4 de outubro de 2026
DESTAQUENotíciasNotícias 24hs

Arquivo Nacional e Museu da Imagem e do Som fazem campanhas para receber aparelhos de videocassete e filmes em DVD

A tecnologia do passado também pode servir às novas gerações. Com o objetivo de preservar a memória do audiovisual, duas importantes instituições lançaram campanhas que despertaram grande interesse do público. O Arquivo Nacional pediu doações de antigos aparelhos de videocassete, enquanto o Museu da Imagem e do Som (MIS) mobilizou as pessoas para que entregassem DVDs fora de uso para enriquecer seu acervo. O resultado surpreendeu com interessados que colaboram de todos os cantos do país.

— As pessoas querem se desfazer desse material que têm em casa, muitas vezes não sabem o que fazer com ele e acabam jogando fora — argumenta Cesar Miranda Ribeiro, presidente da Fundação MIS.

A instituição já arrecadou cerca de 500 títulos. Mas a ideia não é deixar os disquinhos esquecidos nas prateleiras. Pelo contrário. Lá, eles ganharão uma vida nova e ficarão à disposição do público, agregados à coleção cheia de raridades das décadas de 1930 e 1940 que pertencia ao ator José Wilker (1944-2014) e doada ao museu há dois anos. São mais de 4.500 filmes nacionais e estrangeiros.

A campanha do MIS faz parte do processo de revitalização da Sala Glauber Rocha, no prédio da Praça Quinze, onde são exibidos clássicos da sétima arte, em sessões com entrada gratuita que atraem cinéfilos e estudantes de cinema, em sua maioria. Para assistir aos filmes em DVD, também sem custo, basta marcar horário no site do MIS.

Excedente será doado

As cópias para doação precisam ser originais e devem ser levadas à sede da Lapa (Rua Visconde de Maranguape 15). Elas passam por uma curadoria, e as que estiverem em duplicata serão distribuídas para instituições no interior.

A campanha para doações de aparelhos de videocassete do Arquivo Nacional, que vai até meados de novembro, já recebeu mais de 300 ofertas vindas de todas as regiões do país. Devido à distância, a instituição conseguiu buscar ou receber até agora cerca de cem equipamentos de doadores do Rio. Eles vão passar por revisão do técnico Hamilton Alves para serem colocados em funcionamento. Os que não tiverem conserto vão ser submetidos ao processo de canibalização, ou seja, peças serão retiradas para reaproveitamento.

— Fizemos a campanha porque nossos videocassetes pararam de funcionar quase ao mesmo tempo, em maio, e precisamos deles para digitalizar o conteúdo dos acervos em formato VHS — explica Cadu Marconi, chefe do Serviço de Reformatação de Documentos Audiovisuais e Sonoros.

Ele acrescenta que a instituição recorreu a esse tipo de campanha devido à dificuldade jurídica para adquirir equipamentos de segunda mão. O acervo que precisa ser digitalizado é composto por cerca de dez mil fitas com filmagens produzidas por pessoas físicas e instituições públicas e privadas, cobrindo diversos aspectos da sociedade brasileira nos anos 1980 e 1990, época em que o formato VHS viveu o seu auge. Há também muitas imagens de greves, de eventos religiosos e esportivos e até mesmo do cotidiano doméstico, mas que são importantes como retrato de uma época.

— Como muitas famílias ainda guardam esses aparelhos em quartinhos e cantos de suas casas, procurando algum fim útil para eles, a campanha foi um sucesso — comemora Marconi, que planeja mapear instituições pelo Brasil que precisem desses equipamentos para destinar o excedente.

O encerramento da campanha será em 18 de novembro, durante o festival Arquivo em Cartaz, com uma mesa de debates dedicada à velha mídia. O tema será “O futuro do passado magnético: memórias em VHS”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *