20 de maio de 2026
AlerjNotíciasPolítica

Comissão da ALERJ da pessoa idosa debate prevenção e políticas públicas para doença renal crônica

Audiência pública reúne especialistas, parlamentares e representantes da sociedade civil para discutir diagnóstico precoce, qualidade de vida e fortalecimento de ações

A Comissão de Assuntos da Pessoa Idosa da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou, nesta terça-feira (19/05), audiência pública dedicada ao debate de políticas públicas sobre a prevenção e o tratamento da Doença Renal Crônica (DRC) na população idosa. O encontro reuniu especialistas da área da saúde, representantes de entidades da sociedade civil e parlamentares para discutir estratégias de prevenção, diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e qualidade de vida dos idosos que convivem com a doença.

O presidente da Comissão, deputado estadual Munir Neto (SDD) anunciou que vai elaborar um projeto de lei para garantir a complementação da verba federal destinada aos tratamentos de diálise e hemodiálise no estado, uma demanda que foi debatida no encontro.

“Essa audiência pública representa um passo importante para ampliar a conscientização sobre a Doença Renal Crônica e fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado no nosso estado. Nesta semana, vou me dedicar à criação de um projeto de lei que possa garantir a complementação do Estado a verba do Governo Federal para o tratamento de diálise e hemodiálise”, afirmou o parlamentar.

Audiência debate pontos importantes

A iniciativa aconteceu em um cenário de alerta mundial. Considerada atualmente a quinta causa de morte que mais cresce no mundo, a Doença Renal Crônica representa um dos principais desafios de saúde pública relacionados ao envelhecimento populacional. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), dos cerca de 170 mil brasileiros que dependem de diálise, aproximadamente um terço tem mais de 65 anos.

Para discutir os desafios, a audiência contou com a participação do vice-presidente da Sudeste Sociedade Brasileira de Nefrologia, Dr. Pedro Túlio Rocha. Durante sua apresentação, o especialista chamou atenção para o caráter silencioso da doença e destacou a importância de políticas públicas voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce.

“A doença renal já é considerada um problema de saúde pública. Hoje, a principal despesa é com a diálise, que custa cerca de R$ 5 bilhões por ano aos cofres públicos. O Governo Federal repassa aproximadamente R$ 250,00 por paciente, mas o custo real do tratamento é em torno de R$ 350. O Rio de Janeiro e outros 12 estados complementam esse valor. Santa Catarina é o único estado que possui uma lei garantindo essa complementação”, ressaltou.

Capacitação da atenção primária é apontada como caminho para ampliar prevenção

A presidente da Associação Vozes do Advocacy, Vanessa Pirolo, também participou do debate e trouxe reflexões sobre os desafios enfrentados pelos idosos com Doença Renal Crônica no acesso ao tratamento. Ela destacou a necessidade de fortalecer a capacitação dos profissionais da atenção primária para ampliar o diagnóstico precoce e iniciar o tratamento antes do agravamento da doença.

“É fundamental capacitar os profissionais que realizam o atendimento primário para que possam acompanhar o paciente durante todo esse processo, especialmente os idosos. Outra medida importante é tornar obrigatória a realização dos exames de creatinina e albumina em pacientes diagnosticados com diabetes, obesidade e hipertensão arterial, condições diretamente associadas ao desenvolvimento da Doença Renal Crônica”, afirmou Vanessa.