1 de abril de 2026
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MPor amplia inclusão feminina na aviação com formação de pilotas e mecânicas

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) tem intensificado ações para ampliar a presença feminina nas profissões da aviação civil, com iniciativas voltadas à formação de pilotas e mecânicas de manutenção aeronáutica. Conduzidos pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), os programas atuam de forma complementar para reduzir desigualdades históricas e criar oportunidades concretas para mulheres, especialmente em regiões como o semiárido nordestino.

A baixa participação feminina em funções técnicas e operacionais ainda é um desafio no Brasil. Atualmente, apenas 3% dos pilotos são mulheres frente a 64.472 homens. Entre os mecânicos de manutenção aeronáutica, a proporção se repete: 3% em um universo de mais de 30 mil profissionais. O contraste aparece na função de comissários de voo, onde elas representam 66% da categoria.

Para a secretario de Aviação Civil, Daniel Longo as iniciativas atuam de forma integrada para transformar o setor. “Estamos avançando em diferentes frentes, da formação de pilotas à qualificação de mecânicas, para garantir que mais mulheres tenham acesso a carreiras estratégicas na aviação. Isso melhora a qualidade do setor e amplia oportunidades de desenvolvimento”, destaca.

Acesso ao cockpit

Um dos eixos de atuação é voltado à formação de pilotas, ação que integra o programa Asas para Todos e apoia a capacitação de mulheres nos cursos de piloto privado e piloto comercial. A política contribui para suprir a demanda por profissionais qualificados e fortalecer a aviação regional.

Ao todo, 842 candidatos se inscreveram no processo seletivo, do qual foram escolhidos 20 participantes, com 50% das vagas para mulheres. A formação, prevista para ser concluída em dezembro de 2026, contempla 183 horas de voo, além de curso de inglês voltado à certificação internacional.

Qualificação técnica no chão de fábrica

Em outra frente, o MPor investe na formação de mecânicas de manutenção aeronáutica, com cursos voltados a áreas como célula, aviônicos e grupo motopropulsor. A iniciativa amplia o acesso de mulheres a uma carreira estratégica para a segurança operacional e o funcionamento da aviação.

Uma das alunas é Yasmin Selieli. Para ela, a oportunidade representa uma mudança de vida. “Eu sempre gostei da aviação, mas nunca tive muitas oportunidades. Me formei em enfermagem e estava perdida, sem saber o que fazer. Quando vi o curso, percebi que era a chance que eu precisava, porque não tenho condições de pagar por uma formação dessas”, afirma.

Yasmin destaca o impacto do ambiente de incentivo no início da formação. “Estou com expectativas muito altas. Me senti motivada, acolhida e com esperança de que dessa vez as coisas vão dar certo”, completa.

Ela também chama atenção para a importância de ampliar a presença feminina no setor. “A gente é maioria na população, então onde estão essas mulheres? Muitas vezes faltam oportunidades ou há medo de desrespeito. Projetos como esse são fundamentais para mudar essa realidade”, diz.

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