18 de agosto de 2026
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Firjan: Panorama Naval no Rio de Janeiro destaca novo ciclo de oportunidades para a indústria naval do país e reforça protagonismo do Rio de Janeiro

Publicação da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro destaca que Programa Mar Aberto da Petrobras prevê a construção de 96 novas embarcações até 2032. Também são promissores novos mercados, como o descomissionamento e a cadeia de energia eólica offshore.


Em um momento estratégico para a indústria naval brasileira, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) lança hoje (18/8) a 7ª edição do Panorama Naval no Rio de Janeiro. Impulsionado pela expansão das atividades de exploração e produção de petróleo e gás, pela renovação da frota mercante e de apoio marítimo, pelo crescimento da economia do mar, pelo desenvolvimento das energias renováveis offshore, pelo fortalecimento da Base Industrial de Defesa e pelo avanço das atividades de descomissionamento de ativos offshore, o mercado vive um cenário promissor de retomada e crescimento.

 

“Nesse contexto, o estado do Rio de Janeiro assume papel de destaque. O estado concentra o maior parque naval do país, reunindo 24 dos 49 estaleiros brasileiros e 66 mil dos 181 mil empregos relacionados às atividades navais no Brasil. Além disso, abriga 82% das plataformas marítimas em operação no país, consolidando-se como principal polo da atividade naval e offshore”, destaca o presidente da Firjan, Luiz Cesio Caetano.

 

Baixe o estudo no link

https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-competitiva/panorama-naval-no-rio-de-janeiro-2026

O lançamento da publicação Panorama Naval no Rio de Janeiro ocorre durante a abertura da Navalshore 2026, maior encontro da indústria naval da América Latina, feira que acontece de hoje a 20 de agosto no ExpoRio, na capital fluminense.

 

As perspectivas de expansão também são expressivas. Apenas no âmbito do Programa Mar Aberto, da Petrobras, está prevista a construção de 96 novas embarcações até 2032, com investimentos estimados em R$ 32 bilhões na indústria naval brasileira. O programa contempla a construção de 40 embarcações de apoio marítimo, 20 navios de cabotagem, 18 barcaças e 18 empurradores.

 

Somam-se a essas oportunidades as encomendas vinculadas ao segmento offshore. A carteira de projetos das operadoras contempla cerca de 20 plataformas previstas para os próximos anos, parte delas já gerando contratos para a indústria nacional e outras ainda em fase de licitação.

 

O mercado de operação e manutenção também apresenta grande relevância. Atualmente, a costa brasileira possui cerca de 170 unidades de produção instaladas, sendo 77 em operação, além de uma frota de aproximadamente 475 embarcações de apoio marítimo. Esse cenário representa um mercado consolidado para atividades de reparo e manutenção, segmento em que o Rio de Janeiro se destaca como principal hub nacional.

 

Novos mercados

 

Além dos mercados tradicionais, a publicação destaca novas frentes de atuação para os estaleiros brasileiros. O descomissionamento de ativos de petróleo e gás, o desmantelamento de embarcações e o desenvolvimento da cadeia de energia eólica offshore despontam como segmentos capazes de diversificar receitas, reduzir os impactos da sazonalidade das demandas por novas embarcações e ampliar a geração de emprego e renda.

 

Segundo estimativas da ANP, as atividades de descomissionamento deverão movimentar cerca de R$ 70,2 bilhões até 2030, contemplando operações como abandono e arrasamento de poços, retirada de equipamentos, recuperação ambiental e demais etapas inerentes ao encerramento da vida útil dos ativos.

 

O planejamento estratégico da Petrobras, prevê, em seu Plano de Negócios 2026–2030, investimentos totais de US$ 109 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 9,7 bilhões serão destinados às atividades de descomissionamento, consolidando este mercado como um dos eixos estratégicos de sua carteira de exploração e produção.

Quanto às eólicas offshore, cabe ressaltar a localização estratégica do estado do Rio, com ventos fortes e constantes, proximidade com portos, estaleiros e bases de apoio logístico e pela alta demanda energética na região Sudeste.

 

O estado apresenta um forte potencial com 1.034 aerogeradores mapeados, 15,5 mil MW de potência em licenciamento, 6,7 mil Km2 de área total em licenciamento, sendo a 3ª maior área mapeada do país. Cada um desses projetos demanda uma ampla cadeia de bens, serviços e infraestrutura. São oportunidades para estaleiros, para a indústria local, para a área de instalação e construção, embarcações de apoio e operação e manutenção.

 

“Apesar do ambiente favorável, a publicação traz reflexões sobre os caminhos para transformar essas oportunidades em desenvolvimento sustentável a partir de condições que garantam previsibilidade, competitividade, inovação, qualificação profissional, estabilidade regulatória e integração de toda a cadeia produtiva”, diz a gerente geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso.

 

Conteúdo da edição

O Panorama Naval 2026 reúne contribuições de entidades, empresas e instituições de referência para analisar tendências, oportunidades e desafios da indústria. A abertura da publicação traz um estudo da Firjan SENAI SESI sobre a consolidação e o potencial do mar fluminense como vetor estratégico para o desenvolvimento industrial do estado.

 

No capítulo Cenários da Indústria, a ABEEMAR e o SINAVAL apresentam uma análise da indústria naval brasileira sob a ótica das melhores práticas internacionais, destacando a importância da previsibilidade e da política industrial. O capítulo reúne ainda contribuições da ABEAM, SYNDARMA, ONIP, Rystad Energy e ABIMAQ, abordando temas como investimentos, competitividade, cadeia de fornecedores e experiências internacionais de sucesso, com destaque para o modelo sul-coreano.

 

Já o capítulo Mercados reúne análises da Petrobras, ABEEólica, SEENEMAR, Porto do Açu, Marinha do Brasil, Transpetro, Allseas e Edison Chouest, explorando temas como a expansão das atividades offshore, energia eólica offshore, logística, infraestrutura portuária, defesa, renovação de frota e descarbonização do transporte marítimo.

 

Em Política Industrial e Regulatória, a ANTAQ, o BNDES e o Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR) discutem o papel dos instrumentos regulatórios e de financiamento para ampliar a competitividade e a capacidade produtiva da indústria naval brasileira.

 

Encerrando a publicação, o capítulo Formação e Qualificação Profissional apresenta uma análise da Firjan SENAI sobre os desafios relacionados à inovação tecnológica, capacitação profissional e desenvolvimento de competências necessárias para atender às demandas atuais e futuras dessa indústria.