MJSP apresenta estratégia integrada de enfrentamento aos crimes relacionados a celulares
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou, nesta quarta-feira (19), durante coletiva de imprensa em Brasília, as estratégias nacionais de enfrentamento aos crimes relacionados a celulares. No sistema prisional, a Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) atua para impedir a entrada, a circulação e o uso ilícito desses aparelhos, com ações de inteligência e operações, modernização tecnológica e capacitação de policiais penais.
As iniciativas fazem parte de uma atuação integrada do MJSP sobre diferentes etapas da cadeia criminosa, que envolve furto, roubo, receptação e comércio ilegal de celulares e pode chegar ao uso desses aparelhos por organizações criminosas a partir das unidades prisionais.
“O problema do celular figura como uma das principais questões ligadas à percepção de segurança pública. Os aparelhos fazem parte de uma cadeia que diz respeito ao furto, ao roubo e à receptação. Em alguns casos, nós temos um ciclo completo, no qual o dispositivo chega, inclusive, às mãos do crime organizado nos presídios. A única forma de enfrentar o problema é por meio da integração federativa do Governo Federal e do MJSP, com as polícias estaduais”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
Para o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, as ações desenvolvidas no sistema prisional são fundamentais para interromper esse ciclo. “Essa cadeia de crimes, que envolve roubos, furtos de celulares e receptação, termina, ocasionalmente, no sistema prisional. Isso atinge o dia a dia do cidadão, na aplicação de golpes e outras questões relacionadas a execuções de crimes letais intencionais. Por isso, é tão importante, além de compreender essa cadeia, romper o ciclo”, afirmou.
Durante a coletiva, o MJSP também apresentou resultados de outras frentes que atuam nas diferentes etapas da cadeia de crimes relacionados aos celulares. A Operação Última Chamada, coordenada pelo Ministério por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), recuperou 6.052 aparelhos entre 10 e 19 de agosto. No período, 97 pessoas foram presas em flagrante, 227 estabelecimentos comerciais foram fiscalizados e 33.606 notificações foram enviadas a pessoas que estavam de posse de aparelhos identificados como objetos de crime.
Também foram apresentados dados do Programa Celular Seguro. Os roubos e furtos de celulares passaram de 225.644 no primeiro trimestre de 2025 para 215.589 no mesmo período de 2026, redução de 4,5%. O Banco Nacional de Celulares com Restrição permite compartilhar informações sobre aparelhos com registro de roubo ou furto e apoiar as forças de segurança na identificação, recuperação e devolução desses equipamentos.
A atuação alcança ainda a comercialização irregular e a proteção dos consumidores. “O fornecedor que vende celular roubado é sócio do crime. E essa articulação que passamos a ter é fundamental para o combate a essa ilegalidade que tanto afeta os consumidores. Com os dados das operações e com a articulação do Procon, do Ministério Público, das delegacias do consumidor, nós vamos trabalhar na asfixia financeira dessas empresas”, afirmou o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita.
Inteligência e operações no sistema prisional
As Operações MUTE realizadas de maio até agosto de 2026, realizada pela SENAPPEN em articulação com os sistemas penitenciários dos estados e do Distrito Federal, mobilizou 12.709 policiais penais, com 9.890 celas revistadas em 295 unidades prisionais e 2.254 celulares apreendidos, considerando as operações nacionais e as edições locais realizadas em 2026.
Durante a coletiva, também foram apresentadas informações sobre o Centro Nacional de Inteligência Penal (CNIP), que inicia suas atividades em agosto. O Centro atuará como ambiente operacional de integração e coordenação estratégica da Rede Nacional de Inteligência Penitenciária (RENIPEN), reunindo os órgãos de inteligência das polícias penais dos estados, do Distrito Federal e da Polícia Penal Federal.
Modernização tecnológica
As ações de modernização tecnológica contemplam 138 unidades prisionais estratégicas, selecionadas a partir de critérios de inteligência penal, e ampliam os mecanismos de fiscalização e controle para impedir a entrada e a circulação de materiais ilícitos, como aparelhos celulares. Estão previstos investimentos em drones, aparelhos de raio X, kits de varredura, scanners corporais, veículos cela, detectores de metal tipo raquete, pórticos detectores de metal e outras tecnologias voltadas à segurança prisional.
Entre os equipamentos já destinados aos estados estão 35 aparelhos de raio X para Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Tocantins, Goiás e Mato Grosso, além de quatro drones, sendo um destinado ao Espírito Santo e três ao Ceará.

