Novas perspectivas: Pesquisa da Uerj e da UFRJ relaciona níveis de fosfato no sangue à agressividade do câncer de mama
Estudo com 70 pacientes investiga influência da alimentação e busca identificar novos alvos para tratamentos
Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com apoio da FAPERJ, identificou uma associação entre níveis elevados de fosfato no sangue e características de maior agressividade do câncer de mama. O estudo também investiga a relação entre o mineral, a alimentação e o estresse oxidativo, com o objetivo de contribuir para a identificação de possíveis alvos para novos tratamentos.
Coordenada pelo biólogo Marco Antonio Lacerda Abreu, pesquisador do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag), da Uerj, a pesquisa analisou amostras de sangue, tumores e tecidos saudáveis de 70 pacientes atendidas no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), da UFRJ. O estudo também contou com 24 voluntárias saudáveis, cujos resultados foram utilizados para comparação.
Os resultados indicaram que as pacientes com câncer de mama apresentavam níveis mais elevados de fosfato no sangue do que as mulheres sem a doença. Além disso, concentrações maiores do mineral estiveram associadas a tumores de grau mais elevado e a estágios mais avançados da doença. Os pesquisadores também observaram uma possível relação entre os níveis de fosfato e a frequência de consumo de alimentos ricos nessa substância.
Presente naturalmente em alimentos como carnes, leite, ovos e grãos, o fósforo também é utilizado como aditivo em produtos ultraprocessados.
Cuidados com alimentação e estresse:sinais de alerta
Segundo os pesquisadores, a alimentação pode contribuir para os níveis de fosfato no organismo, mas outras condições, como doenças renais, também podem provocar sua elevação. O estudo não estabelece, portanto, uma relação de causa e efeito entre dieta e câncer de mama.
A equipe identificou ainda uma associação entre níveis elevados de fosfato e sinais de estresse oxidativo, desequilíbrio químico que pode favorecer processos relacionados à progressão tumoral. As descobertas dão continuidade a quase dez anos de pesquisas sobre os mecanismos de captação e utilização do mineral pelas células cancerígenas.
A próxima etapa prevê novas análises laboratoriais das células tumorais das pacientes participantes, para investigar como o fosfato atua na proliferação das células cancerígenas e identificar possíveis alvos terapêuticos.
De acordo com Abreu, caso os resultados sejam confirmados em estudos com um número maior de pacientes, a dosagem de fosfato no sangue, exame simples e de baixo custo, poderá futuramente ser investigada como indicador complementar da agressividade dos tumores. O pesquisador ressalta, porém, que são necessários novos estudos antes de qualquer aplicação clínica.
O projeto reúne pesquisadores da Uerj e da UFRJ, incluindo médicos dos serviços de Ginecologia e Mastologia e de Anatomia Patológica do HUCFF, além de colaboradores do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM), da UFRJ. O financiamento da FAPERJ ocorreu por meio do programa Apoio ao Jovem Pesquisador Fluminense Sem Vínculo Empregatício.

