8 de outubro de 2026
Brasil BrasíliaNotícias

Embrapa apresenta estratégias agropecuárias contra os impactos do El Niño nas cinco regiões do país

 

Adoção de práticas como conservação do solo, uso eficiente da água e adaptação ao estresse térmico são fundamentais para proteger as safras

 

O setor produtivo agropecuário brasileiro se prepara para enfrentar as variações climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño no ciclo 2026/2027. Para mitigar os riscos de perdas e manter a elevada eficiência nas lavouras e na pecuária, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que os produtores adotem medidas preventivas antes do início das adversidades, combinando tecnologia, manejo adequado do solo e monitoramento contínuo das previsões meteorológicas.

Enquanto produtores da Região Sul precisam se preparar para chuvas intensas e excesso de água, em grande parte do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste o fenômeno deve impor o desafio oposto: escassez de água, irregularidade das chuvas e temperaturas elevadas. As diferenças não se limitam às fronteiras regionais: os riscos também mudam conforme a localização, a cultura, o sistema produtivo e o período do ciclo agrícola.

Nesta sexta-feira, 9 de outubro, a Embrapa realiza, das 10h às 11h30, evento on-line sobre o El Niño 2026/2027, com transmissão pelo YouTube. Com participação de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a programação inclui um panorama do fenômeno, o lançamento das notas técnicas com orientações para as cinco regiões e para a gestão de riscos climáticos e um espaço para perguntas do público.

NORDESTE — No Semiárido nordestino, o El Niño tende a elevar as temperaturas e desregular as chuvas, com maior probabilidade de secas no final de 2026 e reflexos diretos na safra do início de 2027. Para reduzir a vulnerabilidade, as orientações principais envolvem o fortalecimento da infraestrutura de captação e armazenamento de água, por meio de cisternas, barreiros-trincheira e sistemas de reuso.

Nas culturas agrícolas, recomenda-se respeitar as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), optar por cultivares resistentes e avaliar o cultivo do sorgo como substituto ao milho em áreas críticas. Já em relação à pecuária, recomenda-se planejar antecipadamente a alimentação dos rebanhos, formar e conservar reservas de forragem, manter bancos de palma-forrageira e ajustar a taxa de lotação à capacidade de suporte da propriedade.

Antecipar decisões é a principal estratégia para reduzir os riscos no Semiárido. Ajustar a produção à disponibilidade de recursos e à capacidade de suporte da propriedade, conservar o solo, usar a água de forma eficiente, formar reservas, diversificar a produção e acompanhar o clima pode reduzir a vulnerabilidade dos sistemas agropecuários.

NORTE — Na Região Norte, a projeção aponta para o atraso na chegada das chuvas, elevação de temperaturas e redução dos níveis dos rios, afetando a logística e o abastecimento, sobretudo no Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. A estratégia produtiva requer o ajuste do calendário de plantio de grãos e mandioca às cotas dos rios e à disponibilidade de água no solo.

A disponibilidade de água deve orientar boa parte das decisões na região. Além de seguir o Zarc, as medidas incluem: escolher cultivares adaptadas e precoces, conservar a umidade do solo, armazenar água, adequar a irrigação e proteger lavouras e animais do calor.

No caso da pecuária e das pastagens, recomenda-se ajustar a lotação dos animais à capacidade de suporte das pastagens, formar reservas de forragem, reforçar a suplementação e garantir água limpa e sombra. A redução da umidade pode antecipar a perda de qualidade das pastagens e aumentar o estresse térmico dos animais.

SUDESTE — O cenário no Sudeste apresenta disparidades: enquanto a previsão para São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais é de volumes de chuva acima da média entre outubro e dezembro, os nortes mineiro, capixaba e fluminense tendem a enfrentar condições mais secas. O calor excessivo é o ponto de atenção comum a toda a região, exigindo cuidados especiais nas lavouras de café durante as fases de floração e enchimento dos grãos.

Os principais riscos para a agropecuária são o déficit hídrico, as ondas de calor e o estresse térmico. Nos locais onde a chuva ficar acima da média, devem ser favorecidos a semeadura e o estabelecimento da soja e do milho de primeira safra, a formação dos frutos do café e a brotação da cana-de-açúcar.

No Sudeste, o manejo deve considerar principalmente os riscos associados à falta de água e às altas temperaturas. As medidas incluem seguir o Zarc, acompanhar as previsões climáticas, conservar água no solo, melhorar a infraestrutura hídrica, utilizar tecnologias adaptadas ao estresse hídrico e térmico e reforçar as reservas de forragem para a pecuária.

SUL — Na Região Sul, o El Niño 2026/2027 deve provocar chuvas mais intensas e concentradas, principalmente entre os meses de setembro e dezembro. O excesso de precipitação pode causar encharcamento dos solos, erosão e perda de nutrientes, além de dificultar operações como semeadura, aplicação de insumos e colheita. A maior nebulosidade também pode reduzir a radiação solar e prejudicar o desenvolvimento e o enchimento dos grãos.

Entre as culturas mais expostas estão os cereais de inverno, arroz irrigado, soja, milho, frutíferas de clima temperado e hortaliças. Nas pastagens, o excesso de chuva pode reduzir a qualidade da forragem, compactar o solo e favorecer sua perda. Na silvicultura, a maior preocupação são os danos provocados por tempestades e ventos fortes.

No Sul, prevenção e manejo dos riscos devem caminhar juntos. Além do Zarc e do acompanhamento das previsões, as recomendações incluem escalonar a semeadura, manter o solo protegido, melhorar a drenagem e planejar colheita, secagem, armazenamento e logística. O planejamento também deve ultrapassar os limites da propriedade e considerar a microbacia hidrográfica, com medidas para controlar o escoamento da água e ampliar a capacidade de enfrentar eventos extremos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *