Câmara do Rio: Comissão de Educação realiza audiência pública externa em Campo Grande
Após a realização de seis audiências públicas externas entre 2025 e 2026, a Comissão de Educação da Câmara do Rio ouviu, nesta sexta-feira (29/05), as demandas da comunidade escolar da 9ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE). A reunião foi realizada na Igreja Batista Monte Horebe, em Campo Grande, e conduzida pelo vereador Salvino Oliveira (PSD), presidente do colegiado.
O secretário municipal de Educação, Hugo Nepomuceno, abriu a audiência apresentando os números da maior rede de ensino da América Latina. Hoje, são 55 mil profissionais de educação e 630 mil estudantes distribuídos em 1.558 unidades escolares. Em março, a secretaria inaugurou o Centro de Educação de Jovens e Adultos da Zona Oeste, em Campo Grande.
No momento, 54% dos alunos estão nas escolas em tempo integral. “Quem tem filho fica muito mais tranquilo ao saber que, em vez de estar em casa, ele está na escola desenvolvendo projetos educativos, interagindo com amigos, crescendo, protegido e se alimentando melhor”, afirmou o gestor.
Nepomuceno ainda falou sobre a política dos Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs), iniciada de forma experimental em 2022: “Os GETs são uma política pública bem estruturada com pesquisas já feitas sobre os impactos desses ginásios no aprendizado dos estudantes. Os tempos mudam e as formas de aprendizado também precisam mudar”.
Já foram entregues 311 GETs à rede de ensino. Até o fim deste serão 350 e, em 2028, serão 500 no total.
Meta de alfabetização ultrapassada
O coordenador da 9ª CRE, Rodrigo Costa, mapeou o extenso território da coordenadoria, que abrange bairros como Inhoaíba, Santíssimo, Cosmo e Paciência, além de ser responsável por uma unidade em Nova Iguaçu. São 165 escolas, todas climatizadas, com 164 diretores IV e 172 adjuntos. As salas de recursos totalizam 103, que atendem os alunos da Educação Especial.
Com 4.270 professores, a 9ª CRE ultrapassou, segundo Rodrigo Costa, a meta de 69% de alfabetizados em 2025, por meio do programa “Alfabetiza Rio”. “Alcançamos o índice de 71% de alunos do 2º ano alfabetizados. Para 2030, a meta é de 80%. No entanto, temos diversas escolas da 9ª CRE que já alcançaram ou ultrapassaram esse percentual”, apontou o coordenador.
Infraestrutura adequada e valorização dos profissionais
A agente de Educação Infantil Crislaine de Souza Melo quis saber sobre a situação do enquadramento dos profissionais na Lei 15.326/2026, que inclui os professores da categoria como profissionais do magistério. “Durante muitos anos os profissionais das creches públicas viveram uma contradição injusta, pois nos classificavam apenas como apoio, uma função acessória”.
Já a mãe de dois alunos Cristina Maria e o funcionário Rodrigo Fagundes cobraram a instalação de cobertura nas quadras das escolas. “É preciso avançar na cobertura das escolas, não apenas para as atividades físicas, mas também para as atividades pedagógicas e culturais que acontecem nas unidades”, afirmou Fagundes. Ele ainda solicitou o retorno dos controladores de acesso para a segurança dos alunos e dos profissionais.
Sobre a questão dos agentes de Educação Infantil, Nepomuceno garantiu que a secretaria tem escutado a rede e diferentes segmentos sobre o assunto: “Nós reconhecemos a importância estratégica desses profissionais, mas precisamos entender como será o nosso posicionamento oficial a partir do entendimento jurídico do impacto dessa legislação que foi sancionada”.
O gestor ainda respondeu sobre o pedido de instalação de cobertura nas escolas. Segundo Nepomuceno, a questão é importante e deverá constar no planejamento da pasta. No entanto, a atual gestão precisou priorizar alguns pontos fundamentais para o andamento do dia a dia das escolas, como a melhoria das condições de trabalho dos professores e a climatização das unidades. “A lista de demandas é infinita, mas o orçamento é finito. Nós priorizamos o que era principal.”
Alguns familiares também mostraram preocupação com a Educação Especial no município do Rio. Nepomuceno disse entender, mas informou que a gestão tem avançado sobre o assunto e procurado investir: “A Educação Especial está no Planejamento Estratégico da Educação justamente para que a sociedade possa monitorar”.
Criado na Cidade de Deus em uma família pobre, o vereador Salvino Oliveira reforçou que a educação transformou sua trajetória: “Todos têm um talento extraordinário. No entanto, faltam oportunidades para desenvolvê-lo”. Ele ainda explicou a necessidade de se estar no território, próximo daqueles que vivem o dia a dia das escolas. “É preciso ter a capacidade de ouvir e de construir soluções escutando a rede para que possamos fazer mais a partir da perspectiva da comunidade escolar”, concluiu.
Participaram também da audiência pública os vereadores William Siri (PSOL) e Niquinho (PT), vice-presidente e vogal do colegiado, respectivamente, o ex-vereador Rocal, o subprefeito da Zona Oeste II, Bruno Scooby, e a assessora do gabinete de Salvino Oliveira, Ioliris Paes.

