27 de julho de 2026
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Diretor da OMS recebe honraria na Fiocruz e elogia sistema brasileiro de saúde

A Fiocruz concedeu, na manhã desta segunda-feira (27), o título de doutor honoris causa ao diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom. A cerimônia aconteceu durante uma visita do homenageado ao instituto Bio-Manguinhos, na Zona Norte do Rio. Além da entrega da honraria, o presidente da fundação brasileira, Mario Moreira, conversou o líder internacional a respeito de pautas como diplomacia científica e saúde global diante de desafios contemporâneos.

Tedros contou que se sentiu honrado com a homenagem e relembrou quando, ainda como ministro da Saúde na Etiópia, em 2006, realizou uma parceria com a Fiocruz.

“Naquela época, a Etiópia estava ampliando rapidamente o acesso aos serviços de saúde, mas também queríamos acompanhar de perto os resultados desse processo, uma das melhores experiências que encontramos foi justamente a da Fiocruz. Por isso, estar hoje na Fiocruz não é importante apenas pela homenagem que recebo, uma honra que, na verdade, pertence a todos nós, mas também pela oportunidade de vir pessoalmente agradecer ao Brasil pelo apoio dado à Etiópia. A Fiocruz é uma referência na promoção da equidade em saúde e uma grande defensora da cooperação entre os países do Sul Global”, destacou o diretor-geral da OMS.

A homenagem, aprovada por unanimidade pelo Conselho Deliberativo da Fiocruz em setembro de 2025, reconhece o impacto da atuação de Adhanom no aumento do acesso à saúde global e na liderança da principal agência de saúde pública do mundo durante a pandemia da covid-19. Ainda durante o evento, Tedros elogiou o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, ressaltando o atendimento a mais de 200 milhões de pessoas.

“Se tem uma grande lição que o modelo brasileiro pode ensinar ao mundo, com a Fiocruz como um dos pilares da ciência e da saúde pública no país, é o compromisso com a cobertura universal de saúde. A saúde é um direito humano fundamental, não é um privilégio de alguns ou da maioria, mas um direito de todas as pessoas. Fico muito satisfeito em ver que o Brasil acredita fortemente nesse princípio. É exatamente esse compromisso que eu gostaria de ver sendo adotado por todos os países. Acredito que o mundo tem muito a aprender com o Brasil e com o SUS”, pontuou.

Tedros ainda abordou temas como os principais desafios enfrentados pela saúde global, alertando que 75% das mortes nos dias de hoje ocorrem por doenças crônicas não transmissíveis, que podem ser evitadas com alimentação, atividade física e hábitos de vida. Por fim, comentou que a população mundial segue vulnerável a emergências, como pandemias, e fez um apelo aos líderes governamentais.

“Outro desafio importante é que o mundo continua vulnerável a emergências em saúde, como pandemias. Depois das lições da COVID-19, temos trabalhado para melhorar nossa capacidade de resposta. No entanto, ainda há muito a ser feito para estarmos realmente preparados. A mensagem para os líderes mundiais é que a solidariedade é a nossa melhor imunidade. A saúde global não pode ser eficaz sem solidariedade. Nenhum país, por mais poderoso que seja, consegue enfrentar esses desafios sozinho. A saúde global só avança por meio da cooperação entre os países”, concluiu.
Quem é Tedros Adhanom
Tedros Adhanom assumiu a direção-geral da OMS em 2017 e foi reeleito para o cargo em 2022. Biólogo, nasceu na Eritreia, que até 1993 era parte da Etiópia, e é o primeiro africano a ocupar o mais alto cargo da agência de saúde global fundada em 1948.

Ao abrir seu primeiro mandato, defendeu que “existe um valor real em eleger um líder que trabalhou em um dos ambientes mais difíceis e trazer um ângulo que o mundo nunca viu antes”. Sob a liderança de Adhanom, a OMS alcançou, pela primeira vez, a paridade de gênero em sua alta direção.
Antes de ser diretor-geral da OMS, foi ministro da Saúde da Etiópia de 2005 a 2012. Também ocupou a presidência do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária; a presidência da Parceria para o Combate à Malária; e a copresidência do Conselho da Parceria para a Saúde Materna, Neonatal e Infantil.
O título de doutor honoris causa da Fiocruz é concedido a personalidades nacionais ou internacionais que tenham contribuído de modo notável para a humanidade, o país e à instituição.

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