20 de julho de 2024

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Com representantes do governo do estado e empresários do mercado, Firjan apresenta o estudo “Petroquímica e seu potencial de investimentos para o Rio de Janeiro”

No lançamento do estudo da Firjan “Petroquímica: atração de investimentos para o Rio de Janeiro”, em 25/4, foi demonstrado que o estado vive uma janela de oportunidades para reverter a posição de dependência externa do país nas indústrias de petroquímica e de fertilizantes. Participaram do evento o secretário estadual de Energia e Economia do Mar, Hugo Leal, presidentes de sindicatos, de associações empresariais e representantes de empresas.

“Hoje desperdiçamos riqueza ao deixar de usar o gás natural e importamos produtos petroquímicos e fertilizantes. Em 2005, o volume de gás natural usado pela indústria era de 9 milhões de m3, impulsionado pela petroquímica. Atualmente é de 3 milhões. A demanda é visível e não podemos desperdiçar”, contextualizou Luiz Césio Caetano, vice-presidente da federação.

Já Isaac Plachta, presidente do Conselho Empresarial de Meio Ambiente da Firjan e presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos para Fins Industriais do Estado do Rio de Janeiro (Siquirj), defendeu que o gás não pode continuar a ser queimado nas plataformas: “Precisa estar disponível a preço competitivo não apenas para energia, mas também como matéria-prima para a indústria. Firjan e Siquirj podem mediar a conversa entre as partes com interesses conflitantes para ser feito o necessário para o aproveitamento do gás natural”, reforçou.

Facilitar a negociação e aproximar as partes envolvidas no uso do gás natural na indústria é uma das missões também da secretaria de estado de Energia e Economia do Mar, de acordo com Hugo Leal, titular da pasta. “Muitos temas perpassam pela política nacional. É um debate permanente para que o Brasil perca essa situação de exportador de produtos básicos e passe a exportar o que tem de valor agregado. O universo da petroquímica se adequa à realidade fluminense. O Rio não pode mais perder tempo. Temos que escolher as lutas em que vamos entrar e a da petroquímica vale à pena”, concluiu Leal, que ressaltou também a proximidade dele com os pleitos da federação.

 

Monetização do gás natural

Karine Fragoso, gerente de Petróleo, Gás e Naval da Firjan, lembrou outros eventos recentes sobre a importância do gás natural em que a federação e outras entidades participaram em São Paulo, Espírito Santo e Alagoas. “Este encontro é mais uma peça do quebra-cabeça que a Firjan vem construindo, participando de várias reuniões, como recentemente na Fiesp, para debater sobre o uso e a importância do gás natural para a indústria”.

Os principais pontos do estudo foram apresentados por Thiago Valejo, gerente de Projetos de Petróleo, Gás e Naval da federação, ressaltando o potencial de monetização do gás natural, a competitividade entre o preço praticado nos EUA e no Brasil, os caminhos para o net zero; os gasodutos previstos, entre outros tópicos.

A segunda parte do evento reuniu os autores de artigos da publicação. Marcelo Bonilha, diretor regional da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), disse que no Brasil 45% do gás é reinjetado, enquanto no mundo são apenas 20%: “Contratamos a PUC-RJ para realizar um estudo sobre oferta, demanda e gargalos do gás natural”.

Já Fábio da Silva Santos, diretor de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios da Braskem, mostrou que o mercado de petroquímicos vem crescendo e suporta os investimentos necessários para o aumento da produção de gás: “A demanda por polietileno cresce 3,6% ao ano e 20% das importações em média vêm dos EUA. Outra questão é a meta da Braskem de alcançar net zero até 2050. A indústria petroquímica baseada no gás emite menos carbono que a do líquido”.

Pelo governo estadual, o subsecretário adjunto de Energia, Daniel Lamassa, detalhou as rotas de gasodutos previstas e o potencial de uso do biogás: “Quanto mais gás chegar, teremos mais subprodutos como o etano que pode ser usado nas petroquímicas. E quanto ao biogás, só usamos 2% do potencial do estado”.

A importância da regulamentação da especificação do gás natural foi ressaltada por Fatima Giovanna, diretora de Economia e Estatística na Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim): “A especificicação do gás deve estimular a separação dos líquidos, conforme projeto em análise na ANP. Se ele for modificado, vamos desperdiçar todos esses componentes que seriam usados na indústria química”.

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