25 de julho de 2026
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Dia de Proteção aos Manguezais: plantio de 20 mil mudas transforma cenário às margens da Baía de Guanabara 

Iniciativa também retirou 450 toneladas de lixo e recuperou um hectare com floresta nativa; ação alusiva à data mobilizou agentes de saúde e garis nesta semana

Após décadas marcadas pelo acúmulo de lixo e pela degradação ambiental às margens da Baía de Guanabara, uma nova paisagem começa a se consolidar no Caju, na Zona Portuária do Rio. Às vésperas do Dia Mundial de Proteção aos Manguezais, celebrado neste domingo (26), um esforço para o reflorestamento do ecossistema alcançou uma marca emblemática: já são 20 mil mudas nativas plantadas em um hectare recuperado, área equivalente a 10 mil metros quadrados.

A recuperação da biodiversidade está no centro do projeto Mangue Alegria, iniciativa liderada pelo biólogo Mário Moscatelli em parceria com a Águas do Rio. Para celebrar o resultado e fortalecer a cultura de preservação, foi promovido, nesta semana, um mutirão de limpeza e plantio no entorno da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria. A ação reuniu equipes da concessionária e da Comlurb, além de agentes de saúde locais, consolidando uma atuação integrada em diferentes frentes.

“O mangue funciona como um eficiente sequestrador de carbono, sendo uma ferramenta vital contra o aquecimento global. Ele também atua diretamente na limpeza da água, na medida em que absorve nitrogênio e fósforo. Além disso, a floresta serve de berçário, incrementando a biodiversidade e garantindo a reprodução de peixes e crustáceos comercialmente importantes para o ser humano”, explicou Moscatelli.

Para Caroline Lopes, gerente de Meio Ambiente da Águas do Rio, a recuperação do manguezal complementa os avanços promovidos pela empresa em infraestrutura desde novembro de 2021.

“Nossas ações de saneamento tanto na Zona Sul quanto na Zona Norte do Rio, e da Baixada a São Gonçalo, já evitam que 134 milhões de litros de esgoto in natura sejam lançados diariamente na Baía de Guanabara”, afirmou Caroline. Segundo ela, o mangue também contribui para reduzir a proliferação de vetores de doenças. “Sua característica natural faz dele uma barreira física, minimizando enchentes e protegendo as comunidades litorâneas.  A participação dos agentes de saúde reforça que proteger o manguezal é, na prática, proteger também a saúde da população.”

Neste que já é o terceiro mutirão realizado na região em parceria com a Águas do Rio, a Comlurb mobilizou 30 garis para atuar na linha de frente da limpeza do ecossistema.

“Cada resíduo removido reduz os impactos sobre mangues, rios e canais, principalmente na fauna e na flora. Essa iniciativa reúne poder público, iniciativa privada e sociedade e reforça o compromisso que todos devemos assumir com a preservação do meio ambiente”, ressaltou Alexandre Campos, diretor de Limpeza Urbana da Comlurb.

Biólogo faz alerta sobre descarte de lixo
Com a meta de recuperar 3,6 hectares e ampliar a vegetação em outros 4,6 hectares, Moscatelli chama atenção para o contraste observado na região: 450 toneladas de resíduos sólidos já foram retiradas de um trecho de floresta no Caju. Apesar dos resultados animadores, o biólogo faz um alerta sobre o papel da sociedade na continuidade desse processo.

“É certo que essa é a estratégia correta para enfrentarmos o novo cenário climático, estamos vendo os resultados positivos a cada ano. No entanto, a quantidade de resíduos que continua sendo jogada nos rios e chega à baía ainda é grande. Precisamos, enquanto sociedade, parar de usar os rios como lixeira”, advertiu Moscatelli.

Lagoa Rodrigo de Freitas também recebe cuidados
O trabalho de recuperação dos manguezais também avança na Lagoa Rodrigo de Freitas, onde uma parceria firmada em 2021 entre a Águas do Rio e Moscatelli já recuperou 7 mil metros quadrados do ecossistema. Historicamente marcado por episódios de à poluição, o cartão-postal vem apresentando sinais consistentes de melhora graças à combinação entre a preservação do mangue e uma transformação subterrânea: a modernização de 13 estações de bombeamento e o reforço do cinturão de proteção passaram a impedir o lançamento de 216 mil litros de esgoto por hora naquele espelho d’água.

Quem percorre hoje as margens da Lagoa constata os efeitos dessa união. Onde antes havia despejo irregular, agora há água mais limpa e o retorno de uma rica biodiversidade. O ambiente recuperado atraiu de volta espécies como capivaras, além de aves como o quero-quero, o socozinho, a garça-azul e os colhereiros de plumagem rosa. Também voltaram a ser observados diferentes tipos de caranguejo como o guaiamum e o aratu-vermelho.

Investimentos em saneamento reforçam recuperação da Baía
As atividades desenvolvidas no Caju fazem parte de um conjunto mais amplo de ações voltadas à revitalização da Baía de Guanabara. O reflorestamento se soma aos investimentos em infraestrutura de saneamento realizados pela concessionária do grupo Aegea para reduzir o lançamento de esgoto sem tratamento no ecossistema.

Esse esforço de despoluição ganha ainda mais força com o investimento de R$ 2,7 bilhões em curso para a implantação de um cinturão de coletores de tempo seco no entorno da baía. Em dias sem chuva, essas estruturas interceptam o esgoto despejado irregularmente nas redes de drenagem e o direcionam para tratamento, evitando que chegue aos rios e, consequentemente, à Baía de Guanabara.

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