30 de novembro de 2025
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Câmara do Rio: Comunidade escolar da 4ª CRE apresenta sugestões sobre melhorias no ensino público à Comissão de Educação em audiência externa

A Comissão de Educação da Câmara do Rio realizou, nesta sexta-feira (28/11), a quarta audiência pública externa este ano para debater melhorias da educação pública. Desta vez, o encontro foi na área da 4ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), em Brás de Pina, com representantes do Executivo, profissionais da Educação, professores, pais e alunos.

Presidente do colegiado, o vereador Salvino Oliveira (PSD) falou um pouco sobre sua trajetória iniciada na Cidade de Deus: “Tive minha vida transformada pela educação. Comecei a trabalhar muito jovem, aos 13 anos, para ajudar em casa, como pedreiro, camelô, estofador, mas sempre entendi que poderia fazer mais, criando um projeto de reforço escolar, e depois transformando-o em pré-vestibular. Em 2021, fui convidado para ser secretário da Juventude e, em quatro anos, conseguimos transformar a vida de quase 300 mil jovens”.

O parlamentar ainda falou dos desafios da educação pública, mas não esqueceu de mencionar o avanços, como nos índices do Ideb, na estrutura física das escolas, com climatização, e na contratação de mais agentes de apoio especial para as crianças. “Pelo tamanho da nossa rede, é natural ter muitos desafios, mas precisamos falar deles de maneira aberta e resolutiva. Por isso, criamos essas audiências nos territórios para ouvir a ponta sobre quais são os problemas e como juntos podemos criar as soluções”, apontou Salvino. O vereador Niquinho (PT), vogal do colegiado, também participou do encontro.

O subsecretário de Educação Hugo Nepomuceno, que representou o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, apresentou algumas políticas públicas implementadas na rede, que conta com 1.557 unidades, 55 mil profissionais e 650 mil estudantes. “Alcançamos, no fim do ano passado, 50% de adolescentes matriculados em tempo integral. Este ano, devemos alcançar o percentual de 54% e, até 2028, serão 70%”, contabilizou Nepomuceno.

O gestor ainda falou sobre os Ginásios Educacionais Tecnológicos, que nasceram como um desafio para a cidade do Rio, durante a pandemia. Até o fim de 2025, a rede deverá contar com 275. A meta em 2028 é chegar a 500 GETs. “É um trabalho de investimento para que os jovens tenham novas oportunidades. Vivemos um momento de rápidas transformações, mas estamos apostando em tecnologia com segurança”.

Sobre a evasão escolar, Nepomuceno mencionou o programa “Bora para a Escola”, que abrange mais de 10 secretarias municipais dedicadas a identificar os estudantes que estão em risco de abandonar as escolas: “Com o esforço de todos, alcançamos o número histórico de redução de 0,3%”.

Meta de alcançar 64% de alfabetizados

A coordenadora da 4ª CRE, Fátima Barros, iniciou sua apresentação citando os 13 bairros da coordenadoria, muitos localizados dentro de complexos, como o da Maré, da Cidade Alta, de Israel, Penha, Vila Cruzeiro, Manguinhos e Vigário Geral. A 1ª CRE conta com 76 unidades de Educação Infantil, 72 do Ensino Fundamental I, 35 do Ensino Fundamental II e 157 salas de recursos, que atendem 3.133 alunos. Na equipe, são 164 diretores IV, 169 adjuntos, 96 coordenadores pedagógicos e 5.495 professores.

Em relação à alfabetização, Fátima Barros afirmou que a 4ª CRE quase sempre bate os índices da rede como um todo. A meta é alcançar, em 2025, 64% de alfabetizados. Em 2024, o índice registrado foi de 58%. “A gente tem que entender que, se não tivesse esse time de diretores, não teria esses resultados. É complicado ter operação policial num dia e, no dia seguinte, estar de volta à escola. Eles precisam motivar os professores e meus diretores fazem isso com perfeição”, elogiou.

GET versus GEO

Diretora do Clube Escolar Maré, Gisele Bernardes questionou a falta de investimentos em políticas públicas, como nos Ginásios Esportivos Olímpicos (GEOs). “Por que só há investimentos nos GETs e os GEOs são esquecidos? Parece que vamos nas ondas da moda. Agora é a tecnologia, antes era o esporte. A 4ª CRE não tem um GEO, mas há uma potência absurda nas nossas crianças para despontar no esporte”.

Para Nepomuceno, não existe comparativo entre os GETs e os GEOs. “Discordo com o comparativo. O GET é uma política que, pela primeira vez, está alcançando uma quantidade muito grande de unidades escolares. O desafio é expandir o turno único e as matrículas em tempo integral e acompanhar as escolas que conseguem se transformar em GETs, que estão no planejamento da cidade para evitar a descontinuidade”.

O gestor ainda lembrou o investimento da Prefeitura do Rio na área esportiva, com a inauguração do Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, no Parque Olímpico da Barra, na Zona Sudoeste.

O morador do Complexo da Penha Isaac Castro, de 14 anos, também perguntou sobre os GETs: “Por que não há escolas em tempo integral na Vila Cruzeiro?” Segundo o subsecretário de Educação, até o fim do ano serão inaugurados na Penha sete GETs. “Eles estão com as estruturas praticamente prontas, com estudantes já utilizando os equipamentos”, revelou.

Segurança nas escolas

A comunidade escolar da 4ª CRE também questionou o subsecretário sobre a questão da segurança nas escolas e o apoio às crianças após situações traumáticas. Nepomuceno mencionou alguns protocolos criados pela gestão, como o “Acesso Mais Seguro” e a Gerência de Segurança. “O ‘Acesso Mais Seguro’ tem como foco preservar a vida dos profissionais, alunos e responsáveis e possibilitar o acesso às escolas que se encontram em áreas com ocorrência de violência armada. Temos avançado na política de segurança escolar na nossa rede, com a formação de profissionais, o treinamento constante e a produção de dados para melhorar a tomada de decisões”.

O tema segurança, de acordo com o vereador Salvino Oliveira, também vem sendo discutido pelo Parlamento carioca. “Só é possível dar uma aula de qualidade se não houver preocupação se estaremos vivos ou mortos, e as coordenadorias da Zona Norte são as que mais sofrem, com a violência invadindo os muros das escolas”. O parlamentar citou um projeto de lei de sua autoria, que tramita na Câmara do Rio, que garante uma política de apoio psicossocial aos servidores da Prefeitura do Rio, com a criação de centros de atendimento.

Também participaram da audiência pública a secretária especial da Juventude Carioca, Gabriella Rodrigues, e Ioliris Paes, assessora do vereador Salvino Oliveira.

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