21 de outubro de 2026
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Grupo investigado por mortes após cirurgias é alvo de operação

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (21), a Operação Por Elas, que tem como alvo o Grupo Celita Toledo, localizado em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. A empresa é investigada pela morte de três pacientes após procedimentos estéticos. Na ação, todos os centros cirúrgicos de três estabelecimentos foram interditados.

Agentes da Delegacia do Consumidor (Decon) cumprem mandados de busca e apreensão na sede do grupo, na Rua Soares Cabral. No local, há o Hospital Ênio Serra, o Laranjeiras Plastic Day Hospital e o Centro de Estética Celita Toledo. Fiscais do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) e do Instituto Municipal de Vigilância Sanitária, Vigilância de Zoonoses e Inspeção Agropecuária (Ivisa-Rio) acompanham os trabalhos.
De acordo com a Civil, a ação é resultado de investigações iniciadas depois da morte de três pacientes que realizaram procedimentos estéticos na clínica. Ao todo, a especializada investiga mais de 30 denúncias de pacientes contra o grupo.
Segundo as apurações, pessoas submetidas às intervenções sofreram deformidades, mutilações e sequelas permanentes. As investigações apontaram também a utilização indevida da força de trabalho pela empresa. A corporação informou que alunos de pós-graduação de especialização em cirurgia plástica realizavam os procedimentos sem o controle de um médico supervisor.

O delegado Wellington Vieira, titular da Decon, explicou que o principal objetivo da ação é cumprir a ordem da Justiça do Rio de interdição dos centros cirúrgicos.

“A Justiça está mostrando que as cirurgias estão proibidas, tendo em vista que há irregularidades e grandes falhas no sistema de segurança dos pacientes. Todas as pessoas que tinham cirurgias marcadas para hoje, durante todo o mês de outubro e possivelmente o mês de novembro, tem que comparecer aqui e pegar os valores pagos, que devem ser restituídos. Se tiver algum problema com essa operação, procurem as delegacias de polícia civil para informar. Deveriam saber que estão correndo um grande risco”, disse.

Além disso, o delegado contou que as equipes também buscam os prontuários dos pacientes que denunciaram algum problema sofrido depois de procedimentos.
“Consta da ordem judicial a arrecadação e a apreensão dos prontuários médicos de cada paciente que foi até a delegacia reclamar. O paciente tem direito de receber o seu prontuário médico logo que for solicitado, mas a clínica tem recusado. Isso é uma irregularidade gravíssima. Por isso, a Justiça determinou a arrecadação e a apreensão desses documentos. O local onde esses documentos estão guardados não tem nenhum tipo de organização, salas misturadas, não tem nenhum tipo de método para arquivar. A polícia está tendo um trabalhinho, mas só vamos sair daqui depois de todos os prontuários serem encontrados”, afirmou.

Marcele Paiva, mãe de uma paciente que está internada na unidade, mostrou preocupação quando soube das investigações e quando viu a movimentação dos policiais nesta quarta-feira (21). A filha passou por uma abdominoplastia, na noite desta terça-feira (20), e continua se recuperando.

“Minha filha não veio no escuro, ela sabia que estava sendo investigada, mas continuou com o processo. Fiquei com medo quando vi na reportagem. Fiquei muito apreensiva. Falei para ela não vir, mas ela quis. Entreguei na mão de Deus. Como mãe, me preocupei. O coração fica aflito, mas, graças a Deus, eu tive um conforto por causa do médico. Me deixou muito confortada. Agradeço muito. Ele fez um trabalho sensacional”, destacou.

Em agosto, durante outra operação contra o grupo, agentes da especializada já haviam apreendido produtos fora do prazo de validade no local. Na época, Adriano Silva do Nascimento se apresentou como dono de um dos estabelecimentos do grupo. Ele foi preso em flagrante por crimes contra a relação de consumo e pagou fiança para ser liberado.

As investigações continuam para apurar as denúncias e esclarecer as circunstâncias dos casos.

Defesa

As unidades são vinculadas à Celita da Silva Toledo, que se candidatou como deputada federal pelo partido Republicanos nas eleições deste ano. Ela recebeu 1.817 votos e ficou como suplente.

Em postagens nas redes sociais nesta terça-feira (20), a mulher comentou sobre as denúncias apuradas. De acordo com ela, parte das 30 ocorrências registradas não fazem sentido.
“Trinta ocorrências de que? Existem situações que não fazem nenhum sentido. Eu não vou entrar nesse detalhe, a Justiça que irá provar, as pessoas vão ter que provar o que estão falando. Vou dar um exemplo simples: uma pessoa que fez uma ocorrência porque o médico foi grosso com ela. O que eu, Celita, quanto projeto, tenho a ver com isso? Cada um tem que se responsabilizar por seus atos. São várias coisas assim que não vou ficar justificando porque o jurídico que irá provar. Quando me perguntam de 30, eu falo que depende do ponto de vista. Em três anos de projeto, a gente já fez, até agora, 9.524 procedimentos. Eu tenho 30 ocorrências. A literatura me fala e a lei me protege que a gente pode ter 5% de erro dentro do seu quantitativo de cirurgia. Eu não estou dentro nem dos 5%. Olha o tanto de volume que a gente faz, pelo amor de Deus”, afirmou.

Em outra postagem, Celita garantiu que todos os pacientes tem direito a reparos pós-operatório. “Não faz porque não quer. Nunca se foi negado, como em qualquer outro lugar. No projeto, acho que não tem nada para melhorar. A gente tem um hospital à disposição do paciente que não tem plano de saúde. Se ele fizer uma cirurgia, tem um hospital 24h com emergência e CTI, dentro do valor que pagou na cirurgia”, disse.

No último domingo (18), a empresária fez uma postagem falando sobre responsabilidade das pessoas após as operações. Segundo ela, pacientes não cuidam de si mesmo depois dos procedimentos.

“O pós-operatório exige comprometimento da paciente. Infelizmente, algumas não têm sequer a disposição de ler as orientações que recebem. Têm celular, internet, acesso à informação, mas falta o principal: interesse em cuidar de si mesmas. E aqui entra uma pergunta que talvez incomode: se uma pessoa não assume a responsabilidade de cuidar de si mesma, como espera que outra pessoa consiga fazer isso sozinha? Eu posso investir, orientar, acompanhar, oferecer estrutura e buscar os melhores profissionais. Mas existe algo que nem todo o dinheiro do mundo consegue comprar: o comprometimento de alguém com a própria recuperação. É claro que intercorrências podem acontecer mesmo quando tudo é feito corretamente. Cirurgia envolve riscos, e cada caso precisa ser avaliado com seriedade. Mas responsabilidade precisa ser uma via de mão dupla”, escreveu.
A reportagem ainda tenta localizar a defesa da empresa. O espaço está aberto para manifestação.

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