24 de outubro de 2026
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Alvos de vandalismo, vitrais da Igreja da Candelária são restaurados

Peças históricas foram recuperadas após danos causados por pedradas, umidade e poluição; ainda não há data definida para a reinstalação

A Igreja de Nossa Senhora da Candelária, localizada no Centro do Rio, concluiu a etapa de restauração dos vitrais históricos. Agora, segundo responsáveis pelo projeto ouvidos pelo O DIA, os trabalhos estão concentrados na confecção das estruturas de proteção que serão instaladas diante dos painéis. A iniciativa busca não apenas recuperar as peças, mas também garantir sua preservação a longo prazo, reduzindo os riscos de novos danos provocados por vandalismo, poluição e umidade.

Ao todo, foram restaurados três vitrais, cada um composto por 39 painéis. Embora todas as peças já tenham sido restauradas, elas permanecem guardadas enquanto são confeccionadas as novas esquadrias e as estruturas de proteção. Ainda não há uma data definida para a reinstalação.

O secretário da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária, Justino Carvalho Neto, reforça a importância dos vitrais da Candelária para a cultura fluminense.

“A importância histórica e artística desses vitrais para a cultura do Rio é inestimável. Eles compõem o conjunto da Candelária como um todo. Isso é uma riqueza inestimável que a cidade do Rio de Janeiro tem. A Igreja da Candelária, como um todo, foi edificada em função de uma promessa feita por um casal de imigrantes espanhóis que sofreu um naufrágio. Eles prometeram erguer uma capela em homenagem à Candelária caso sobrevivessem. E assim foi”, conta o secretário.

Segundo o gerente de Arqueologia do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), Helder Viana, o processo de restauração foi além da recuperação das peças e vem sendo realizado há três anos.

“Há cerca de três anos, a Candelária entrou em contato conosco para resolver o problema dos vitrais, que sofriam danos havia mais de 30 anos, inclusive por causa de pedradas”, conta.

“O projeto não é só um projeto de restauração, mas de conhecimento. A intenção é que esse conhecimento fique com a gente e que esses profissionais o utilizem. Por isso, o projeto inclui cinco frentes: a restauração dos vitrais, um seminário internacional, um curso de extensão em conservação e restauro, uma exposição e a publicação de um livro”, afirma Helder.

Proteção dos vitrais

Para proteger os vitrais restaurados após a instalação, o projeto prevê a montagem de uma vidraça de vidro laminado duplo. A nova estrutura será posicionada cinco centímetros atrás da esquadria original, mantendo os painéis protegidos contra pedradas e outros agentes externos.

“A proteção também foi pensada para reduzir os danos causados pela umidade e pela condensação. Entre a vidraça de proteção e o vitral, haverá um espaço com as laterais fechadas, mas com aberturas na parte superior e inferior. Isso criará um efeito chaminé: quando o ar aquecer, subirá, promovendo a circulação e evitando o acúmulo de umidade”, explica o gerente de Arqueologia do IRPH, Helder Viana.

Segundo ele, os vitrais já sofreram ataques de pedradas em diferentes ocasiões.

“Fotografei os vitrais em 2015 e, três meses depois, ocorreram novos danos. As imagens feitas antes desses episódios ajudaram no trabalho de restauração. Por isso, é fundamental saber como realizar corretamente os procedimentos de conservação e restauro. No caso da Candelária, podemos dizer que aproximadamente metade dos problemas está relacionada à umidade, à condensação e à poluição, enquanto a outra metade decorre das pedradas”, conta Helder.

Obras de arte centenárias

Concebidos no fim do século XIX, os vitrais da Candelária foram produzidos em 1898 pela tradicional oficina F. X. Zettler, em Munique, na Alemanha. As peças são consideradas um dos mais valiosos conjuntos de bens integrados do patrimônio nacional.

Além do valor artístico, os vitrais se destacam pela riqueza de detalhes e pela contribuição para a identidade visual e arquitetônica da igreja. As obras retratam cenas religiosas e integram a composição do templo, criando efeitos de luz e cor que transformam o ambiente interno. Produzidas por uma oficina europeia de reconhecida tradição, as peças também ajudam a contar parte da história da arte sacra e da influência artística europeia no Brasil no final do século XIX.

Justino Carvalho Neto, secretário da Irmandade, destaca que o projeto contou com o apoio da fábrica alemã responsável pela produção original dos vitrais. Além de técnicos do Instituto Federal do Amazonas (IFAM) e do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), a iniciativa também envolveu especialistas vindos da Alemanha, que contribuíram para a troca de conhecimentos e o aprimoramento das técnicas de restauração.

Além das instalações para preservar as obras, Helder também reforça que a conscientização é fundamental.

“Buscamos conscientizar as pessoas sobre a importância dessas obras. Quando entendemos que estamos diante de uma obra de arte e de um elemento importante para conhecer nossa história, passamos a valorizar sua preservação”, pontua.

“A divulgação dessas informações contribui para que as pessoas compreendam a importância do patrimônio e se sintam responsáveis por preservá-lo. A Candelária mantém um programa de visitação e recebe visitantes brasileiros e estrangeiros. Mostrar e explicar essas obras também é uma forma de prevenção”, conclui.