20 de setembro de 2026
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Com nova matriz de referência em discussão, Enem 2028 terá mudanças na Redação e nas questões; entenda

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deverá passar por uma reformulação a partir de 2028, com novas matrizes de referência, adaptação à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mudanças na organização das questões e revisão do modelo de redação. Em vez de concentrar a produção escrita em um único texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, como ocorre atualmente, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) discute distribuir diferentes tarefas de escrita pela prova, com textos de tamanhos e gêneros variados. A proposta deve ser consolidada até o fim do ano.

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As mudanças foram debatidas na última quarta-feira, em Brasília, em reunião do Inep com educadores de diferentes regiões. Segundo Raphael Kapa, da Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep) e coordenador do Colégio Andrews, uma das possibilidades apresentadas foi a criação de textos de 20, 10 e 5 linhas, distribuídos pelas áreas de Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática. Também foram mencionados gêneros textuais distintos, que não necessariamente ficariam vinculados a essas áreas.

A ideia é ampliar as habilidades avaliadas. Hoje, o candidato produz uma redação a partir de tema definido. Na proposta, a escrita poderia aparecer em diferentes momentos do exame, exigindo que o estudante adapte sua argumentação ao gênero, ao interlocutor e à finalidade de cada texto. Entre os exemplos citados por educadores estão cartas de reclamação, artigos de opinião, editoriais, manifestos, discursos públicos e resenhas críticas. Não há ainda definição sobre o formato a ser adotado.

Reforma ampla

A revisão da redação faz parte de uma reformulação mais ampla. O Inep pretende adequar o exame à BNCC e à atual política para o ensino médio. O órgão discute padronizar as quatro grandes áreas do conhecimento em quatro competências cada. A reorganização será implementada gradualmente até 2032.

Uma das mudanças discutidas é a descrição dessas competências por meio de verbos de comando, como identificar, analisar e avaliar. A intenção é deixar mais explícita a operação intelectual que o estudante deverá realizar diante de uma situação ou problema, dando maior clareza sobre as habilidades cobradas.

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Filipe Couto, professor e diretor pedagógico do Colégio pH, que participou do encontro, acredita que a mudança dará mais clareza a professores e estudantes sobre as habilidades que precisarão estudar.

O Inep também discute tornar a prova menos desgastante. Uma das estratégias é ampliar o uso dos chamados testlets, blocos de questões que compartilham um mesmo texto-base. Um único contexto pode servir a mais de uma questão, reduzindo sucessivas leituras. A metodologia já foi utilizada pelo Inep em outras avaliações e no Enem de 2025.

— O modelo testlet, que começou a ser testado no ano passado, permite que você não mutile um texto, ou seja, não coloque apenas fragmentos de texto nas questões. Assim, o candidato não se desgasta tanto ao longo da prova — afirmou Couto.

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Kapa também relacionou a mudança à necessidade de ampliar as condições para a interpretação de textos. O objetivo, segundo ele, é dar aos candidatos uma dimensão mais completa do material. No Enem de 2025, os textos utilizados na prova de Linguagens já não tinham cortes.

A discussão ocorre em um cenário de dificuldades de leitura. Segundo o Pisa 2025, divulgado neste mês, 49% dos alunos brasileiros de 15 anos atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em leitura, considerado o patamar mínimo. Pouco mais da metade ficou abaixo desse nível. Entre os estudantes mais pobres, 67% não alcançaram esse patamar; entre os mais ricos, foram 26%.

Conteúdo transversal

Outra frente de mudança envolve Matemática e Ciências da Natureza. As duas áreas poderão receber competências transversais, como relacionadas a conhecimentos e manifestações de matrizes africanas e indígenas.

— Hoje uma lei que coloca como obrigatoriedade, no ensino da educação básica, que devemos tratar de matrizes africanas e indígenas. Se decidimos como sociedade que isso é importante, então tem que aparecer no Enem também. Na Matemática, por exemplo, os alunos poderão ter que analisar os saberes matemáticos em matrizes indígenas ou africanas. Nas Ciências da Natureza, os estudantes podem precisar analisar a contribuição desses saberes africanos e indígenas na construção de conhecimento científico e tecnológico — disse Couto.

Apesar das discussões, o Inep ressalta que ainda não há definição sobre o novo formato. Em nota, afirma que pretende assegurar que, em 2028, o Enem avalie o ensino médio em alinhamento à BNCC e à Política Nacional do Ensino Médio. Os pontos específicos de implementação ainda não foram consolidados e a proposta será discutida e finalizada até o fim do ano.

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