29 de setembro de 2026
Médio ParaíbaNotíciasNotícias 24hsVolta Redonda

Atenção Primária leva atendimento domiciliar a moradores de áreas rurais de Volta Redonda

 

Equipes das UBSFs atendem pacientes com dificuldade de locomoção e de localidades de difícil acesso, garantindo cuidado próximo de casa

O atendimento da Atenção Primária à Saúde de Volta Redonda também chega às áreas rurais e de difícil acesso do município. Por meio das unidades básicas de Saúde da Família (UBSFs), as equipes realizam visitas domiciliares para garantir acompanhamento médico a moradores que enfrentam dificuldades de locomoção, dependem de transporte ou vivem em locais mais distantes da unidade.

Cerca de 500 pessoas que vivem em áreas rurais estão cadastradas na UBSF Roma II. Atualmente, aproximadamente dez pacientes recebem atendimento em casa, entre pessoas acamadas ou com dificuldade de deslocamento. Esse número pode mudar conforme a necessidade identificada pelos profissionais de saúde.

As visitas são realizadas por uma equipe formada por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, agente comunitário de saúde e residentes. Durante as visitas, os profissionais conseguem realizar avaliação clínica, aferição de sinais vitais, avaliação pediátrica, curativos e vacinação. A equipe também pode levar medicamentos que estejam disponíveis na unidade, desde que o paciente possua a receita, além de receituários e resultados de exames. Quando há necessidade de atendimento com especialista, o encaminhamento é realizado pela unidade.

Atendimento que chega até o paciente

Um dos moradores acompanhados pela UBSF Roma II é Nelson Maria da Mata, de 57 anos. Ele recebe visitas da equipe e utiliza diversos serviços oferecidos pela unidade. Durante uma das visitas, os profissionais também fizeram o acompanhamento de seu neto, Pedro Henrique, que tem apenas um mês de vida.

A médica da UBSF Roma II, Jéssica da Cruz Benício, explica que o acompanhamento domiciliar é realizado de acordo com a necessidade de cada paciente e pode ocorrer mensalmente ou em intervalos maiores.

“Realizamos acompanhamento do Sr. Nelson e da família de forma mensal ou a cada três meses, dependendo da necessidade. O Sr. Nelson apresentou hoje uma queixa de síndrome respiratória e a gente faz esse acompanhamento e monitoramento por causa da distância da unidade básica até aqui. Para a gente, fica muito mais fácil trazer o atendimento até o paciente, porque ele não fica sem a assistência e o cuidado. Esse é o objetivo do SUS (Sistema Único de Saúde) e do atendimento rural: trazer o atendimento médico e o cuidado até o paciente que tem mais dificuldade”, afirmou.

Para Nelson, ter a equipe de saúde próxima faz diferença, principalmente por causa da distância e da dificuldade de deslocamento. Ele conta que utiliza serviços como consultas e exames e que, quando é necessário um atendimento especializado, recebe o encaminhamento pela própria unidade.

“O atendimento é muito bom, seja aqui em casa, seja no postinho, a equipe toda é muito boa, todas são muito atenciosas. Eu faço exame de sangue, urina, fezes, eletrocardiograma, consultas em geral. Quando eles não podem atender no postinho, a doutora encaminha para a Policlínica, tudo muito bem planejado”, afirmou.

Nelson também destaca a importância das visitas para o acompanhamento da família. Segundo ele, em uma ocasião, a presença da equipe foi fundamental para identificar que o neto, ainda recém-nascido, precisava de atenção.

“Elas fazem as visitas. Inclusive, se elas não tivessem vindo, a criança tinha morrido no outro dia, porque ele estava sugando, mas não estava mamando. Já estava todo molinho e a gente não sabia por quê. Foi muito importante a visita delas. É um trabalho muito bacana que elas fazem”, contou.

Segundo a enfermeira e gerente da UBSF Roma II, Isabella Blachessen, a unidade também acompanhou o pré-natal da filha do Sr. Nelson e manteve o cuidado conjunto com a rede especializada, diante da necessidade de atendimento de alto risco.

“Nós realizamos vários tipos de atendimento, entre eles, o pré-natal, que a Jéssica realizou na unidade. Por ser um pré-natal de alto risco, por conta do histórico de crises de epilepsia, ela também foi encaminhada para o pré-natal de alto risco na Policlínica da Mulher, e a gente fez esse acompanhamento conjunto. Agora nós realizamos o acompanhamento da criança, do Pedro Henrique, que hoje tem um mês, e realizamos as consultas de puericultura”, explicou.

Apoio contra o vício

Outra moradora da área rural que utiliza os serviços da UBSF Roma II é Marina Ramos, de 65 anos. Acompanhada pela filha em uma consulta, ela conheceu o programa de tratamento para tabagismo oferecido pela unidade e decidiu participar. Com o acompanhamento da equipe, conseguiu parar de fumar.

“Graças a Deus eu consegui parar. Foi difícil, mas consegui. Meu neto falava: ‘Vó, para de fumar’, e eu nunca consegui. Hoje em dia eu choro de alegria, porque consegui”, contou Marina.

A médica residente Vivian Magalhães, que acompanha a paciente, conta que Marina já demonstrava vontade de abandonar o cigarro quando foi apresentada ao programa.

“Ela é uma paciente muito especial, dedicada, com uma força de vontade muito grande. Desde o começo, fez tudo direitinho. A gente conversava bastante e ela falava sempre como estava se sentindo e como estava se adaptando ao uso dos medicamentos. Agora ela conseguiu cessar totalmente o uso do cigarro há algumas semanas, e a gente fica muito feliz e orgulhosa dela”, afirmou.

Para Marina, o tratamento também trouxe mudanças percebidas no dia a dia. “Hoje em dia eu sinto o cheiro do perfume, do creme que eu uso. Antes eu não sentia nada. O tratamento foi muito bom, ela explicava, conversava e orientava o que a gente podia fazer quando tivesse vontade de fumar”, relatou a paciente, citando o cuidado da médica.

Além do programa de tabagismo, Marina utiliza outros serviços da unidade e também recebe as visitas domiciliares. “Eu faço tudo no postinho, exame, consulta. Não tenho nada a reclamar do postinho, sempre sou muito bem atendida. É muito bom quando elas vêm aqui em casa, porque aqui é muito difícil por causa do horário do ônibus. Já tem tudo aqui e a gente não precisa ficar se deslocando”, disse.

“A Atenção Primária tem um papel fundamental na organização do cuidado e na garantia de acesso à saúde para toda a população. Nas áreas rurais e de difícil acesso, esse trabalho ganha ainda mais importância, porque precisamos considerar a realidade de cada comunidade e encontrar formas de aproximar os serviços dos moradores. As visitas domiciliares permitem que nossas equipes acompanhem de perto quem mais precisa, fortalecendo a prevenção, o diagnóstico e o cuidado contínuo. É esse olhar humanizado e próximo que queremos fortalecer cada vez mais na rede municipal de saúde”, afirmou a secretária municipal de Saúde, Márcia Cury.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *