Operação Compliance Zero avança e mira corrupção no alto escalão do sistema financeiro
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) divulgou os resultados da quarta fase da Operação Compliance Zero em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (16/4), no Palácio da Justiça.
Deflagrada hoje, a fase atual investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, com foco na corrupção de gestores envolvidos nas negociações sob investigação. A Polícia Federal cumpre dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, emitidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal (DF) e em São Paulo (SP).
Participaram da coletiva o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; o diretor-executivo da Polícia Federal (PF), William Marcel Murad; o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Dennis Cali; e o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas.
O ministro Wellington Lima reforçou que a divulgação de informações ocorre dentro dos limites legais. “É dever do Ministério da Justiça e da Polícia Federal prestar informações à população, mas com rigorosa observância do sigilo.”
Segundo Murad, esse é um desdobramento direto das investigações iniciais e se concentra na apuração de corrupção associada à operação financeira investigada desde o início. “Temos uma operação extremamente complexa, com fases e fatos distintos.” Ao reforçar as limitações na divulgação de detalhes, ele ressaltou que parte significativa das investigações segue sob sigilo.
Fases da Operação Compliance Zero
A Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar fraudes contra o sistema financeiro nacional, com foco na emissão e na negociação de títulos de crédito falsos.
As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, e apontam que o Banco Master teria criado carteiras de crédito sem lastro, posteriormente vendidas ao Banco de Brasília (BRB) e substituídas por ativos sem avaliação técnica adequada, após fiscalização do Banco Central do Brasil.
A operação foi estruturada em diferentes fases interligadas:
1ª fase (nov/2025): foco nas fraudes envolvendo a negociação de créditos fraudulentos entre instituições financeiras. Segundo Murad, tratava-se de “créditos fraudulentos inexistentes […] que davam lastro à negociação”. Foram cumpridos 25 mandados de busca, sete prisões e houve bloqueio de R$ 1,3 bilhão, além do afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
2ª fase (jan/2026): aprofundamento das fraudes estruturais no sistema financeiro, com uso de fundos para sustentar o esquema. O diretor-executivo da PF apontou um sofisticado esquema com camadas distintas de fundos. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, uma prisão e bloqueados cerca de R$ 6 bilhões.
3ª fase (mar/2026): investigação de corrupção de agentes públicos e obstrução de justiça, com quatro prisões e afastamento de dois servidores do Banco Central.
4ª fase (atual): foco na corrupção de gestores e na lavagem de dinheiro. Segundo a PF, a etapa investiga a corrupção dos gestores e o esquema de lavagem de dinheiro decorrente desses atos.
Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, corrupção e lavagem de dinheiro. As medidas judiciais incluem prisões preventivas, buscas e apreensões, afastamento de cargos públicos e o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens, com o objetivo de interromper as atividades do grupo e garantir a recuperação de ativos.
Durante a coletiva, o Governo Federal destacou que a operação se insere em uma estratégia mais ampla de combate ao crime organizado. Segundo o secretário Chico Lucas, a diretriz é “atacar o andar de cima e os magnatas do crime”, com foco na chamada asfixia financeira das organizações criminosas.
As autoridades também enfatizaram o compromisso com a institucionalidade e a autonomia das investigações.
“Não há caminho fora da institucionalidade. Não se persegue nem se protege, a atuação se dá nos limites da lei”, enfatizou o ministro Wellington Lima.
A Polícia Federal reforçou que novas fases não estão descartadas e que seguirá atuando com autonomia para aprofundar os desdobramentos das investigações.

