Ação reproduz nas areias da praia o memorial erguido no local onde ocorria a festa de música eletrônica e lembra os três brasileiros assassinados
Para marcar os três anos do ataque do Hamas ao sul de Israel, a praia de Ipanema recebe nesta quarta-feira (7) uma homenagem às vítimas do Festival Nova. No Posto 10, foi reproduzido o memorial montado no local onde ocorria a festa de música, em que cada vítima é lembrada com 397 placas contendo fotografias das pessoas assassinadas e flores que simbolizam memória, luto e resiliência.
No espaço, também há uma faixa com a mensagem “6:29 – O momento em que a música parou”. Entre as vítimas brasileiras estão: Bruna Valeanu, Karla Stelzer Mendes e Ranani Glazer. A homenagem também é um gesto de memória a eles e às suas famílias.
A iniciativa é da StandWithUs Brasil, instituição sem fins lucrativos que atua na área de educação sobre Israel e no combate ao antissemitismo.
Ao
DIA, Deborah Chammah, diretora de Educação do instituto, destacou que o massacre de 7 de Outubro foi o maior cometido desde a criação do Estado de Israel.
!Aquele dia aconteceu o Festival Nova, que é uma rave, a versão israelense do Universo Paralelo, que é uma festa que acontece aqui no Brasil. Lá, havia mais de 3.500 jovens que celebravam a paz e o amor. Então, entraram terroristas do Hamas e brutalmente massacraram e mataram as pessoas que estavam lá.!
Deborah frisou ainda o intuito da homenagem: “Foi feito em Israel, na floresta de Reim, que é justamente o local onde aconteceu o Nova, um memorial com placas com as fotos de todo mundo que foi assassinado no festival. Nosso intuito aqui é justamente replicar esse memorial três anos depois, para que o mundo se lembre do que aconteceu. A gente está em Ipanema e quer que os cariocas, que a sociedade brasileira como um todo, veja o que aconteceu, olhe de fato para o rosto desses jovens que foram brutalmente assassinados. Que não se esqueçam deles e vejam eles como seres humanos, acima de tudo, como pessoas que buscavam o amor, que buscavam a paz e que, por irem a uma festa, foram assassinadas”, reforçou.
Quem eram os brasileiros?
Bruna Valeanu, 24 anos, era natural do Rio de Janeiro. Ela se mudou para Israel em 2015 e morava com a mãe, Roza Valeanu, também carioca, na cidade de Petah Tikva, a cerca de 10 quilômetros de Tel Aviv.
Karla Stelzer Mendes também nasceu no Rio e tinha cidadania israelense. Ela morava no país com o namorado, com quem mantinha um relacionamento havia seis anos, e tinha um filho de 19 anos, que servia ao Exército israelense.
Ranani Glazer, 24 anos, era natural do Rio Grande do Sul, mas morava em Tel Aviv havia sete anos. Ele também tinha cidadania israelense e chegou a servir ao Exército do país. O serviço militar é obrigatório em Israel, mas cidadãos podem solicitar dispensa.
Entenda
Em 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas invadiram o sul de Israel, mataram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram 251. No Festival Nova, que reunia milhares de jovens para celebrar a música e a paz, 378 pessoas foram assassinadas. Outras 44 foram levadas como reféns. Dessas, 19 morreram no dia do ataque ou posteriormente, em cativeiro.
Israel faz homenagem
Em Reim, onde ocorria o Festival Nova, familiares das vítimas fizeram um minuto de silêncio às 0h29, no horário de Brasília (6h29 no horário local) desta quarta-feira (7), momento em que começou o ataque a partir da Faixa de Gaza.
Naquela manhã, durante um feriado judaico, centenas de combatentes palestinos cruzaram a fronteira de Israel após o lançamento de uma intensa salva de foguetes a partir de Gaza. Armados com fuzis e granadas, eles atacaram comunidades agrícolas, delegacias e bases do Exército israelense.