Mês das mulheres: ALERJ homenageia 25 torcedoras de clubes do Rio
Como parte das homenagens da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) neste mês de março dedicado às mulheres, a Casa realizou nesta terça-feira (17/03) a entrega de Moções de Aplausos a 25 torcedoras de clubes do Rio, que aconteceu no Plenário do Edifício Lúcio Costa. Proposta pela deputada Zeidan (PT), a iniciativa teve como objetivo dar visibilidade a mulheres que ocupam e transformam os espaços das torcidas organizadas, historicamente marcados pela predominância masculina.
A homenagem contou com torcedoras de diversos clubes do Rio como Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Madureira, Bangu e Maricá. Além de representantes de várias entidades: Carolina Félix, da Secretaria de Estado da Mulher do Rio; Catarina Farias, secretária Estadual de Mulheres do PT; Raquel Oliveira, coordenadora da Linha de Violência e Convivência do Observatório do Futebol – Uerj; Giovana Leite, da Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg); e Carla Ambrósio, presidente da Movimento Feminino de Arquibancada (MFA).
Zeidan ressaltou a importância do respeito e das conquistas das mulheres no futebol. Ela lembrou ainda de leis criadas na Alerj para reforçar as políticas públicas voltadas à cultura das arquibancadas e à segurança nos eventos esportivos.
“Sabemos o quanto ainda é difícil ser mulher na arquibancada. Por isso essa homenagem é tão relevante. Acompanhamos as discussões em defesa das torcidas organizadas, do respeito no estádio e vamos solicitar mais avanços, como a criação da cartilha ‘O que é ser mulher na arquibancada’, além da inclusão dos dados de violência contra as mulheres nos relatórios do Observatório do Feminicídio. Trabalhos que devem ser elaborados pelas entidades, torcedoras, formando um grupo de trabalho”, disse a parlamentar.
Carolina Félix também destacou a homenagem. “Estamos orgulhosas de ver essa Casa cheia de mulheres com as suas fardas, a forma como chamamos as camisas de torcida organizada. Por muitos anos, fomos proibidas de usar essas camisas. A torcida organizada não é só o que mostram de errado. Somos a parte social, a alegria de ver o seu time do coração, comemorar o gol. Minha avó me apresentou o Flamengo, minha tia me levou para o estádio. Vamos defender o respeito às mulheres no estádio, ocupando o seu espaço”, comentou.
Presença feminina nas
torcidas é histórica
A história da presença feminina nas torcidas organizadas tem marcos importantes no Rio de Janeiro. Em 1956, Dulce Rosalina rompeu barreiras ao se tornar a primeira mulher a liderar uma torcida organizada no país, assumindo a Torcida Organizada do Vasco (TOV). A partir de sua atuação, as torcidas passaram a levar para os estádios elementos que se tornaram tradicionais nas arquibancadas, como baterias e papel picado. Em sua memória, a Alerj fez uma homenagem póstuma. Dulce foi representada por duas amigas que seguem comandando a TOV e outras torcidas do Vasco.

