27 de agosto de 2026
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Brasil vai começar a rastrear diabetes tipo 5; saiba o que é a doença

A diabetes tipo 5, associada à desnutrição, começará a ser rastreada no Brasil. A novidade surge após o reconhecimento da doença pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), em abril do ano passado, tornando ela parte de um diagnóstico formal. As primeiras regiões a participarem serão Norte e Nordeste, locais onde foram detectados a maior quantidade de casos de desnutrição e insegurança alimentar.

“A IDF dá agora visibilidade a uma condição há muito negligenciada. Precisamos identificar essas pessoas, corrigir classificações equivocadas e avançar para um tratamento mais adequado às características desse tipo de diabetes”, afirma a endocrinologista Hermelinda Cordeiro Pedrosa, vice-presidente global da IDF e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

O cenário atual é de subnotificação, e Pedrosa aponta que isso pode estar ligado ao diagnóstico incorreto, que muitas vezes chega ao paciente como diabetes 1 ou 2. E, consequentemente, devido ao tratamento não adequado, aumentam as chances de retinopatia, neuropatia e doença renal.

A nova plataforma de rastreamento será feita a partir de estudos produzidos no país pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A iniciativa surgiu de uma parceira da IDF com a SBEM, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Fiocruz. Novidade foi apresentada no Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia deste ano.

O que é a diabetes tipo 5?

Muitas vezes confundida com o tipo 1, a diabetes tipo 5 foi descrita pela primeira vez há 71 anos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas não havia entrado em documentos oficiais da IDF como parte do grupo de diabetes.

Ela se trata de um tipo de diabetes causado pela desnutrição, ou seja, pela falta de nutrição adequada em períodos-chave do desenvolvimento do pâncreas na infância. Dessa forma, pessoas com diabetes tipo 5 apresentam a capacidade reduzida de produzir insulina, apesar de o organismo continuar sensível a ela.

Para além desse sintoma, também são outros pontos associados a ela: IMC abaixo de 18,5 kg/m², diagnóstico da doença geralmente antes dos 30 anos, histórico de desnutrição na infância ou adolescência e hiperglicemia (elevação dos níveis de açúcar no sangue) intensa.

“São pessoas muito magras, com baixa reserva pancreática, mas que não apresentam a resistência à insulina típica do diabetes tipo 2 nem evidências de autoimunidade como no tipo 1. Essa combinação é um dos principais sinais para o médico investigar o diagnóstico”, explica Hermelinda.

O diagnóstico, por sua vez, é feito com combinação da história clínica e nutricional com exames como a dosagem de peptídeo C, usada para avaliar a capacidade do pâncreas de produzir insulina, e a pesquisa de autoanticorpos.

Outro ponto importante é a diferença no tratamento. Pessoas com diabetes tipo 5 não podem receber insulina em altas doses (como é necessário no tipo 1 e 2) pois, em excesso, a insulina diminui a glicemia, causando, então hipoglicemia. Já a alimentação deve ser voltada a corrigir a deficiência de nutrientes.

“A pessoa com diabetes tipo 5 produz pouca insulina, mas mantêm sensibilidade ao hormônio, eles podem precisar de insulina em baixas doses, enquanto outros podem ser tratados com medicamentos orais. Ainda não há, porém, um medicamento ou esquema terapêutico estabelecido como padrão internacional”, afirma Hermelinda.

Este tipo de diabetes afeta ao menos 25 milhões de pessoas em todo o mundo e é mais comum em países subdesenvolvidos.

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