Foragida por golpe contra viúva de colecionador de arte é presa na orla da Praia de Grumari

A polícia prendeu na Praia de Grumari, na Zona Oeste do Rio, Diana Rosa Aparecida Stanesco Vuletic, de 39 anos, que estava foragida por envolvimento em golpe milionário contra Geneviève Boghici, viúva de Jean Boghici, que morreu em 2015 e era considerado um dos mais importantes marchands de arte no Brasil.

Diana foi presa quando pegava sol na Praia de Grumari, na tarde desta segunda-feira (13). Segundo os agentes, ao ser surpreendida, ela não criou resistência à prisão.

A prisão foi feita por agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC).

Diana foi condenada por associação criminosa, estelionato majorado, extorsão majorada, roubo majorado e cárcere privado.

Diana Rosa em suas redes sociais e na foto do Portal do Procurados — Foto: Reprodução
Diana Rosa em suas redes sociais e na foto do Portal do Procurados

Na quinta-feira (9), a polícia realizou uma operação e prendeu Jaqueline Stanesco, Gabriel Nicolau Hafliger e Slavko Vuletic.

Segundo a Justiça, dos R$ 724 milhões do golpe, que incluíram obras de arte, foram recuperados R$ 303 milhões.

Jaqueline e Gabriel Nicolau foram presos em casa. Slavko já cumpre prisão em regime semiaberto e foi notificado.

Entre os condenados, a pena mais alta de 45 anos 9 meses foi para a namorada de Sabine, Rosa Stanesco Nicolau, a “Mãe Valéria de Oxóssi”, que seguia presa.

Gabriel Nicolau Hafliger, filho de Rosa, recebeu pena de mais de 13 anos; Diana Rosa Stanesco Vuletic, meia-irmã de Rosa, de 7 anos e 4 meses de prisão. A mesma pena foi aplicada a Jacqueline Stanescos, prima de Rosa e Diana, e Slavko Vuletic, pai de Diana e padrasto da Rosa, condenado a 5 anos e 8 meses.

Os advogados de Rosa e Gabriel e a defesa de Jaqueline afirmam que vão recorrer.

Gabriel Nicolau foi preso em casa no Rio de Janeiro — Foto: Reprodução
Gabriel Nicolau foi preso em casa no Rio de Janeiro

 

Sabine Boghici, filha de Geneviève Boghici, apontada como uma das responsáveis pelo golpe contra a mãe, morreu em setembro do ano passado, depois de cair de um prédio na Zona Sul do Rio.

Sabine foi presa em 2022 e depois ganhou liberdade provisória. De acordo com a polícia, ela roubou 16 quadros, incluindo obras de Tarsila do Amaral e de Di Cavalcanti, do acervo do pai. Pelo menos duas obras foram vendidas por ela para colecionadores na Argentina.

De acordo com as investigações, a mãe de Sabine sofreu um prejuízo, estimado por ela própria, de R$ 725 milhões, entre pagamentos sob extorsão e quadros roubados.

O golpe

 

Quadro de Tarsila do Amaral avaliado em R$ 250 milhões é encontrado embaixo da cama de preso por golpe milionário — Foto: Reprodução
Quadro de Tarsila do Amaral avaliado em R$ 250 milhões é encontrado embaixo da cama de preso por golpe milionário

A Polícia Civil do RJ afirma que Sabine elaborou todo o plano, no início de 2020. O primeiro passo foi contratar uma mulher para abordar a mãe no meio da rua e alertá-la sobre uma morte iminente na família — no caso, a da própria filha.

Essa mulher, que se disse vidente, levou a idosa a outras duas comparsas, apresentadas como uma cartomante e uma mãe de santo, que confirmaram a previsão e sugeriram que ela pagasse por “um trabalho” para salvar a filha.

Assustada, a mãe contou tudo para a filha. Sabine, então, prosseguiu com o plano e fingiu ficar apavorada, suplicando para a mãe fazer o trabalho espiritual. A mãe obedeceu e fez, em um intervalo de 15 dias, pagamentos que totalizaram R$ 5 milhões.

Depois do início do “tratamento espiritual”, Sabine começou a isolar a mãe dentro de casa, dispensando funcionários e prestadores de serviços domésticos.

No início de fevereiro, contudo, a mãe de Sabine começou a perceber que a filha tinha relação com as ditas videntes e parou de fazer os repasses.

Sabine começou a agredir e ameaçar a própria mãe, que só então percebeu o plano.

Segundo a vítima, o prejuízo de R$ 725 milhões foi causado por:

  • Roubo de 16 quadros: R$ 709 milhões;
  • Roubo de joias: R$ 6 milhões;
  • Pagamento pelos “trabalhos espirituais”: R$ 5 milhões;
  • Transferências sob ameaça: R$ 4 milhões.

 

O que dizem os citados

O advogado Hugo Novais, que defende Rosa e Gabriel, diz que “a sentença não revela as provas contidas no processo, que demonstram a inocência de ambos”. Ele afirma ainda que “a decretação da prisão de Gabriel é ilegal, uma vez que não há pedido do MP” e destaca que recorrerá ao tribunal de justiça “para reverter a decisão da magistrada de primeira instância, além de já ter impetrado HC buscando a liberdade do cliente”.

Já a defesa de Jaqueline Stanesco disse que vai “recorrer não só do mérito da condenação à observância da prova absolutória, como ainda, pela 2ª vez, do inidôneo encarceramento ocorrido nesta data, em afronte as mais basilares regras de direito ordinário e constitucional, como o é prender alguém que responde ao processo em liberdade após cumpridas todas as exigências processuais impostas desde que deferida liberdade provisória”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *