganharia a briga em pouco tempo. Em cerca de 700 mil anos (um intervalo muito curto na escala de tempo astronômica) Vênus pararia de girar ao contrário e voltaria ao sentido considerado normal.

Essa descoberta tem implicações profundas para a busca de vida em outros sistemas estelares. Ela sugere que a rotação retrógrada pode ser muito comum em exoplanetas que possuem atmosferas importantes. Isso é uma notícia positiva para a habitabilidade: planetas que conseguem manter algum tipo de rotação, mesmo que lenta ou invertida, distribuem melhor o calor de suas estrelas. Isso evita que o mundo se torne dividido entre um hemisfério de calor eterno e outro de gelo absoluto, criando ambientes muito mais propícios para a existência de água líquida e, potencialmente, vida.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *