Melhoria na infraestrutura logística é estratégica para o desenvolvimento econômico de Petrópolis e Teresópolis, aponta Firjan
Estudo Rio de Futuro destaca bons indicadores sociais da Região Serrana como ponto favorável para impulsionar as vocações e potencialidades econômicas locais
Com uma concentração de 471,7 milhões de habitantes e uma atividade industrial que representa 27,7% do PIB estadual (R$ 27 bi), as cidades de Petrópolis e Teresópolis têm a localização estratégica, o potencial tecnológico, o patrimônio ambiental e turístico, a segurança pública e a capacidade para a indústria de alta complexidade, como pontos favoráveis ao desenvolvimento econômico da Região Serrana. Esses dados fazem parte do estudo “Rio de futuro: vocações e potencialidades econômicas do Rio de Janeiro”, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Na última quarta-feira (29/4), o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, debateu o conteúdo com empresários do Conselho Regional da Firjan Serrana, na sede da instituição em Petrópolis.
Lançado em dezembro de 2025, o estudo visa orientar um novo ciclo de desenvolvimento para o estado, identificando as vocações e potenciais econômicos do Rio. Entre os principais pontos identificados como potencialidades a serem fortalecidas na região estão as obras estruturantes na BR-040 e na Serra de Petrópolis. A infraestrutura logística é considerada ponto estratégico para reduzir o custo de acesso para a atividade turística, para o transporte de cargas industriais, serviços tecnológicos e trabalhadores qualificados.
“Essas cidades têm grande potencial para impulsionar suas vocações. Identificamos alternativas para fortalecer ativos e setores estratégicos. O estudo nos dá informações para subsidiar a gestão pública no estabelecimento de políticas públicas de qualidade e orientar os empresários sobre as oportunidades e desafios. Para que a indústria avance, é importante haver investimentos em infraestrutura, para melhores condições de mobilidade e serviços essenciais, como saúde, educação, saneamento”, enfatizou o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, que destacou os detalhes do estudo ao lado do presidente regional da federação, Júlio Talon.
O estudo aponta o potencial de crescimento com o reposicionamento da indústria da confecção serrana, considerada uma identidade territorial. Assim como a integração do circuito turístico entre Petrópolis e Teresópolis é vista como uma alternativa para o melhor aproveitamento das vocações histórica, ecológica, gastronômica e artesanal, que possibilitam a criação de um calendário regional de eventos. O polo cervejeiro serrano é um dos atrativos.
O potencial para a inovação foi destacado em Petrópolis, que tem a possibilidade de se consolidar como núcleo nacional de Manutenção, Reparo e Operações (MRO) aeronáutico, impulsionado na cidade pela atividade da GE Celma, fomentando a atividade de outros setores da indústria na região. O nicho serrano de Medtech e Óptica (tecnologia médica, saúde visual e inovação científica) representa mais uma área estratégica que agrega valor ao desenvolvimento econômico da região.
“O estudo valida as potencialidades da nossa região e nos mostra quais são os gargalos que precisamos enfrentar, não apenas no âmbito municipal, mas também nas esferas estadual e federal. É um material muito rico que norteia iniciativas que precisam ser adotadas em defesa dos interesses da indústria”, destacou o presidente da Firjan Serrana, Júlio Talon.
Novas frentes a serem fomentadas, como a atividade agroindustrial, em torno de horticultura, flores, viticultura, aves e hortifrúti, são apontadas. Petrópolis e Teresópolis apresentam capacidade para promover a digitalização industrial, direcionando software, IA, telecom e processamento de dados para resolver demandas da indústria. A região ainda concentra instituições como Firjan SENAI, Faetec, universidades e Serratec voltada à qualificação profissional para atender demandas futuras do mercado de trabalho.
Propostas estruturantes visam ampliar o potencial de crescimento da região
Com bons indicadores sociais em saúde, educação, segurança e empregabilidade, a região possui importante atividade industrial com a maior parte das oportunidades distribuídas nos setores da Construção Civil, Metalmecânica, Alimentos, Bebidas e Panificação, Moda, Têxtil, Confecção e Infraestrutura. No entanto, para seguir se desenvolvendo nessas e em outras áreas potenciais, como audiovisual, gráfica, produtos químicos e farmacêuticos, o estudo apontou ainda algumas propostas estruturantes para o desenvolvimento da região.
Há ainda medidas a serem tomadas para melhorar a qualidade do fornecimento de energia elétrica, de forma a adequar às necessidades da indústria e combater ligações irregulares. Em segurança pública, apesar dos bons indicadores, a região depende de medidas que contribuam para a redução da atuação criminosa em importantes vias de acesso como a Avenida Brasil, a Linha Vermelha, o Arco Metropolitano e a BR-116 (Dutra). É reconhecida a necessidade de ampliar o sistema de prevenção, monitoramento e reação a eventos climáticos, que anualmente afetam a atividade econômica das cidades.
“O estudo evidencia os potenciais da região e o que fica claro é que a localização é um dos principais potenciais, assim como a atividade turística que é muito forte, atraindo um volume muito grande de consumo, associado à segurança pública que, diferente do estado, a região apresenta bons indicadores. Com esse estudo, pretendemos construir uma agenda positiva para solucionar os desafios que existem para o desenvolvimento da economia do estado”, destacou Jonathas Goulart, gerente de Estudos Econômicos da Firjan.

