30 de agosto de 2026
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Cerveja se consolida como atração turística e patrimônio cultural da Serra

Reconhecimento da Alerj fortalece a identidade cervejeira da região e incentiva o turismo.

A cerveja é um dos elementos que ajudam a contar a história e movimentar o turismo na Serra Fluminense. Em Petrópolis, cidade que recebeu da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) o título de Capital Estadual da Cerveja, a tradição cervejeira se mistura à história do município e, atualmente, movimenta uma cadeia que envolve produção, gastronomia, hotelaria, eventos e experiências turísticas. A expansão desse segmento também alcança outros municípios da região, reunidos na Rota do Turismo Cervejeiro do Estado do Rio de Janeiro, reconhecida pelo Parlamento fluminense como patrimônio histórico, cultural e imaterial por meio da Lei nº 10.582/24.

Da tradição cervejeira à experiência turística

A história de Petrópolis está diretamente ligada à produção de cerveja. Foi na cidade que nasceu, em 1853, a Bohemia, considerada a primeira cervejaria do Brasil. Mais de um século depois, a tradição permanece presente e ganhou novas dimensões com a expansão das microcervejarias e a criação de experiências voltadas aos visitantes.

Segundo Felipe Rabah, sócio da Cervejaria Odin e presidente da Associação das Microcervejarias de Petrópolis, a legislação estadual contribuiu para transformar essa vocação histórica em uma política de valorização do setor. “Hoje Petrópolis reúne cerca de 20 cervejarias, uma cadeia que gera emprego e vai muito além da produção: bares, hotéis, guias e eventos”, destaca.

O município também passou a incorporar a cerveja à própria oferta turística, com iniciativas como o Circuito Cervejeiro e eventos que atraem visitantes durante diferentes períodos do ano. Entre eles estão o Deguste e a Bauernfest, que ajudam a associar a cidade à cultura cervejeira e movimentam a economia local. “A cerveja virou, de fato, um dos grandes pilares do turismo de Petrópolis”, afirma Felipe.

Uma rota que reúne Serra, sabores e experiências

A Rota do Turismo Cervejeiro amplia esse cenário para além de Petrópolis. O roteiro reúne empreendimentos de diferentes municípios da Serra Fluminense, entre eles Teresópolis, Guapimirim e Nova Friburgo, integrando atrações cervejeiras, gastronômicas e turísticas.

Para Ana Cláudia Pampillón, coordenadora do Turismo Cervejeiro do Estado do Rio, o reconhecimento da Rota como patrimônio histórico, cultural e imaterial amplia a visibilidade do segmento e fortalece sua articulação com o poder público.

“Esse reconhecimento é muito importante quando se cria uma rota turística, pois se ganha mais visibilidade, principalmente do poder público. Ajuda a divulgar e fortalecer ainda mais o turismo cervejeiro”, afirma.

Segundo ela, o Rio de Janeiro ocupa uma posição de referência no turismo cervejeiro brasileiro. Desde 2014, o estado compartilha experiências que contribuíram para a formação de outras rotas cervejeiras pelo país.

Turismo que vai além da visita à cervejaria

A proposta da rota é transformar a produção cervejeira em uma experiência turística completa. Com apoio do Sebrae, empreendimentos do setor passaram a estruturar e comercializar produtos específicos para visitantes.

Entre as opções estão harmonizações, cursos de cerveja artesanal, piqueniques em plantações de lúpulo, passeios de balão com visita a fábricas e experiências que unem cerveja e gastronomia, como visitas a queijarias instaladas dentro de cervejarias.

“Já temos produtos formatados, precificados e prontos para a prateleira do turismo”, explica Ana Cláudia. Para ela, o próximo passo é ampliar a divulgação dessas experiências, especialmente por meio de ações do poder público, para que o turismo cervejeiro ganhe ainda mais espaço no cenário nacional e internacional.

Ao reconhecer a Rota do Turismo Cervejeiro como patrimônio histórico, cultural e imaterial e Petrópolis como Capital Estadual da Cerveja, a legislação estadual acompanha uma transformação que já acontece na Serra Fluminense: a cerveja deixa de ser apenas parte da produção local e passa a integrar a identidade, a cultura e a experiência turística do Rio de Janeiro.