De tecnologia social à ‘economia azul’: o saneamento como indutor de desenvolvimento no Rio Innovation Week
Nesta quarta-feira (5), especialistas da Águas do Rio e da Aegea debateram como a inovação no saneamento transforma áreas vulneráveis e recupera cartões-postais cariocas.
Levar dignidade a áreas vulneráveis com engenharia inovadora e devolver o potencial econômico a cartões-postais cariocas com águas limpas. Foi com foco nessa transformação real que a Águas do Rio e a Aegea pautaram seus debates nesta quarta-feira (5), no Rio Innovation Week. Com Sinval Andrade, diretor institucional da Águas do Rio, e Radamés Casseb, CEO da Aegea, a agenda consolidou o saneamento como a principal tecnologia social da atualidade, operando como motor de justiça climática e saúde pública.
No “Painel Cinema: Quanto vale o Azul”, Sinval Andrade debateu o potencial carioca na economia azul, após a exibição do documentário homônimo. A mesa reuniu o biólogo Ricardo Gomes, diretor do Instituto Mar Urbano, e a ultramaratonista aquática Patrícia Farias. Em março, a atleta nadou 26 quilômetros entre a Urca e Paquetá, atestando a melhoria da água em praias como Flamengo e Glória, reflexo dos 134 milhões de litros de esgoto que deixaram de ser despejados diariamente na Baía de Guanabara.
O debate reforçou que estruturar as cidades e recuperar o meio ambiente são passos vitais para a região, provando que tratar esgoto é criar condições sustentáveis para o turismo, a pesca e o lazer.
“Em pouco mais de quatro anos, a gente conseguiu chegar na marca de retirar 134 milhões de litros de esgoto todos os dias da Baía de Guanabara. E o resultado disso é visível, palpável. A Praia do Flamengo e a Praia da Glória foram devolvidas à população e isso gera uma cadeia de valor. Seja para quem depende diretamente da praia, como os donos de barracas e quiosques, seja para quem pode ter o acesso ao mar democratizado. Quando a população vê os primeiros resultados surgindo, ela se engaja com muito mais facilidade”, afirmou Sinval Andrade, diretor institucional da Águas do Rio.
Quem vivencia essa transformação de perto reforça que a mudança já saiu do papel, mas exige um movimento coletivo contínuo: “Nosso objetivo enquanto iInstituto é trazer a população para dentro do projeto de recuperação, despertando o sentimento de pertencimento e o orgulho de ser carioca e fluminense. Por isso a importância de um filme como esse, que mostra que os cartões-portais do sul global estão em plena recuperação”, pontuou o biólogo Ricardo Gomes.
O impacto na vocação esportiva do Rio também ganhou destaque na visão de quem lida diariamente com as correntezas e o descarte incorreto de lixo urbano: “Costumo dizer que nado com um propósito, que é passar uma mensagem para que todos olhem com mais cuidado para a natureza e os nossos oceanos. As coisas estão melhorando na Baía de Guanabara e, se cada um fizer a sua parte, sem dúvida avançaremos ainda mais”, completou a nadadora Patrícia Farias.
Mais cedo, Radamés Casseb dividiu o palco com a jornalista Christiane Pelajo no talk show “Sem Filtro: Decisões que ninguém conta”. O CEO da Aegea compartilhou os desafios de liderar operações nos contextos urbanos mais complexos do país, detalhando como a empresa adapta estratégia e cultura para levar água e esgoto até onde os modelos tradicionais não chegam.
“Liderar é antecipar problemas e transformá-los em indutores de soluções. Nós chegamos a áreas como becos e palafitas, onde a engenharia tradicional dizia ser impossível atuar. Na Maré e em Manaus, por exemplo, a tubulação precisou ser instalada por cima do rio. A inovação no saneamento é criar caminhos, porque na hora em que você chega com água e esgoto, você transforma a realidade de resiliência climática da cidade. E a natureza nos devolve essa recompensa, como provam os avistamentos cada vez mais frequentes de baleias na Baía de Guanabara”, destacou Radamés Casseb, CEO da Aegea.
Essa adaptação da engenharia à realidade local materializa a justiça climática. A inovação reflete-se na prática diária da Águas do Rio: do uso do método não destrutivo “tatuzinho” no Conjunto de Favelas da Maré à aplicação de técnicas de rapel em comunidades íngremes. Quando bem executada, a infraestrutura gera um ambiente imediato de saúde, oportunidades e desenvolvimento local.
A programação da companhia no Rio Innovation Week continua nesta sexta-feira (7) com a participação de Tatiana Carius e Adriana Albanese, diretoras da Aegea, e de Renan Mendonça, diretor-executivo da Águas do Rio.
Serviço – Sexta-feira (07/08)
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11h15 às 11h45 – Painel: Entre o ESG e a vida cotidiana: Saneamento, Saúde, Dignidade e o impacto social invisível na vida das mulheres | Local: Kobra | Palco 33
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Participantes: Adriana Albanese (Aegea), Luana Pretto, Giovanna Curty e Kamila Camilo.
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12h30 às 13h15 – Painel: Saneamento e Águas Fluviais |Local: Armazém 2 | Palco 8
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Participantes: Tatiana Carius (Aegea/Águas do Rio), Lindalia Junqueira, Caio Gonçalves da Silva e Silva e Philipe Campello.
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16h00 – Painel: A Economia da Periferia: inovação, potência e novos mercados | Local: Kobra | Palco 29
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Participantes: Renan Mendonça (Águas do Rio), Rene Silva e Viviane Mosé.
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