23 de fevereiro de 2026
NotíciasPolítica

Marina Silva afirma que Brasil e Índia são atores centrais no debate sobre transição energética

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagem a Nova Délhi, na Índia, da última quarta-feira (18/2) a este domingo (22/2). Ela integrou a comitiva brasileira, formada por 11 ministros, e participou da visita de Estado do presidente ao País, que incluiu uma reunião ampliada com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, no sábado (21/2). Também esteve na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, em que o Governo do Brasil apresentou sua visão estratégica para uso da inteligência artificial (AI) com foco em inclusão, soberania e desenvolvimento sustentável, entre outras agendas.

No encontro entre Lula e Modi, a ministra agradeceu o apoio da Índia durante a COP 30, a Conferência do Clima da ONU que ocorreu sob a presidência brasileira em Belém (PA) em novembro de 2025. Reforçou a importância do apoio indiano ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo que recompensa financeiramente países detentores de florestas com bons resultados no controle do desmatamento e que já conta aportes de sete países no valor de US$ 6,7 bilhões.

A ministra disse que o Brasil recebe positivamente a informação de que a Índia apresentará, em breve, sua NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada, na sigla em inglês), que estabelecerá sua meta, sob o Acordo de Paris, de redução de emissões de gases de efeito estufa para 2035. Outras 130 nações já submeteram suas NDCs à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) – o Brasil o fez ainda durante a COP29, no Azerbaijão.

Além disso, enfatizou a necessidade de elaboração de um mapa do caminho global para o fim da dependência dos combustíveis fósseis, baseado em trajetórias autodeterminadas pelos países, conforme defendido pelo presidente Lula na COP 30, em movimento que angariou o apoio de mais de 90 nações.

Marina Silva pontuou que a Presidência da COP 30 desenvolve as orientações para o mapa do caminho com o objetivo de engajar e auxiliar os países a construírem seus próprios mapas, com base em suas peculiaridades e capacidades. Salientou que o Brasil já iniciou o seu processo: por determinação do presidente Lula em despacho publicado em dezembro de 2025, os Ministérios de Minas e Energia (MME), Fazenda, Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Casa Civil discutem as diretrizes para o mapa do caminho nacional para uma transição energética justa e planejada, com vistas à redução gradativa da dependência de combustíveis fósseis.

“Mesmo sendo um país produtor e exportador de petróleo, entendemos a necessidade de criar o nosso mapa do caminho para que possamos ter, a médio e longo prazo, uma transição justa”, destacou Marina Silva.

Brasil e Índia são atores centrais nesse debate sobre transição energética. Sei do esforço bem-sucedido da Índia em também se tornar um grande produtor de biocombustíveis, e nós devemos lutar juntos para que os biocombustíveis tenham acesso aos mercados que merecem.”

Como parte da visita do Estado, a ministra também compareceu às cerimônias oficial de boas-vindas de Modi e da presidente indiana, Droupadi Murmu, a Lula, e de oferenda floral em homenagem a Mahatma Gandhi no Memorial Raj Ghat.

Em declaração conjunta à imprensa com Modi, o presidente brasileiro lembrou que, em julho de 2025, na visita de Modi a Brasília, Brasil e Índia definiram os temas da transição energética e mudança do clima como um dos cinco eixos da agenda bilateral de cooperação. “Afinal, as únicas guerras que a humanidade deve lutar são as contra a fome, a pobreza e a degradação do meio ambiente”, afirmou.

Representantes de Brasil e Índia assinaram neste sábado uma série de atos por ocasião da visita de Estado de Lula. Entre eles, a “Parceria Digital para o Futuro entre o Brasil e a Índia”, que prevê o lançamento da Rede de Inteligência Planetária Aberta (Open Planetary Intelligence Network – OPIN), iniciativa destinada a aproveitar as Infraestruturas Públicas Digitais (DPI) para acelerar o desenvolvimento sustentável e fortalecer a ação climática nos países em desenvolvimento, buscando integrar as transformações digital e climática em uma agenda planetária unificada.

Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial

Além disso, Marina Silva acompanhou o presidente brasileiro na abertura da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial. Em discurso posterior, Lula declarou que a governança da inteligência artificial seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento.

“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Sem ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas. O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a inteligência artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, salientou.

Marina participou, no dia seguinte, do evento “IA para o bem de todos: perspectivas brasileiras sobre o futuro da IA”, em que os ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; da Educação, Camilo Santana; da Saúde, Alexandre Padilha; das Comunicações, Frederico Siqueira Filho; da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, relataram como o país tem estruturado políticas públicas para aplicar a IA em áreas como saúde, educação, serviços públicos e infraestrutura digital, além de defender a construção de uma governança global para o setor. Uma das iniciativas destacadas é o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, lançado pelo Governo do Brasil em 2024, que representa um marco histórico para o desenvolvimento tecnológico brasileiro.

A chefe do MMA se reuniu com o enviado especial da COP 30 para o Sul da Ásia e fundador e CEO do Conselho de Energia, Meio Ambiente e Água (CEEW), Arunabha Ghosh, para discutir as perspectivas para os mapas do caminho global e nacional para superar a dependência dos combustíveis fósseis.

Junto à comitiva presidencial, a ministra foi ainda à inauguração do novo escritório da Apex Brasil em Nova Délhi.

Brasil e Índia

A viagem à Índia é a quinta de Lula ao país asiático e a segunda no atual mandato. A visita reforça um momento sem precedentes de dinamismo econômico e tecnológico nas relações bilaterais entre as duas nações. Em setembro de 2023, Lula visitou a Índia acompanhado de mais de 100 delegações empresariais brasileiras, que estiveram no país em busca de oportunidades de comércio e de empreendimentos conjuntos.

A convite do presidente, Narendra Modi foi recebido em visita de Estado ao Brasil em 8 de julho de 2025, na sequência de sua participação na 17ª Cúpula do BRICS, realizada no Rio de Janeiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *