Agricultura familiar faz de Japeri referência na produção de aipim
Com cerca de 200 produtores, município mantém abastecimento constante mesmo fora da safra
Na zona rural de Japeri, o trabalho no campo começa cedo e segue ao longo do dia. É dali que sai um dos principais alimentos que abastecem feiras, hortifrutis, restaurantes e até o comércio ambulante de cidades como Queimados, Nova Iguaçu, Mesquita e Madureira: o aipim.
Cultivado por agricultores familiares, o produto se consolidou como o carro-chefe da produção agrícola do município. Mesmo em períodos de entressafra, quando a oferta costuma cair, a produção local segue garantindo o abastecimento. “Quando o povo não tem, nós temos”, resume o produtor Joel Gonçalves, de 55 anos, morador da região da Pedra Lisa e agricultor desde os 9.
Ao lado do filho, Joelson da Silva Gonçalves, de 27 anos, ele mantém uma produção constante em uma propriedade de cerca de 15 hectares. Em média, cada colheita rende entre 30 e 40 caixas de aipim, com aproximadamente 30 quilos cada. Vendidas por cerca de R$ 100, as caixas deixam a propriedade três vezes por semana, de acordo com a demanda.
O cultivo do aipim exige paciência: são cerca de nove a dez meses entre o plantio e a colheita. Segundo os produtores, o clima está entre os principais desafios. “Nem muito molhado, nem muito seco. Quando chove demais, o carro não entra e dificulta tudo”, explica Joelson.
Entre os agricultores, a orientação é evitar o plantio entre dezembro e março, priorizando o período de abril a novembro, quando as condições climáticas são mais favoráveis.
Produção vai além do aipim
Apesar do protagonismo do aipim, a agricultura local não se limita a essa cultura. A região também produz quiabo, o que ajuda a diversificar a lavoura e a garantir maior estabilidade de renda para os produtores.O aipim colhido em Japeri tem diferentes destinos, pode ser consumido natural ou utilizado no preparo de pratos populares, como bolinho de aipim e sopas, muitas vezes presentes na alimentação de crianças e famílias da região.
Força da agricultura familiar
Todos os produtores rurais de Japeri estão cadastrados na Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca. Ao todo, cerca de 200 agricultores atuam no município.De acordo com o subsecretário da pasta, Cleber Ferreira Vieira, os produtores são mapeados e acompanhados, com identificação das atividades desenvolvidas em cada propriedade. A medida fortalece a organização da produção e amplia o apoio ao setor.“Nosso trabalho é estar próximo do produtor, entendendo suas necessidades e garantindo que cada agricultor esteja devidamente cadastrado. Esse mapeamento permite organizar melhor a produção, fortalecer a agricultura familiar e ampliar o escoamento dos alimentos que abastecem não só Japeri, mas toda a região”, destacou.Cleber também produz aipim no município com a ajuda da família há mais de três décadas.
Desafios no período chuvoso
Durante o período de chuvas, as dificuldades aumentam. Estradas de difícil acesso e o excesso de umidade impactam diretamente tanto a colheita quanto o escoamento da produção.Ainda assim, a agricultura segue firme, passada de geração em geração. “É um legado. Eu nasci e cresci aqui, e sigo com orgulho”, afirma Joelson.
Da roça para a mesa
O aipim de Japeri percorre rotas que conectam o campo à cidade, abastecendo feiras, mercados, restaurantes e o comércio popular em diferentes regiões da Baixada Fluminense.Mais do que um produto agrícola, ele representa resistência, trabalho e a força da agricultura familiar, que sustenta a economia local e contribui diretamente para a alimentação de milhares de pessoas. Além de Pedra Lisa, outras regiões de Japeri, como Normandia e São Pedro, também se destacam na produção de aipim.

