19 de agosto de 2026
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Alunos da Escola Firjan SENAI SESI Petrópolis se destacam com projeto que visa fortalecer a prevenção de desastres socioambientais

Projeto premiado atraiu o interesse de pesquisadores e estudantes ligados a instituições internacionais

Fortalecer a cultura de prevenção e mitigação de desastres socioambientais, por meio do maior acesso aos instrumentos de monitoramento de riscos. Esse é o objeto de pesquisa dos alunos do Ensino Médio da Escola Firjan SENAI SESI Petrópolis, que desenvolveram um pluviômetro cujo diferencial é o baixo custo do equipamento. Com o projeto “Previsão de deslizamentos e mobilização social para aprimorar o sistema de alerta: uma articulação entre universidade, poder público e comunidades em situação de risco”, os alunos criaram um protótipo do aparelho cujo valor de mercado seria 30 vezes mais barato que os convencionais. Premiada em 2025, a iniciativa chamou a atenção de um grupo de 40 pesquisadores de instituições do Brasil, Índia e Noruega, que foram conhecer de perto o trabalho.

O projeto, desenvolvido a partir da parceria entre a escola e o Laboratório de Geo-Hidroecologia e Gestão de Riscos da UFRJ (GEOHECO/UFRJ), tem o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) por meio de edital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e é voltado para a prevenção de desastres relacionados a eventos meteorológicos extremos. O grupo de 8 alunos, que faz parte do grupo de robótica da Escola Firjan SENAI SESI Petrópolis atuantes na área de geografia, participou de oficinas de Educação para Redução de Riscos de Desastres (ERRD)em que aprofundaram os estudos sobre percepção de risco, mudanças climáticas, sistemas de alerta e alarme, rotas de fuga, pontos de apoio e medidas de autoproteção.

“O que podemos ver com esse trabalho é o protagonismo dos nossos alunos. Com esse projeto são exercitadas várias competências e habilidades, envolvendo as diversas áreas de conhecimento. Tivemos a oportunidade de termos não só o resultado acadêmico, mas também social. Estamos formando cidadãos para a vida, contribuindo para o fortalecimento de valores”, destacou a diretora da Escola Firjan SESI Petrópolis, Bianca Esteves, explicando que, para desenvolver o trabalho, os alunos realizaram, além do trabalho científico, pesquisa de campo para que compreendessem os riscos existentes no território.

Os alunos foram orientados a buscar ferramentas e aplicativos acessíveis que contribuíssem para o desenvolvimento do trabalho. Com uma das ferramentas os alunos fizeram o mapeamento das áreas vulneráveis e a elaboraram estratégias para aumentar a segurança nas localidades. O grupo também atuou no monitoramento ambiental e hidrológico. Em uma área de encosta nos fundos da unidade escolar, os alunos instalaram sensores de sucção do solo e um pluviômetro automático para analisar os riscos de deslizamentos.

Uma das integrantes do grupo, a aluna Laura da Silva Xavier, de 17 anos, destaca o valor do projeto não só para o aprendizado, mas para a sociedade. “Poder contribuir com a cidade é muito importante. Estamos fazendo mais que um trabalho de escola, de robótica ou geografia. Estamos ajudando a salvar vidas e isso nos emociona. Conseguir levar esse instrumento, que seria algo muito caro para as comunidades, é gigantesco”, enfatizou a aluna.

Para o diretor substituto do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), Pedro Camarinha, o trabalho tem grande potencial de contribuição com instituições que atuam no monitoramento e prevenção de desastres. A criação de um pluviômetro de baixo custo é fundamental para a expansão dos trabalhos, visto que atualmente o equipamento tem um custo aproximado de R$ 30 mil. “Saber que projetos como esse estão sendo desenvolvidos nos traz esperança de que poderemos em breve conseguir acessar tecnologia de baixo custo, que vai interferir positivamente no nosso trabalho e melhorar o monitoramento e conhecimento dos riscos locais”, enfatizou Camarinha, ressaltando que o pluviômetro criado pelos alunos tem um custo 30 vezes menor.

coordenadora do Laboratório de Geo-hidroecologia e Gestão de Riscos (GEOHECO) da UFRJ, Ana Luiza Coelho Netto, enfatizou a capacidade do projeto em contribuir para a ampliação do monitoramento de áreas de risco. “Mais do que o equipamento, nos impressionou ver o entusiasmo e a seriedade com que os alunos têm trabalhado no projeto, que amplia a capacidade de resolução de um problema grave, não só para Petrópolis, mas para as cidades da Região Serrana”, destacou a especialista, enfatizando que o trabalho dos alunos não termina com o pluviômetro. De acordo com Ana Luiza, o próximo passo será o desenvolvimento de um equipamento para auxiliar na verificação da umidade do solo.

Para a construção do protótipo do pluviômetro de baixo custo, os alunos foram preparados com formação tecnológica, oferecida em parceria com a Casa Firjan. Utilizando a estrutura do FabLab da escola, os alunos recebem capacitação em Arduino, ESP32, impressão 3D, corte a laser e eletrônica. O trabalho conquistou o 1º lugar na categoria Desenvolvimento Tecnológico da Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro (FECTI 2025),na Mostra Nacional de Robótica (MNR) 2025.

O resultado teve a aprovação de especialistas, pesquisadores e estudantes de pós-graduação ligados ao projeto NATRISK (Enhancing risk management and resilience to natural hazards in India, Brazil and Norway). Uma parceria científica entre Brasil (com pesquisadores da Coppe/UFRJ), Noruega e Índia focada em mitigação de desastres naturais, estabilidade de encostas e sistemas de alerta.