2 de setembro de 2026
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Baixada Fluminense ganhará sistema de saneamento inovador que vai impedir lançamento de mais de 29 milhões de litros de esgoto por dia na Baía de Guanabara

Com investimentos superiores a R$ 300 milhões, obras em Duque de Caxias vão beneficiar 170 mil moradores e contribuir para a recuperação ambiental da Baía de Guanabara

 

Nesta terça-feira (1º), a Águas do Rio inicia uma das maiores obras de saneamento da Duque de Caxias para evitar que mais de 29 milhões de litros de esgoto, volume equivalente a 11 piscinas olímpicas, sejam despejados diariamente nos Rio Farias, que deságua na Baía de Guanabara. Com investimento de R$ 300 milhões, o chamado Coletor em Tempo Seco vai tirar o esgoto da porta de 170 mil moradores. A concessionária também inicia a implantação de 22 Km de rede subterrânea, sendo 9,8 Km de tubulações construídas com o uso de “tatuzinhos”, tecnologia amplamente utilizada em obras do metrô, que evita a necessidade de rasgar o asfalto das ruas.

 

O projeto também contempla a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Farias, 54 pontos de captação em tempo seco e onze estações de bombeamento que vão transportar o esgoto até a unidade de tratamento. A estrutura beneficiará cerca de 170 mil moradores dos bairros Parque Fluminense, Chácaras Arcampo, Pilar, Campos Elíseos, Jardim Nossa Senhora do Carmo, Cângulo, Jardim Primavera, Jardim Rosário e Saracuruna.

 

Para Samuel Augusto, diretor-executivo da Águas do Rio, a iniciativa vai representar uma transformação ambiental e social para Duque de Caxias.

 

“Cuidar do Rio Farias é cuidar das pessoas que vivem ao seu redor. Com menos esgoto nos rios e canais, a população ganha em saúde, qualidade de vida e valorização dos imóveis. A ampliação do saneamento contribui para prevenir doenças, reduzir odores e melhorar as condições ambientais”, afirma.

Ana Carolina de Souza, educadora da Creche e Pré-Escola Susana Naspolini, em Campos Elíseos, Duque de Caxias, acompanha de perto os impactos da falta de saneamento na rotina escolar. A unidade fica próxima a um canal que já transbordou em períodos de alagamento, situação que aumenta a preocupação de profissionais e famílias com a saúde das crianças.

 

“Quando a falta de saneamento está tão próxima de uma escola, a preocupação é permanente. Temos um canal perto da unidade que já transbordou em períodos de chuvas intensas e já recebemos relatos de alunos com gastroenterite e problemas de pele. Estamos falando de crianças pequenas, que deveriam ter garantido um ambiente seguro para aprender e se desenvolver. Investir em saneamento é também investir na saúde dessas crianças, na tranquilidade das famílias e em melhores condições para toda a comunidade”, destaca Ana Carolina.

“Tatuzinhos” entram em ação na Baixada
Parte significativa das novas redes de esgoto de Caxias será instalada com tatuzinhos, equipamentos que avançam pelo subsolo enquanto implantam as tubulações. A tecnologia, também usada na construção de linhas de metrô, dispensa a abertura de grandes valas nas ruas e reduz os impactos da obra para moradores e motoristas.

A solução permite executar uma obra de grande porte preservando a rotina de quem vive e circula pela região. Com menos intervenções nas vias, a Águas do Rio consegue ampliar a infraestrutura de saneamento com mais agilidade e menor impacto no dia a dia da população.

Baía de Guanabara em plena recuperação
As obras da Águas do Rio nos município de Duque de Caxias integram um conjunto de investimentos voltados à ampliação da coleta e do tratamento de esgoto na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que tem entre as principais metas a recuperação da Baía de Guanabara.

O primeiro Coletor em Tempo Seco da Baixada Fluminense entrou em operação em fevereiro de 2025, no município de Mesquita, com a capacidade para interceptar e encaminhar para tratamento mais de 15 milhões de litros de esgoto por dia. Antes da implantação, toda essa carga era despejada diretamente nos rios Dona Eugênia e Sarapuí.

Até 2033, a concessionária do grupo Aegea prevê um investimento de R$ 19 bilhões em saneamento nas 27 cidades do estado onde atua. Desse total, R$ 2,7 bilhões serão destinados à expansão dos coletores em tempo seco, capazes de impedir que cerca de 1,3 bilhão de litros de água contaminada com esgoto por dia cheguem à Baía de Guanabara. A expectativa é beneficiar aproximadamente 10 milhões de pessoas e acelerar a recuperação ambiental desse importante ecossistema.

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