24 de setembro de 2026
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Instituto Rio Metrópole debate futuro da mobilidade do RJ e destaca expansão do sistema metroferroviário

 
Primeiro dia do evento Encontros Metropolitanos reuniu especialistas e gestores para discutir transportes, moradia e planejamento urbano na Região Metropolitana


O futuro da mobilidade na Região Metropolitana do Rio foi o tema que abriu, nesta quarta-feira (23/09), os Encontros Metropolitanos, promovidos pelo Instituto Rio Metrópole (IRM), no Palácio Guanabara. As duas primeiras mesas do evento discutiram a expansão do sistema metroferroviário, a recuperação dos trens, a integração entre os diferentes modais e a necessidade de articulação entre Estado e municípios no planejamento dos deslocamentos.

Na mesa “Requalificação e expansão dos transportes de alta capacidade”, representantes do setor discutiram projetos estruturantes para os próximos anos, entre eles a expansão da Linha 2, a implantação da Linha 3, a extensão da Linha 4 do metrô e a reestruturação do sistema ferroviário.

Representante do BNDES no encontro, Cleverson Aroeira destacou que o banco está em diálogo com o Governo do Estado para estruturar investimentos voltados à transformação da mobilidade metropolitana. Segundo ele, além da ampliação da infraestrutura, é necessário planejar a rede de forma integrada, considerando os diferentes modais como partes de um mesmo sistema.

— Estamos começando um trabalho de fôlego, que vai durar alguns anos. Há muito investimento para ser feito e muita mudança que pode vir nos próximos anos – afirmou.

O especialista em transportes Willian Aquino ressaltou o potencial da malha ferroviária existente, com cerca de 270 quilômetros de linhas que atravessam 12 municípios.

— O trem cruza cidades e permite chegar mais rápido. Com investimentos nas estações e no entorno, pode mudar a Região Metropolitana – afirmou.

Aquino também defendeu que a recuperação dos trens seja acompanhada de melhorias no acesso às estações e de conexão com outros meios de transporte. Para ele, a atuação coordenada entre Estado e municípios é importante para evitar sobreposição de projetos e direcionar recursos para uma rede integrada.

Na segunda mesa, “Os desafios da mobilidade metropolitana”, o debate abordou planejamento, sustentabilidade, política tarifária e as mudanças nos hábitos de deslocamento da população.

O professor e pesquisador do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida, chamou atenção para a relação entre mobilidade e sustentabilidade. Segundo ele, políticas de transporte precisam considerar o impacto ambiental das escolhas dos usuários e criar estímulos para alternativas mais sustentáveis, incluindo conceitos como “tarifa verde” ou “tarifa sustentável”.

Já o presidente da Agetransp, Adolfo Konder, destacou que a mobilidade urbana passa por mudanças constantes, acompanhando a forma como a população escolhe seus meios de deslocamento. Segundo ele, esse cenário torna ainda mais complexo o planejamento de uma rede que atende a diferentes municípios e perfis de passageiros.

Moradia e desenvolvimento urbano

No período da tarde, os Encontros Metropolitanos discutiram os desafios relacionados ao acesso à moradia e ao desenvolvimento urbano. Participaram das discussões representantes da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE), do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), da Caixa Econômica Federal, do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) e do Programa Cidade Integrada, entre outras instituições.

Ruth Juberg, coordenadora do Programa Cidade Integrada, hoje presente em 30 comunidades do Rio, deu ênfase às discussões que abrangeram os desafios para ampliar o acesso ao modelo de habitação digna, em ambientes seguros e estruturados para o desenvolvimento pleno dos cidadãos.

Rayne Moraes, chefe do Escritório do ONU-Habitat no Brasil, destacou a necessidade de buscar soluções para diferentes formas de inadequação habitacional. Segundo ela, o problema atinge quase 40% dos domicílios no país, percentual semelhante ao registrado no estado do Rio de Janeiro.

César Augusto Silva, do ENCE/IBGE, chamou atenção para o aumento da parcela da população que vive em imóveis alugados e, em menor proporção, em imóveis em processo de aquisição.

As discussões também abordaram os desafios da produção formal e informal de moradias, a ampliação da oferta de habitação, a redução de burocracias e os impactos da carga tributária sobre o setor. Os debates foram mediados pelo secretário de Estado de Habitação, Fábio Paravidino.

O primeiro dia dos Encontros Metropolitanos reforçou a necessidade de integrar políticas de transporte, habitação e desenvolvimento urbano no planejamento da Região Metropolitana. As contribuições dos especialistas e gestores que participam do ciclo de debates serão reunidas em uma Carta de Recomendações, que fará parte da Agenda Metropolitana a ser entregue ao próximo governador do Estado.

A programação terá continuidade no dia 30 de setembro, com debates sobre saneamento, mudanças climáticas, drenagem, resíduos e governança metropolitana. Também serão discutidos os desafios políticos e jurídicos para a implementação de uma estrutura de governança integrada, com participação de representantes do Governo do Estado, órgãos públicos, instituições acadêmicas e entidades do setor.

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