30 de janeiro de 2026
NotíciasPolítica

Governo Central cumpre com folga a meta fiscal estabelecida para 2025, aponta relatório do Tesouro

Resultado primário do ano passado cumpriu, com folga, objetivo traçado pelo Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 5º bimestre

A recuperação do equilíbrio das contas do governo é inequívoca, apontou na quinta-feira (29/1) o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, ao divulgar o resultado primário do Governo Central — Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central — consolidado de 2025. No período, foi registrado déficit de R$ 61,691 bilhões, valor que cai para R$ 13 bilhões após a retirada de despesas autorizadas do cálculo final sobre o resultado do ano. O resultado, portanto, ficou dentro da meta estabelecida pelo Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) do 5º bimestre (RARDP) do 5º bimestre, que apresentava previsão de déficit primário de R$ 75,718 bilhões para 2025.

“Considero o resultado do ano muito satisfatório, com todos os desafios apresentados. Estamos no caminho certo de manter o resultado primário cada vez mais próximo do equilíbrio e isso é muito saudável”, resumiu Ceron.

No acumulado de todo o ano passado, foi apurada receita líquida de R$ 2,332 trilhões e despesa total de R$ 2,394 trilhões, o que resultou no déficit primário de R$ 61,691 bilhões (0,48% do Produto Interno Bruto — PIB), explica o Tesouro. Já o déficit de R$ 13 bilhões (que considera os itens excluídos da meta) corresponde a 0,10% do PIB. Para o resultado de 2026, Ceron apontou que o objetivo é chegar ainda mais próximo do centro da meta.

Dados referentes exclusivamente ao mês de dezembro de 2025 revelam receita líquida de R$ 250,131 bilhões e despesa total de R$ 228,023 bilhões, resultado em superávit primário de R$ 22,107 bilhões no mês passado. Em dezembro de 2024, o Governo Central havia apurado superávit de R$ 24,106 bilhões no período.

O superávit de dezembro ficou acima da mediana das expectativas da pesquisa Prisma Fiscal de dezembro, que apontava para um superávit de R$ 11,444 bilhões no período. O Prisma Fiscal é o sistema de coleta de expectativas de mercado criado e gerido pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.

Os dados sobre as contas do Governo Central em dezembro e no acumulado de todo o ano passado foram apresentados entrevista coletiva realizada na quinta-feira (29/1), no Ministério da Fazenda, em Brasília, com a participação do secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, e do subsecretário de Planejamento Estratégico da Política Fiscal, David Athayde.

Meta cumprida

Ao detalhar os números sobre o cumprimento da meta fiscal do ano, o Tesouro Nacional informou que o RARDP do 5º bimestre traz a previsão de R$ 44,5 bilhões não considerados para fins de apuração do cumprimento da meta de resultado primário, referentes aos precatórios excedentes ao limite estabelecido pela Emenda Constitucional nº 114/2021, julgada inconstitucional no âmbito das ADIs nº 7.064 e nº 7.047. O montante inclui ainda as despesas para ressarcimento dos descontos indevidos dos benefícios previdenciários, conforme decisão no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental — ADPF nº 1236 e à excepcionalização de projetos estratégicos de defesa (Lei Complementar nº 221/2025).

A STN lembra, ainda, que o RARDP do 5º bimestre de 2025 aponta um resultado para fins de cumprimento da meta de um resultado negativo de R$ 31,3 bilhões, obtido pela soma do déficit projetado (-R$ 75,7 bilhões) e das compensações autorizadas (R$ 44,5 bilhões). Esse resultado, no entanto, chega a R$ 28 bilhões quando incorporada a necessidade de contingenciamento de R$ 300 milhões para atingimento do limite inferior da meta e de R$ 3 bilhões para compensar o déficit das estatais.

A equipe do Tesouro destacou que o resultado primário acumulado entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025 representa déficit de 0,85% do Produto Interno Bruto (PIB). Indicador melhor, portanto, que os dos três ciclos anteriores de governo (no ciclo anterior o déficit primário acumulado chegou a 2,43% do PIB, considerando período entre janeiro de 2019 e dezembro de 2022). Tal índice é obtido a partir de cálculo que considera o resultado nominal acumulado dividido pelo Produto Interno Bruto (PIB) nominal acumulado do período.

“O processo de recuperação está ocorrendo. Os déficits primários acumulados sobre o PIB dos últimos ciclos de governo giraram em torno ou acima de 2% do PIB, contra 0,85% do fechamento de 2025, no atual governo, já considerando o pagamento do estoque de precatórios, que não tinham sido pagos até dezembro de 2022”, detalhou o secretário do Tesouro. Sem o impacto dos precatórios herdados de administrações anteriores, o déficit primário acumulado do atual governo seria ainda menor, em torno de 0,5% do PIB, ressaltou Ceron.

No acumulado de 2025, a receita total atingiu R$ 2,902 trilhões, alta real de 3,2% sobre os R$ 2,679 trilhões de 2024. Já a receita líquida de R$ 2,332 trilhões representou elevação real de 2,8% sobre os R$ 2,161 trilhões de 2024. A despesa total de R$ 2,394 trilhões do ano passado mostram alta real de 3,2% sobre os R$ 2,204 trilhões de 2024.

No ano passado, o Tesouro Nacional e o Banco Central foram superavitários em R$ 255,467 bilhões, enquanto o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) apresentou resultado negativo de R$ 317,158 bilhões.

O déficit previdenciário total, considerando o RGPS somado ao resultado do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), dos servidores públicos civis, e ao pagamento de pensões/inativos militares, totalizou R$ 442 bilhões (3,4% do PIB) no acumulado em 12 meses até dezembro de 2025, em termos reais (preços de dezembro de 2025 – IPCA.

O Tesouro explica que a elevação do déficit do RGPS em R$ 4,4 bilhões entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025 decorre do efeito combinado entre o aumento de R$ 41,4 bilhões dos benefícios previdenciários (inclusive sentenças judiciais) e da elevação de R$ 37 bilhões da arrecadação líquida do RGPS.

Indicadores

O montante de restos a pagar (RAP) pagos (excetuados os RAPs financeiros) até dezembro de 2025 atingiu R$ 202,5 bilhões, ante R$ 187,4 bilhões no mesmo período de 2024. Os cancelamentos até dezembro de 2025 totalizaram R$ 11,4 bilhões no exercício, ante R$ 17,1 bilhões no mesmo período do ano passado.

Para o exercício de 2026, foi inscrito o estoque de R$ 391,5 bilhões de restos a pagar, o que representa elevação de R$ 79,1 bilhões (25,3%) em relação à inscrição ocorrida para o exercício de 2025 (R$ 312,5 bilhões). Em termos reais o crescimento é de R$ 65,7 bilhões (20,2%). Do total inscrito para 2026, parcela de R$ 102,2 bilhões se refere a despesas financeiras, ante R$ 36,8 bilhões inscritos em 2025. É uma alta de R$ 65,4 bilhões.

Ao final de 2025, o empoçamento totalizou R$ 8 bilhões, significando redução de R$ 7 bilhões frente ao mês de novembro. “Valor inferior à média dos últimos quatro anos, o que mostra uma melhor gestão orçamentária e financeira em 2025”, comentou David Athayde.

Em relação à da Regra de Ouro, houve uma margem de suficiência de R$ 79,19 bilhões no encerramento do ano. “Conseguimos, com bastante folga, cumprir essa regra constitucional, destacou o subsecretário de Planejamento Estratégico da Política Fiscal.

Regra de Ouro (art. 167, inciso III, da Constituição Federal) veda que as receitas de endividamento (operações de crédito) sejam superiores às despesas de capital (investimentos, inversões financeiras e amortização da dívida).