22 de maio de 2026
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Assistência Social de Belford Roxo promove seminário sobre Prevenção e Conscientização sobre Abuso Sexual Infantil

Depois de uma programação extensa e intersetorial, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc) de Belford Roxo, encerrou na última quinta-feira (21/05) a série de eventos pelo 26º ano da Campanha de Mobilização Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O Seminário Maio Laranja, Prevenção e Conscientização do Abuso Sexual Infantil, foi realizado na Igreja Batista de Heliópolis, Rua Madame Mariana, 116, das 9h às 13h. Profissionais nas áreas de Assistência Social, Saúde e Educação, lotaram as galerias da congregação.

Uma encenação teatral, representada por funcionários da Semasc que atuam junto ao Serviço de Convivência e Fortalecimentos de Vínculos (SCFV) dos 15 CRAS em funcionamento no município, chamou a plateia para reflexão sobre “sinais” que, geralmente são demonstrados por crianças vítimas de violência, despercebidos pelos adultos. Com o slogan “Faça Bonito”, o movimento desencadeou a partir do caso Araceli. A menina Araceli Cabrera Sanchez Crespo, de oito anos de idade, assassinada em 18 de Maio de 1973. Seu corpo foi encontrado seis dias depois, desfigurado por ácido e com marcas de violência e abuso sexual.

Crescer sem medo

Antes do início do seminário, a subsecretária de Assistência Social Letícia Guimarães, que representou o secretário titular, Diogo Bastos, disse que a campanha precisa ser ativada no dia a dia de cada pessoa. “É um movimento muito importante que não deve ser lembrado, apenas em datas específicas. Os fatos acontecem todos os dias e necessitamos estar atentos e preparados em ações preventivas para que a criança cresça sem medo”.

A secretária Especial de Ensino, Fernanda Romero, representou a Secretária Municipal de Educação, Sheila Boechat e a Gerente da Divisão de Atenção Integral à Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente (DAISMCA), Cristiane Martins, representou o secretário municipal de Saúde, Eduardo Feital. Em uma parceria com as Secretarias de Saúde e Educação, a Semasc desenvolveu, durante a semana, a campanha junto aos alunos de 12 escolas da rede municipal. O professor Robson Passos, músicoterapeuta, tocou e cantou durante o evento, contagiando os participantes.

 

 

Violação de direitos

Primeira palestrante do seminário, Letícia Diniz, pedagoga e mestra em Educação e Coordenadora do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro (SEDSODH), abordou a diferença entre abuso e exploração sexual em crianças e adolescentes. “A exploração sexual é quando há lucro financeiro”, definiu, citando vários exemplos à plateia, existentes na prostituição de menores, nas redes sociais e no tráfico.

A coordenadora do PETI disse ainda que a exploração do trabalho infantil também tem abuso envolvido, mesmo sem a prática sexual. “Piores formas de trabalho infantil, de cunho criminoso que atrapalha o desenvolvimento físico e psicológico da criança. No Estado do Rio de Janeiro há 23 municípios que desenvolvem o do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) , com programas e ações educativas e preventivas e Belford Roxo é uma dessas Cidades”, destacou Letícia.

Conselhos atentos

O presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA), o advogado Elesson Peres e a presidente do Conselho Tutelar, Marta Therto, também palestraram no evento. Ambos chamaram atenção para o comportamento das crianças violentadas que sempre emitem sinais, muitas vezes despercebidos pelos adultos, “O infrator é sempre alguém próximo como pai, padrasto, tios, vizinho. Mas não sigam sempre essa regra, em alguns casos, o estupro de vulnerável é praticado por mulher. É importante estar atento. Cada denúncia salva vidas”, destacou Elesson. 

Superintendente da Proteção Social Especial da Semasc e responsável pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Maria Célia Vasconcelos de Souza, ressaltou que a Rede Mãos Dadas, uma parceria com as secretarias de Educação e saúde tem fortalecido às ações no município. “O auditório aqui lotado é resultado disso”, afirmou. “Formamos uma comissão intersetorial e nos reunimos mensalmente, com propostas discussões e elaboração de projetos. A comissão é mais um canal de ações e comunicação. Vamos ficar atentos e denunciar. Disque 100”, disse Célia.

Panorama municipal

Cristiane Martins, representante da Secretaria Municipal de Saúde, levou números ao seminário e apresentou o panorama municipal sobre a quantidade de casos de violência sexual, atendidos na Policlínica de Especialidades de Atenção à Criança e ao Adolescente (PEACA), utilizando a Fonte de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN NET). De acordo com o relatório, no ano passado foram realizados 91 atendimentos de abuso e violência sexual. De janeiro até o mês de maio) 26 casos receberam atendimento. A faixa etária varia de 5 a 14 anos.

“Ouvir com atenção pode ser o primeiro passo para proteger, através da Escuta Ativa. É necessário ter um olhar atento para observar sinais, mudanças de comportamento e situações de risco A atuação em redes intersetoriais também é importante para fortalecimento e ampliação de resultados, como ensinar, orientar e acompanhar o uso da internet feito por crianças. São dicas importantes no dia a dia de cada um de nós”, afirma Cristiane Martins.