25 de setembro de 2026
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Estupro coletivo em Copacabana: MPRJ pede condenação dos acusados

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu à Justiça a condenação dos quatro homens acusados de envolvimento no estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A informação foi obtida com exclusividade pela Globonews.

A sentença será proferida após a apresentação das alegações finais das defesas dos réus. O processo, que tramita em sigilo por envolver menores de idade, está na fase final. Vitor Hugo Simonin, João Gabriel Bertho, Matheus Veríssimo Martins e Bruno Allegretti estão presos desde março deste ano. Todos negam as acusações e afirmaram que a relação sexual foi consensual.

Defesa de um dos acusados questiona vazamento

O advogado Ângelo Máximo, que integra a defesa de Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, disse considerar absurda a ocorrência de vazamento de informações de processo que tramita sob segredo de justiça. “Este advogado já apresentou duas reclamações ao Juízo responsável pelo processo a respeito de vazamentos anteriores. Na ocasião, o nobre magistrado deixou a entender que aqueles episódios teriam ocorrido no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Agora, ocorreu novo vazamento de informações do processo, de forma ainda mais grave, com a divulgação de imagens e áudios dos acusados, além de trechos de seus respectivos interrogatórios”, disse em nota.
Máximo afirmou que acionou a Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional do Rio de Janeiro — para acompanhar o caso e adotar as medidas que entender cabíveis diante dos vazamentos.

Relembre o caso de estupro coletivo

O estupro coletivo teria acontecido na noite do dia 31 de janeiro, em Copacabana. Segundo a vítima, ela recebeu uma mensagem de um colega da escola, com quem já teve um relacionamento anteriormente, a convidando para ir à casa de um amigo. Ao chegar ao prédio, o rapaz insinuou que fariam “algo diferente”, o que foi prontamente recusado por ela.

No interior do apartamento, ela foi conduzida a um quarto, onde ficou trancada com quatro homens que insistiam para ela manter relações com eles. Câmeras de segurança mostraram a chegada dos jovens ao apartamento e a saída deles, pouco depois de 1h.

Segundo Ângelo Lages, delegado responsável pelas investigações, a adolescente chegou muito machucada à delegacia após os abusos. “Ela saiu do apartamento totalmente abalada psicologicamente, mas teve a coragem de contar o que aconteceu. Para ela, é um momento difícil, mas ela contou para o irmão. Assim que chegou em casa ela contou para a mãe, que não teve dúvida e procurou a Polícia Civil. Ela estava sangrando aqui na delegacia, totalmente abalada, com lesões aparentes”, lembrou.

O delegado explicou que a menina foi encaminhada para um exame de corpo de delito e prestou depoimento, que foi “totalmente compatível” com as lesões apresentadas. “O perito deixou isso muito claro. Tudo o que ela narrou era compatível com as lesões. Ela tinha lesões no órgão sexual, nas costas, nas nádegas… inclusive, ela tinha uma suspeita de fratura da costela. Isso tudo foi constatado pelo legista e batia exatamente com a narrativa dela, com o que ela declarou para a gente”, descreveu.

Após a primeira ida à delegacia, a vítima foi chamada novamente depois que os investigadores tiveram acesso às imagens de câmeras de segurança e os envolvidos no crime, que aconteceu na noite de 31 de janeiro, foram identificados.

“Posteriormente, a gente chamou novamente a vítima e ela reconheceu todos eles. De alguma forma, ela já conhecia eles de vista. Eles praticamente têm a mesma idade, frequentavam os mesmos locais, dois deles estudavam no mesmo colégio dela. A gente não teve dificuldade de qualificar e identificar esses criminosos. Com todos eles identificados, imediatamente representamos pela prisão e pela busca e apreensão. Eu tinha muito interesse em avançar com a investigação, colhendo os aparelhos celulares. Isso foi para o plantão judiciário, que entendeu que não era caso de plantão e decidiu redistribuir o feito. Foi quando a gente teve esse lapso entre o fim da investigação e a decretação da prisão deles”, explicou.

Para o delegado, o crime foi planejado com cuidado pelo grupo. “Ela já conhecia esse adolescente infrator, tinha um relacionamento, confiava nele. Achando que ia se relacionar com ele, entrou no quarto, fecharam a porta, mas não trancaram, e ela foi surpreendida pela entrada de quatro adultos. Uma adolescente trancada em um quarto com cinco homens. A gente tem encarado isso como uma emboscada muito bem planejada”, afirmou.
A reportagem tenta contato com as defesas de João Gabriel Bertho, Matheus Veríssimo Martins e Bruno Allegretti. O espaço está aberto para manifestação.

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