29 de julho de 2026
Brasil BrasíliaDESTAQUENotícias

Lula apresenta Hospital do Andaraí para diretor da OMS

Durante visita ao Rio, presidente destacou acesso à radioterapia e criticou cortes de recursos da saúde pelo presidente norte-americano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou, nesta terça-feira (28), o Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte, ao diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus. No evento, o chefe de Estado reafirmou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) para a população brasileira e alfinetou Donald Trump ao comentar a redução de recursos destinados à OMS. 

“Quando você puder conversar com o presidente Trump, já que ele anunciou que iria cortar verba da Organização Mundial da Saúde, diga a ele como um presidente de um país que não é rico como os Estados Unidos consegue garantir a cada cidadão brasileiro o mesmo tratamento de saúde que terá o presidente da República. Eu fiz 15 sessões de radioterapia na cabeça por causa de um câncer de próstata em uma máquina que qualquer pessoa pobre no Brasil pode utilizar. Não é a conta bancária que deve salvar uma pessoa. O que a gente quer provar ao mundo é que é possível as pessoas mais pobres terem um tratamento de saúde qualificado”, afirmou.

Lula também lembrou a passagem de Tedros pelo Brasil durante a reunião do G20, em 2024, quando precisou ser internado. Segundo o presidente, qualquer chefe de Estado teria acesso ao mesmo padrão de atendimento oferecido pelo SUS à população brasileira.

“Qualquer pessoa mais humilde, de qualquer lugar do Rio de Janeiro, se precisar fazer radioterapia, vai utilizar uma máquina igual à que o Trump usaria, que o Xi Jinping usaria, que o Putin usaria e que o Lula utilizou. Tratamento de saúde não é para rico, é para quem está doente. É isso que queremos mostrar com o SUS. Leve essa mensagem para o mundo, meu amigo. E diga que, aqui no Brasil, nós gostamos de cuidar de gente”, declarou.

Durante a cerimônia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, aproveitou a visita para contextualizar a criação do SUS e destacar a transformação promovida pelo sistema público de saúde ao longo das últimas décadas. Padilha ainda brincou dizendo que daria uma carteirinha do SUS para o diretor da OMS.

“Antes de existir o SUS, quem não tinha carteira assinada ou vínculo com determinadas categorias profissionais não tinha qualquer tipo de atendimento de saúde. Se chegasse a um hospital, muitas vezes era registrado como indigente. A Constituição de 1988 mudou essa realidade e garantiu que todo brasileiro tivesse direito ao acesso à saúde. Foi uma mudança histórica que permitiu construir um sistema universal para atender toda a população”, afirmou.

Padilha também citou o cenário encontrado na rede federal de saúde nos últimos anos e ressaltou os investimentos realizados para recuperar a estrutura hospitalar.

“Durante a pandemia, encontramos hospitais federais funcionando com capacidade reduzida, emergências fechadas e a atenção básica desestruturada. O Hospital Federal do Andaraí operava com apenas uma parte dos leitos disponíveis. O que estamos vendo agora é o movimento contrário, com reabertura de leitos, recuperação das unidades e ampliação da capacidade de atendimento à população”, lembrou.

Diretor do Hospital Federal do Andaraí, Ivison Valverde destacou o aumento da estrutura da unidade e o crescimento dos serviços oferecidos após a retomada dos investimentos.

“O hospital passou por uma transformação muito grande. Quando assumimos a gestão, a unidade tinha uma estrutura muito reduzida. Hoje, estamos com cerca de cinco mil profissionais trabalhando aqui. A emergência voltou a funcionar plenamente e realiza mais de 20 mil atendimentos por mês. Também ampliamos o atendimento ambulatorial, fortalecemos os serviços especializados e expandimos áreas estratégicas, como o tratamento oncológico”, explicou o médico, que ressaltou:

“Estamos ampliando a capacidade de atendimento em radioterapia e, em breve, vamos dobrar esse número graças às melhorias realizadas nos equipamentos. Isso significa mais acesso e mais rapidez para quem precisa iniciar o tratamento contra o câncer”.

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), afirmou que a retomada dos investimentos permitiu recuperar a rede pública e ampliar o acesso aos serviços de saúde. “Quando o presidente Lula voltou ao governo, encontramos hospitais federais com leitos fechados, emergências desativadas e estruturas sucateadas. A reabertura dessas unidades e a recuperação da rede federal foram fundamentais para ampliar a capacidade de atendimento da população. O Hospital do Andaraí é um exemplo dessa reconstrução”, comemorou.

Já o governador em exercício do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, classificou o momento como um marco para a saúde pública e defendeu a continuidade das políticas voltadas à ampliação do acesso aos serviços.

“Estamos diante de uma política pública que reforça o caráter universal da saúde. Cada investimento realizado representa um compromisso com a população. O acesso à saúde deve alcançar todos, independentemente da condição econômica, da origem ou da crença. Esse é um princípio que precisa ser preservado e fortalecido”, afirmou. 

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, elogiou a reestruturação do Hospital Federal do Andaraí e classificou a unidade como um exemplo dos investimentos recentes realizados na rede pública de saúde.

“Este hospital enfrentou sérias dificuldades há alguns anos, com problemas relacionados à administração, falta de profissionais de saúde, estrutura antiga e carência de equipamentos. Hoje, fiquei muito impressionado com a transformação que encontrei. A estrutura foi renovada, novos equipamentos foram incorporados, os serviços de queimados, trauma, emergência e oncologia estão funcionando e o problema relacionado à força de trabalho foi resolvido. Agora existem três vezes mais profissionais do que havia anteriormente”, afirmou.

Ao abordar o Sistema Único de Saúde (SUS), o dirigente da OMS ressaltou que o acesso universal à saúde depende de decisões políticas e de compromisso dos governos com a população.

“A saúde é um direito fundamental de homens e mulheres. Por isso, pedimos aos governos que assumam o compromisso de garantir saúde para todos, e não apenas para alguns. O Brasil mostra ao mundo um exemplo importante. O SUS é um dos raríssimos sistemas de saúde do planeta que cobre toda a população, inclusive aqueles que não teriam condições financeiras de acessar tratamentos de alta complexidade. Essa é a verdadeira essência do conceito de saúde para todos”, declarou.

Tedros também destacou o exemplo citado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o tratamento contra o câncer realizado na própria rede pública.

“O presidente está recebendo tratamento de radioterapia e defende que esse mesmo tratamento esteja disponível para qualquer cidadão. Hoje, este hospital oferece essa possibilidade. Todos podem ter acesso ao mesmo tratamento. São poucos os líderes que demonstram essa preocupação com a saúde pública universal”, disse.

O diretor-geral da OMS ainda elogiou o papel do Brasil em iniciativas globais de saúde pública, mencionando os avanços no combate a doenças transmissíveis e a parceria histórica com instituições brasileiras.

“A Fiocruz é reconhecida internacionalmente e se tornou referência em equidade na saúde. O Brasil já mostrou sua capacidade ao se tornar o primeiro país com mais de 100 milhões de habitantes a eliminar a transmissão vertical do HIV e agora avança em mais uma etapa importante no enfrentamento da hepatite B. Isso é resultado de anos de trabalho de cientistas, médicos e profissionais de saúde em todo o país.”

Ao encerrar sua participação, Tedros afirmou que o Brasil se tornou uma referência internacional em um momento de restrição de recursos para a saúde em diversos países.

“Em um período em que o financiamento global da saúde enfrenta dificuldades e os sistemas estão sob pressão, o Brasil demonstra que liderança, comprometimento e vontade política podem gerar resultados concretos. O país mostra que a eliminação de doenças não é apenas um slogan, mas uma disciplina construída com trabalho contínuo. O Brasil serve de exemplo muito além de suas fronteiras.”Esse texto está no formato de um box destacado ou trecho complementar de reportagem, com foco nos elogios ao hospital, ao SUS e aos avanços da saúde pública brasileira.

Logo em seguida e encerrando o evento, o presidente Lula discursou e afirmou que a recuperação dos hospitais federais do Rio simboliza uma mudança de prioridade na saúde pública. O presidente criticou o sucateamento das unidades nos últimos anos, defendeu o fortalecimento do SUS e ressaltou que o acesso ao tratamento não pode depender da condição financeira do paciente.

“Os seis hospitais federais deste estado estavam sucateados. Não funcionavam mais as UTIs, não funcionavam mais as cozinhas, não tinha mais médicos, não tinha mais quase nada. O que nós estamos fazendo é uma revolução aqui.”

Ao comentar a importância da rede pública, Lula afirmou que o sistema deve garantir o mesmo padrão de atendimento para qualquer cidadão.

“Se precisar fazer radioterapia, vocês vão ter um tratamento numa máquina tão moderna que, se o Trump tiver que fazer, vai fazer na mesma máquina. Se o Xi Jinping tiver que fazer, vai fazer na mesma máquina. Se o Lula tiver que fazer, vai fazer na mesma máquina. Porque vocês não são piores do que nós. Vocês são iguais.”, afirmou o presidente 

Lula também destacou que a prioridade da política pública deve ser a população mais vulnerável.

“Nesse país, o pobre não tem que ser tratado como se fosse segunda classe. As pessoas não podem morrer porque são negras, porque são pobres, porque são mulheres ou porque moram em favela. Esse país aprendeu a cuidar de todo mundo.”, destacou 

O presidente ainda atribuiu aos profissionais de saúde o reconhecimento conquistado pelo SUS, especialmente durante a pandemia.

“O SUS funciona bem porque os faxineiros, os enfermeiros, os médicos, as camareiras e as pessoas mais humildes tiveram coragem de trabalhar quando muita gente não teve. Foi isso que deu respeitabilidade ao SUS.”

Ao encerrar a fala, o presidente afirmou que a recuperação da rede federal representa um compromisso com a população fluminense.

“Recuperar a saúde do Rio de Janeiro e recuperar os hospitais federais é dar decência ao povo do Rio de Janeiro. Ainda não concluímos essa obra, mas o que estamos fazendo é um começo maravilhoso.”, concluiu