29 de outubro de 2026
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Dia Nacional do Livro: conheça iniciativas que ampliam o acesso à leitura

Uma história pode começar antes mesmo da primeira palavra: na capa colorida que desperta a curiosidade de uma criança, na voz de alguém que lê antes de dormir ou na descoberta de um personagem que parece compreender o mundo de quem lê. Entre páginas, imagens e narrativas, os livros abrem caminhos para a imaginação, ampliam horizontes e ajudam a construir conhecimento.

Celebrado nesta quinta-feira, 29 de outubro, o Dia Nacional do Livro convida a reconhecer o papel da leitura na formação das pessoas e a refletir sobre as condições necessárias para que esse encontro aconteça. Afinal, para que uma história transforme o dia de alguém, é preciso, primeiro, que esse livro esteja ao alcance de suas mãos — seja na biblioteca da escola, em um espaço comunitário, em casa ou na tela de um celular.

Para a coordenadora-geral de Materiais Didáticos do Ministério da Educação (MEC), Jaqueline dos Santos Melo, a leitura contribui para a aprendizagem e amplia a capacidade de imaginar e conhecer outras realidades. “A leitura é uma tecnologia humana que ajuda a fazer novas conexões neurais e contribui para a aprendizagem. Além disso, é uma atividade introspectiva, pessoal, que nos permite acessar outros mundos, como o do escritor, o das personagens e o da imaginação”, afirma.

Ampliar esse acesso é parte do trabalho do MEC, que desenvolve políticas públicas e programas para aproximar estudantes e a população em geral dos livros e de diferentes experiências de leitura. Entre elas, estão o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), que distribui materiais para escolas públicas e prevê a destinação de acervos a bibliotecas públicas e comunitárias, e o MEC Livros, biblioteca digital que disponibiliza obras para leitura.

As iniciativas integram diferentes caminhos para incentivar a leitura: do contato com a literatura desde a primeira infância à possibilidade de descobrir novos autores por meio de plataformas digitais. Mais do que garantir a disponibilidade de livros, o desafio é criar oportunidades para que crianças, jovens e adultos desenvolvam o gosto pela leitura e encontrem nas histórias novas formas de compreender o mundo.

PNLD – Uma das principais políticas públicas de acesso ao livro no país, o PNLD é destinado à avaliação, aquisição e distribuição gratuita de livros didáticos, obras literárias e outros materiais de apoio pedagógico para escolas públicas da educação básica. Coordenado pelo MEC, o programa contempla diferentes etapas e modalidades de ensino, da educação infantil ao ensino médio, incluindo a educação de jovens e adultos (EJA).

O funcionamento do programa envolve diferentes etapas. As editoras inscrevem as obras, que passam por avaliação pedagógica coordenada pelo MEC. Após a aprovação, os títulos são disponibilizados para escolha pelas redes de ensino e pelas escolas. Em seguida, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) realiza a aquisição e coordena a distribuição dos materiais, considerando a quantidade de estudantes informada pelas redes.

Dessa forma, os livros chegam às unidades escolares participantes de todo o Brasil, contribuindo para que estudantes e professores tenham acesso aos recursos necessários ao processo de ensino e aprendizagem.

O PNLD disponibiliza livros didáticos, obras literárias, materiais de apoio ao professor, obras pedagógicas e recursos educacionais digitais. Além dos exemplares físicos, estudantes e professores podem acessar versões digitais de diversas obras por meio da plataforma PNLD Digital. Os docentes também contam com materiais de apoio teórico-pedagógico e manuais voltados ao planejamento e ao desenvolvimento das atividades escolares.

No ciclo de entregas de 2023 a 2026, foram avaliadas 2.108 obras em diferentes ações do programa. Entre os destaques estão as obras literárias para creches e pré-escolas, as publicações destinadas à educação de jovens e adultos e as iniciativas relacionadas à equidade, que ampliam a presença de diferentes perspectivas nos materiais educacionais.

O alcance da política vai além dos muros das escolas. Conforme previsto no Decreto nº 12.021/2024, o programa contempla a destinação de acervos literários a bibliotecas públicas e comunitárias. Com isso, as obras podem chegar a outros espaços de convivência e aprendizagem, ampliando as possibilidades de contato com a literatura para além do ambiente escolar.

A diversidade e a inclusão também são prioridades na seleção dos materiais do PNLD. Em 2026, o MEC avalia 333 coleções didáticas para a inglesa e espanhola, além de livros regionalizados de História e Geografia. No PNLD Literário Equidade, são avaliadas 457 obras para o ensino fundamental e 361 para a EJA, com temáticas como Educação Especial, Direitos Humanos, Educação Bilíngue de Surdos, relações étnico-raciais e literaturas quilombola, indígena e dos povos do campo, das águas e das florestas.

O programa também amplia a acessibilidade à leitura com a previsão de distribuição de 22,3 mil livros em braille em 2026, destinados a 3.495 estudantes cegos e surdocegos da rede pública, sendo 3.116 do ensino fundamental e 379 da EJA. Com investimento de R$ 27 milhões do MEC e do FNDE, a iniciativa busca garantir que mais estudantes tenham acesso aos materiais educacionais, respeitando suas necessidades e contribuindo para uma educação pública mais inclusiva.

MEC Livros – O acesso à literatura também pode acontecer por meio das telas. Para quem utiliza o celular ou o computador no dia a dia, a tecnologia representa uma possibilidade de descobrir livros, conhecer novos autores e incorporar a leitura à rotina. É nesse contexto que o MEC Livros, biblioteca digital do Brasil, amplia as oportunidades de acesso às obras literárias.

A plataforma reúne milhares de obras nacionais e internacionais, entre títulos em domínio público e obras contemporâneas licenciadas. O acervo permite que os leitores explorem diferentes gêneros e autores em um ambiente digital. O serviço é gratuito e pode ser acessado pelo site ou pelo aplicativo, mediante login com uma conta Gov.br.

Para utilizar a plataforma, basta entrar com a conta Gov.br, explorar os títulos disponíveis e selecionar a obra desejada. Na página do livro, o leitor pode consultar as informações sobre o conteúdo e escolher a opção “Emprestar e Ler” para iniciar a leitura.

A iniciativa amplia as possibilidades de contato com a literatura para além dos espaços físicos e permite que estudantes, professores, pesquisadores e leitores em geral encontrem obras em um ambiente digital. A praticidade também pode favorecer a criação de hábitos de leitura, ao permitir que o leitor aproveite diferentes momentos do dia para avançar em uma história. “Democratizar o acesso à literatura é ampliar as oportunidades de conhecer novos autores, histórias e culturas por diversos meios. Com o MEC Livros, a tecnologia se torna uma aliada para aproximar os livros do cotidiano dos brasileiros e incentivar a formação de mais leitores”, destaca a diretora de Apoio à Gestão Educacional do MEC, Anita Stefani.

Para o escritor Felipe Castilho, autor de obras voltadas ao público jovem, as bibliotecas digitais também contribuem para ampliar o acesso a autores e títulos que nem sempre estão disponíveis para compra por todos os leitores. “Não é todo jovem que vai conseguir comprar um livro, então é um jeito legal de conhecer autores, descobrir novas leituras e indicar livros para outras pessoas”, diz Felipe Castilho.

A tecnologia, portanto, pode funcionar como uma aliada da democratização da leitura, sem substituir a importância dos livros impressos ou das bibliotecas físicas. Os diferentes formatos se complementam e ampliam as oportunidades de acesso às obras, respeitando os hábitos e as possibilidades de cada leitor.

Como se formam novos leitores – O contato com os livros durante a infância pode marcar a relação de uma pessoa com a leitura por toda a vida. Uma história contada em voz alta, a liberdade para escolher um título ou a conversa sobre os personagens são experiências que ajudam a despertar o interesse pelas palavras e a transformar a leitura em uma prática prazerosa.

A formação de leitores começa antes mesmo da alfabetização. O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde os primeiros anos contribui para o desenvolvimento infantil, estimula a imaginação e amplia o repertório cultural. Nesse processo, escolas, famílias, educadores, artistas e mediadores de leitura desempenham papéis complementares.

A atriz, educadora e pesquisadora Cláudia Ribeiro, que trabalha com grupos de teatro formados por crianças, ressalta como a experiência artística pode despertar o interesse pela literatura. “Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura”, afirma Cláudia Ribeiro.

A participação das famílias também é fundamental nesse percurso. A escritora, poeta e produtora cultural Elisa Pereira destaca a importância do envolvimento de pais e cuidadores na construção desse vínculo desde a infância. “Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores”, afirma Elisa Pereira.

A escola, por sua vez, pode representar a primeira oportunidade de contato frequente com os livros para crianças que não vivenciam essa prática em casa. Por isso, o trabalho de professores e bibliotecários é essencial para despertar a curiosidade, apresentar diferentes gêneros literários e incentivar a descoberta de novas histórias.

A formação de leitores também está ligada à possibilidade de cada estudante reconhecer sua própria voz. Para a poeta, professora, tradutora e pesquisadora Nina Rizzi, o acesso a uma diversidade de autores e narrativas ajuda os jovens a encontrarem referências com as quais se identifiquem e a perceber que também podem produzir suas próprias histórias. “Todos nós temos uma história para contar e só a gente pode contar essa história”, afirma Nina Rizzi.

Ao apresentar obras de diferentes regiões do país, culturas e experiências, a escola amplia o repertório dos estudantes e contribui para que eles conheçam outras realidades, desenvolvam o pensamento crítico e expressem suas próprias vivências. Nesse sentido, incentivar a leitura também significa criar condições para que diferentes vozes sejam ouvidas e reconhecidas.

Leitura, imaginação e escrita: caminhos que se encontram – Ler também pode ser o primeiro passo para escrever. Ao conhecer histórias, poemas, personagens e diferentes formas de narrar, crianças e jovens ampliam o repertório cultural, experimentam novas ideias e descobrem possibilidades para expressar suas próprias experiências.

A escola tem papel importante nesse percurso ao oferecer oportunidades para a leitura, a escrita, a interpretação e a criação artística. O contato com diferentes autores permite que os estudantes reconheçam a diversidade de estilos e temas presentes na literatura e percebam que a escrita pode ser uma forma de registrar memórias, compartilhar sentimentos e interpretar a realidade.

A autora, ilustradora e roteirista Janaína Tokitaka chama a atenção para a importância das imagens na aproximação das crianças com os livros. “A imagem tem o poder de encantar, de tornar reais palavras que, às vezes, não são tão concretas”, afirma Janaína Tokitaka.

As ilustrações, a contação de histórias, o teatro e outras linguagens artísticas podem ajudar a despertar a curiosidade dos pequenos leitores e tornar a experiência literária mais envolvente. Ao mesmo tempo, atividades que incentivam a imaginação e a criação mostram às crianças que elas também podem inventar personagens, construir narrativas e compartilhar suas ideias.

Esse trabalho depende da atuação cotidiana de professores, bibliotecários e mediadores de leitura. Para Janaína, esses profissionais são fundamentais para que as obras cheguem às crianças e despertem o interesse pela literatura. “São profissionais de extrema importância”, ressalta a autora.

Celebrar o Dia Nacional do Livro é reconhecer que cada leitura pode representar uma descoberta, uma pergunta ou uma nova maneira de compreender a realidade. Também é lembrar que o interesse pelos livros precisa ser acompanhado de oportunidades concretas de acesso, com obras disponíveis, espaços acolhedores e iniciativas capazes de alcançar diferentes públicos.

Ao articular a distribuição de materiais didáticos e literários, o acesso a recursos digitais e a destinação de acervos a bibliotecas públicas e comunitárias, o MEC contribui para fortalecer a presença dos livros em diferentes contextos educativos e sociais.

Cada página lida representa uma possibilidade de descoberta. E ampliar o acesso aos livros significa permitir que mais pessoas encontrem, nas palavras de outras pessoas, caminhos para imaginar, aprender e transformar o próprio mundo.

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