Entregador é baleado enquanto trabalhava em Madureira
O entregador de açaí Luís Cláudio Galisa dos Santos, de 26 anos, foi baleado enquanto trabalhava, na noite deste sábado (17), na Rua Tatuí, no Morro do Cajueiro, em Madureira, Zona Norte do Rio. Por volta das 22h, traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) provenientes do Morro da Serrinha invadiram a região, que é dominada pelo Comando Vermelho (CV). Além de Luís Cláudio, outras pessoas teriam sido atingidas e ao menos uma não resistiu.
Ao O DIA, Adriana Almeida, mãe de Luís Cláudio, informou que o estado de saúde do filho é delicado e inspira cuidados. O entregador foi atingido por dois disparos: no tórax, que atravessou e passou pelo braço, e no abdômen, que saiu pela nádega.
“Ontem ele fez alguns exames, mas ainda está aguardando para saber se vai operar. Ele já estava perdendo muito sangue, parece que estava com uma hemorragia também. Aparentemente meu filho está falando, está lúcido, mas ainda muito nervoso com o ocorrido. Foi um susto”, conta.
Luís Cláudio fazia uma entrega de açaí quando os disparos o acertaram. De acordo com Adriana, a própria cliente foi quem pegou o carro e socorreu o entregador. Inicialmente, ele foi levado à UPA de Rocha Miranda, mas a unidade já estava cheia de outras pessoas baleadas.
“Como ele teve duas perfurações, a UPA não tem o equipamento adequado, mandaram ele para o Hospital Municipal Salgado Filho, onde ele segue internado. A UPA de Rocha Miranda ontem estava lotada de pessoas que tinham tomado bala perdida. Toda hora chegava um carro com alguém”, diz.
Segundo Adriana, um outro entregador também foi baleado durante o confronto, mas não resistiu aos ferimentos. De acordo com a Polícia Civil, ele foi identificado como Wendrel Silva da Rocha. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) foi acionada e investiga a morte. Agentes realizam diligências para apurar a autoria do crime.
A Polícia Militar informou que os agentes do 9ºBPM (Rocha Miranda) foram acionados para verificar informações de um possível ataque armado de criminosos oriundos da comunidades da Serrinha na comunidade Congonha, em Madureira. Durante a ação, a equipe avistou um veículo que deixava a região em alta velocidade. Os militares realizaram a abordagem e no interior do automóvel encontraram um homem baleado sendo levado ao Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. A ocorrência foi registrada na 29ª DP (Madureira).
Clima de guerra
Segundo Adriana, os tiros tiveram início por volta das 22h e seguiram por cerca de uma hora. A região convive com sucessivas tentativas de invasão e guerras por expansão e domínio territorial.
“Foi muito, mas muito tiro. Pelo barulho, parecia que era dentro de casa. Ninguém conseguia sair, quem tava na rua não conseguia entrar na comunidade. Eles estavam parando todo mundo no meio da rua, invadiram a casa de santo de um amigo nosso. Foi uma uma sessão de horror. Madureira ficou esquecida pelos nossos governantes”, afirma.
Esta, no entanto, não é a primeira vez que Luís Cláudio é baleado durante uma guerra entre as facções. Em agosto de 2024, ele foi uma das vítimas do ataque a um bar na Rua Silvio Tibiriçá, em Turiaçu, na Zona Norte. Na ocasião, quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas.
“Ele estava saíndo para fazer uma entrega de açaí quando começou o tiroteio. Deu tempo de ele correr e voltar, mas mesmo assim tomou um tiro de raspão. E agora ontem, que foi um horror e ele não teve essa sorte toda”, relata.
Moradora de Madureira há muitos anos, Adriana cobra mais segurança para a região. “Nossos filhos não podem deixar de trabalhar. A gente precisa de segurança para ir e vir, porque daqui a pouco a gente não consegue sair para trabalhar. A bandidagem já tomou conta. Isso está errado. A gente paga imposto, a gente paga nossas contas em dia. O mínimo que a gente tem direito é segurança, porque hoje foi meu filho e amanhã vai ser o filho de outra”, lamenta.

