Dia Mundial da Limpeza Urbana inspira roda de conversa sobre coleta seletiva comunitária em Magé
Encontro faz parte das ações de educação ambiental do projeto Andadas Ecológicas, que capacita jovens da comunidade para atuarem na proteção dos manguezais da Baía de Guanabara
No Dia Mundial da Limpeza Urbana, celebrado em 27 de agosto, moradores de Suruí, distrito de Magé, terão mais uma oportunidade de conversar sobre a importância da destinação adequada dos resíduos e os impactos do descarte irregular sobre os rios e manguezais. A data será marcada por uma roda de conversa sobre a implantação da coleta seletiva comunitária na região, realizada às 14h, no bairro Jacaré.
O encontro integra o programa de educação ambiental desenvolvido pelo projeto Andadas Ecológicas — iniciativa da ONG Guardiões do Mar, em parceria com a Petrobras — e tem por objetivo sensibilizar a comunidade sobre a separação adequada dos resíduos e explicar como funcionará a coleta seletiva porta a porta que será implantada em localidades de Suruí. A iniciativa também tem o apoio da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM).
A escolha do Dia Mundial da Limpeza Urbana para a realização da atividade reforça a importância de discutir soluções para a gestão dos resíduos, especialmente em regiões onde a coleta domiciliar apresenta limitações. Em Suruí, o serviço de coleta regular deficiente e a extensa área da localidade, que dificulta o acesso a algumas residências, fazem com que parte dos descartes acabe chegando ao Rio Suruí e aos manguezais da Baía de Guanabara.
“Nosso principal objetivo é sensibilizar os ribeirinhos sobre a importância de não jogarem seus materiais, recicláveis ou não, no rio, já que a maioria das casas fica na encosta do Rio Suruí. Informaremos como será realizada a nossa coleta seletiva, o que é reciclável e o que não é, os tipos de resíduos que coletamos e o que deve ser descartado na coleta domiciliar urbana”, explica a articuladora socioambiental do projeto, Rosilene Baranda.
“O projeto Andadas Ecológicas foi concebido para unir conservação ambiental e desenvolvimento comunitário. A implantação da coleta seletiva comunitária em Suruí representa um passo importante nessa direção, pois envolve diretamente os moradores na gestão dos resíduos e contribui para reduzir a quantidade de lixo que chega aos rios e manguezais da região”, define Roberta Guagliardi, coordenadora-geral do projeto.
O programa de educação ambiental do Andadas Ecológicas, que trabalha temas como conservação dos manguezais, racismo ambiental, consumo consciente e descarte correto de resíduos, é pautado nas premissas da Cultura Oceânica e alinhado à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030).
Coleta porta a porta
Construída junto à comunidade, a coleta seletiva comunitária do projeto Andadas Ecológicas conta com a capacitação de jovens da região. Eles atuarão como agentes ambientais comunitários na coleta de materiais recicláveis e na gestão dos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) que serão instalados nas comunidades.
Com triciclos adaptados para a coleta domiciliar, esses agentes poderão alcançar inclusive residências localizadas em ruas estreitas, onde os caminhões da coleta municipal não conseguem chegar, facilitando a participação dos moradores que aderirem ao programa.
Após a coleta, os materiais serão encaminhados para um centro de triagem, onde serão processados pela equipe de gestão de resíduos e pelo agente comunitário de reciclagem, antes de serem destinados à comercialização no mercado de recicláveis.
A iniciativa conta ainda com a participação dos adolescentes do ecoclube do projeto, que visitam e cadastram moradores interessados em doarem seus resíduos, além de atuarem como agentes mobilizadores na região.
Roda de conversa sobre coleta seletiva
Data: 27 de agosto de 2026
Horário: 14h
Local: Rua João Félix do Bonfim, 567, Jacaré – Suruí/Magé
Entrada: gratuita
Sobre o Andadas Ecológicas
A ONG Guardiões do Mar desenvolve projetos socioambientais que se tornaram referência no combate ao lixo nos manguezais. Em 2026, a instituição ampliou sua atuação com o projeto Andadas Ecológicas, que tem como proposta enfrentar o avanço dos resíduos sólidos na Baía de Guanabara, tendo os povos tradicionais como aliados e agentes fundamentais na busca por soluções.
Para atingir esse propósito, a iniciativa, em parceria com a Petrobras, está atuando em diversas frentes, como a limpeza de manguezais, a formação de ecoclubes, o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e a utilização de uma tecnologia social inédita: a Moeda Azul – Mangal.
Ao longo de 26 meses, o projeto, que é composto por dois eixos principais — Conservação Ambiental e Educação Ambiental — envolverá escolas, espaços comunitários e moradores das margens do Rio Suruí, em Magé. A iniciativa beneficiará diretamente pescadores artesanais, catadores de caranguejo, adolescentes e crianças da comunidade de Suruí e adjacências, no recôncavo da Baía de Guanabara.
Idealizado em atendimento à condicionante da Licença de Instalação do Sistema Dutoviário do Complexo de Energias Boaventura, o projeto Andadas Ecológicas foi construído a partir de uma escuta ativa das lideranças locais e se apoia nos 28 anos de atuação da ONG Guardiões do Mar na Baía de Guanabara.

