4 de outubro de 2026
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Polícia prende advogada suspeita de desviar dinheiro de idosa falecida

Policiais civis prenderam, em flagrante, uma advogada por ocultar documentos de uma idosa, de 90 anos, já falecida, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio. A prisão, convertida em preventiva neste sábado (3), aconteceu em meio a uma investigação sobre o desvio de dinheiro da vítima.
Segundo investigações da 37ª DP (Ilha do Governador), Jéssica Cabral Barradas era vizinha da vítima, que recebia pensão militar e benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em 2014, a Justiça do Rio nomeou a advogada como curadora e ela passou a administrar os interesses e o patrimônio da idosa.

Os recursos deveriam ser utilizados em benefício da pensionista. As apurações, entretanto, identificaram transferências da conta da vítima para a conta pessoal da advogada e movimentações que continuaram depois da morte da idosa.

De acordo com a apuração, seis dias após o óbito, uma quantia saiu da conta da falecida para a de Jéssica, ocorrendo também um saque de dinheiro. No ano seguinte à morte, foram identificadas compras com o cartão da vítima.
Na última sexta-feira (2), agentes estiveram na residência da advogada, no Cacuia, na Ilha do Governador, para cumprir um mandado de busca e apreensão.

No apartamento, os policiais encontraram a certidão de óbito e a carteira de identidade original da idosa, que morreu em julho de 2019. A corporação informou que o filho da vítima cobrava a devolução dos documentos havia sete anos, mas a advogada alegava que estavam “guardados em caixas”. A mulher teria enviado fotos dos papéis, indicando que sabia onde estavam, mas continuou sem devolvê-los. o herdeiro precisou obter uma segunda via da certidão de óbito, em 2023, para conseguir acionar o seguro de vida a mãe.

Além dos documentos da idosa, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, joias e talheres banhados a ouro. Na delegacia, o filho reconheceu os talheres e um relógio como pertencentes à mãe. As peças da família já haviam sido descritas por ele em depoimento anterior.

Durante a busca, acompanhada por representantes da seccional Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ), as equipes localizaram o celular de Jéssica escondido no ralo do banheiro. De acordo com os policiais, ela teria colocado o aparelho no local para impedir sua apreensão, autorizada pela Justiça.

A mulher foi autuada em flagrante por ocultação de documento público. Ela já responde por 12 crimes de apropriação de rendimentos de pessoa idosa, dois furtos qualificados mediante fraude e duas falsidades ideológicas.

Prisão preventiva

Neste sábado (3), Jéssica passou por audiência de custódia, onde teve a prisão em flagrante convertida para preventiva.
Em sua justificativa para a decisão, o juiz Danilo Nunes Cronemberger Miranda destacou que há um risco de reiteração dos delitos, que há necessidade de preservar a investigação e que existe o perigo de intimidação da vítima.
A decisão considerou um histórico relacionado a uma investigação de coação no curso do processo e a proximidade da suspeita com a família da idosa.
Miranda ainda reconheceu a legalidade do flagrante, rejeitou o pedido de soltura apresentado pela defesa da advogada e afastou a alegação de que a prisão estaria relacionada ao exercício da advocacia.
A reportagem ainda não localizou quem faz a defesa de Jéssica. O espaço está aberto para manifestação.

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