“Brasil é o país que mais pode ofertar energia limpa“, diz Lula em inauguração de planta de etanol de 2ª geração

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da inauguração da nova planta industrial de etanol de segunda geração (E2G) da Raízen, nesta sexta-feira, 24 de maio, no Parque de Bioenergia Bonfim, em Guariba (SP). O empreendimento, que recebeu investimento de R$ 1,2 bilhão, é considerado o maior do mundo da tecnologia, com capacidade estimada de produção de 82 milhões de litros de etanol por ano, em linha com a crescente demanda global por soluções sustentáveis.

 

“E quando eu venho aqui em Guariba visitar uma planta e, aí, eu vejo que aquele monte de bagaço de cana-de-açúcar é capaz de produzir um combustível tão extraordinário que custa no mercado exterior o dobro do que custa etanol, eu fico me perguntando: o que esse país está esperando para ofertar ao mundo?”

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Presidente do Brasil

“Nós temos uma oportunidade espetacular. O mundo vai ter que entender que o Brasil é o país que mais pode ofertar qualquer política de combustível renovável e de energia limpa. Ninguém consegue competir com o Brasil. E quando eu venho aqui em Guariba visitar uma planta e, aí, eu vejo que aquele monte de bagaço de cana-de-açúcar é capaz de produzir um combustível tão extraordinário que custa no mercado exterior o dobro do que custa etanol, eu fico me perguntando: o que esse país está esperando para ofertar ao mundo?”, declarou o presidente Lula no evento de inauguração da unidade.

Em seguida, o presidente afirmou que fará propaganda do etanol de segunda geração em agendas internacionais para impulsionar a exportação do biocombustível. Lula lembrou que o potencial energético da cana-de-açúcar foi desperdiçado no país por muito tempo devido à falta de conhecimento. Por isso, expressou a sua satisfação em ver o avanço do aproveitamento do insumo.

“No dia de hoje, eu venho aqui, vou visitar um monte de bagaço que antes era jogado fora, e percebo que a nossa engenharia, os nossos pesquisadores conseguiram fazer o que nenhum país do mundo que pensa que é melhor do que nós fez. A gente consegue transformar aquele bagaço numa coisa que produz o etanol de muito melhor qualidade do que o etanol normal que a gente produzia antes, que é o etanol de segunda geração”, disse.

Lula também ressaltou o protagonismo do Brasil no processo de transição energética mundial, em um contexto de crise climática. “Vamos valorizar as coisas que nós temos porque o mundo está passando por uma fase hoje que é a questão da transição energética. Quem não acreditava pode acreditar, a questão climática é grave. A natureza está se manifestando em vários países e o aquecimento global é uma verdade. E qual é o país que tem mais possibilidade de descarbonizar o planeta do que nós?”, indagou.

EXPORTAÇÃO — O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, comunicou que irá à China na semana que vem, em comitiva com a presença da Raízen, com o intuito de viabilizar a exportação do E2G para a Ásia. “O que o mundo produz de etanol de segunda geração, aqui é produzido em 30 dias. O maior complexo de produção de etanol de segunda geração do mundo inaugurado hoje representa bem a chamada NIB — programa Nova Indústria Brasil. Inovação, sustentabilidade, competitividade, exportação e inovação”, pontuou.

Alckmin salientou que o Projeto de Lei do Combustível do Futuro, encaminhado ao Congresso Nacional pelo Governo Federal, pretende estimular a produção de etanol e outros biocombustíveis no país, para atender a demanda de substituição de combustíveis fósseis por renováveis. “Para trocar o querosene de todos os aviões do mundo, o caminho é o etanol de segunda geração, porque ele terá uma pegada de carbono menor e competitiva. Vai ter que trocar o combustível dos navios e o etanol pode levar ao e-metanol e o Brasil estar na liderança do combustível da navegação marítima. Se fala em carro híbrido e, de novo, o etanol com o elétrico. E no etanol dando hidrogênio verde através do reformador, ou seja, você põe o etanol, ele vira hidrogênio e o carro tem a sua propulsão”, argumentou.

 

 

AÇÕES DO GOVERNO — O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reforçou a importância de empreendimentos como o inaugurado nesta sexta-feira para a geração de emprego e renda de qualidade e citou ações da pasta, que já contratou R$ 60 bilhões em linhas de transmissão. “Nós vamos começar obras do extremo Norte do país ao extremo Sul, a fim de reforçar o nosso setor elétrico, para que a gente possa recepcionar mais investimentos em eólica, solar e biomassa, trazendo para o centro de carga”, declarou.

“Na semana passada, nós demos ordem de serviço para se iniciar uma obra de R$ 1,9 bilhão da Eletrobras, com dinheiro de Itaipu, fazendo o retrofit da linha de Itaipu até São Paulo. Ontem eu tive o convite para inaugurar 96 torres de transmissão que já foram colocadas de pé entre Manaus (AM) e Boa Vista (RR), interligando o último estado da Federação ao Sistema Integrado Nacional de Energia Elétrica, o que vai nos permitir avançar ainda mais com segurança energética”, completou Silveira.

 

TECNOLOGIA — O presidente da Raízen, Ricardo Mussa, destacou a importância da tecnologia, a qual considera uma das soluções para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Ele avalia que o Brasil, com a matriz energética mais limpa do mundo, tem todas as condições para liderar o processo de descarbonização global em curso. “Eu falo ‘o nosso E2G’ porque a tecnologia do etanol de segunda geração é uma tecnologia proprietária, brasileira, patenteada. Ela representa uma das maiores inovações que a gente teve no setor sucroalcooleiro e no setor de biocombustível nos últimos anos. Foram mais de 15 anos de investimentos para a gente poder estar aqui hoje e falar do etanol de segunda geração”, disse.

O etanol de segunda geração se diferencia por usar o bagaço proveniente da produção do açúcar e etanol comum para produzir mais etanol. O reaproveitamento, que também envolve ingredientes como palha e outros elementos residuais, proporciona aumento de até 50% na produção, sem aumento de área plantada, e índice 30% menor de emissão de gases de efeito estufa. Cerca de 70% dos equipamentos para o processo de transformação do E2G são produzidos no Brasil. A pegada de carbono é 80% menor que a gasolina comum.

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