6 de julho de 2026
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Campos: Lançamento de guia pedagógico e documentário fortalece a Educação Escolar Quilombola

A Escola Municipal Maria Antonia Pessanha Trindade, em Dores de Macabu, recebeu, na sexta-feira (3), o lançamento do terceiro “Guia Pedagógico de Educação Escolar Quilombola perspectivas antirracistas e práticas emancipatórias” e do documentário “Arquivo Vivo”. As duas produções foram desenvolvidas a partir das experiências do Curso de Aperfeiçoamento em Educação Escolar Quilombola Perspectivas Antirracistas e Práticas Emancipatórias junto à comunidade do Quilombo de Lagoa Feia. A programação reuniu educadores, estudantes, lideranças quilombolas, representantes de instituições de ensino superior e do poder público, com apresentação do guia, exibição do filme e uma roda de jongo.
O guia reúne práticas pedagógicas construídas coletivamente durante a formação, com sequências didáticas, relatos de experiências, reflexões teóricas e propostas voltadas à valorização da identidade quilombola. O material busca apoiar professores da educação básica na elaboração de atividades alinhadas às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola, aproximando o currículo da realidade vivida pelas comunidades e fortalecendo uma educação comprometida com a equidade racial e a valorização dos saberes tradicionais.
Uma das organizadoras do curso e do guia, Maria Clareth Reis, destacou que a publicação representa a sistematização de todo o percurso formativo realizado nos territórios quilombolas. Ela define que cada página do guia carrega experiências construídas por educadores, estudantes, lideranças e moradores mais antigos das comunidades. “Este guia reúne tudo o que produzimos ao longo do curso. As comunidades participaram ativamente de sua construção e compartilharam conhecimentos que, muitas vezes, eram desconhecidos pelos próprios professores. Registrar essas vivências significa preservar uma memória coletiva e transformá-la em instrumento pedagógico para as escolas”, afirmou.
A assistente da Gerência de Diversidade e Inclusão da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), Simone Pedro, destacou que a iniciativa demonstra a importância da construção coletiva das políticas de Educação Escolar Quilombola. “O engajamento da comunidade é essencial para que esse processo aconteça. Universidade, poder público, educadores e moradores precisam caminhar juntos para que o desenvolvimento educacional dos territórios seja efetivo”, afirmou.
A diretora da Escola Municipal Maria Antonia Pessanha Trindade, Sônia Maria Sardinha da Cruz, ressaltou a importância de a unidade sediar o evento. “É uma honra receber este público para o lançamento do guia e do documentário. Esse trabalho registra a cultura quilombola e garante que ela permaneça viva na memória dos estudantes, da comunidade e de todos que terão acesso a esse material”, afirmou. A iniciativa contou com o apoio da Seduct, que atua no fortalecimento da Educação Escolar Quilombola por meio da consolidação dessa modalidade de ensino, da valorização dos territórios tradicionais e da construção de currículos contextualizados, em consonância com as diretrizes nacionais.
Também lançado durante o evento, o documentário “Arquivo Vivo”, dirigido por Vita Evangelista e Maria Clareth Reis, apresenta um registro audiovisual das experiências vividas ao longo dos seis meses de formação no Quilombo de Lagoa Feia. O filme transforma em patrimônio educativo as narrativas, os saberes, as manifestações culturais e as memórias preservadas pela comunidade, evidenciando o território como espaço permanente de produção de conhecimento.
Para Maria Clareth, a obra traduz a intensidade do processo vivido pelos participantes. “O documentário mostra um pouco de tudo o que vivemos durante o curso. É emocionante perceber o quanto nossa presença na comunidade gerou novos frutos. O filme registra essa experiência e reforça a importância de preservar a memória cultural para as futuras gerações”, disse. Vita Evangelista ressaltou que a proposta rompe com a ideia tradicional de arquivo. “Pensamos o arquivo como algo vivo, em constante movimento. O filme passa a ser um álbum da comunidade, capaz de preservar memórias, fortalecer identidades e continuar produzindo significados para quem o assistir daqui em diante”, explicou.
A presidente da Associação dos Remanescentes dos Quilombos de Lagoa Feia e Sossego, Maria de Lurdes Cruz, comemorou o lançamento das produções. “É uma satisfação receber o livro e o documentário porque foi aqui que o curso aconteceu e trouxe muitos resultados. Essa memória cultural precisa estar presente nas escolas e ser reconhecida pelas novas gerações como parte da história e da identidade do nosso povo”, declarou.
O Curso de Aperfeiçoamento em Educação Escolar Quilombola Perspectivas Antirracistas e Práticas Emancipatórias integra uma política de formação continuada vinculada ao Programa Escola Quilombo, do Ministério da Educação, desenvolvida pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), campus Macaé, o Instituto Federal Fluminense (IFF), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e secretarias municipais de educação. A formação é destinada a professores, gestores escolares, lideranças comunitárias e demais profissionais envolvidos com a educação de estudantes quilombolas nas regiões dos Lagos, Norte Fluminense e Costa Verde.
Mais do que qualificar educadores, o curso busca fortalecer a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola por meio de práticas antirracistas, valorização dos saberes ancestrais e aproximação entre universidade, escola e comunidade. Ao incentivar o diálogo entre conhecimento científico e experiências dos territórios, a formação contribui para consolidar políticas públicas de equidade racial, ampliar o reconhecimento das comunidades quilombolas como produtoras de conhecimento e transformar a escola em um espaço de pertencimento, cidadania e preservação da memória coletiva.

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