Ataque a bar na baixada foi motivado por guerra entre facções criminosas
Chacina deixou cinco clientes do estabelecimento mortos, além de uma pessoa que passava pelo local
A principal linha de investigações da Polícia Civil sobre um ataque a tiros em um bar em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, neste domingo (8), aponta para uma disputa entre organizações criminosas da região como motivação. A chacina deixou um total de seis mortos.
Segundo a Polícia Civil, o alvo dos atiradores era um dos cinco clientes do Boteco Du Mi assassinados. O estabelecimento amanheceu com diversas marcas de tiros e sangue espalhado pelo chão.
Equipes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) ouviram testemunhas e analisam imagens de câmeras de monitoramento a fim de identificar os criminosos.
Dentre os cinco homens mortos, dois já foram identificados: Júlio César Ornelas de Lemos, de 53 anos, filho do diretor-presidente do jornal Hora H, da Baixada Fluminense, e Fagner Ribeiro de Paiva.
Além deles, Ana Cristina dos Santos, de 57 anos, que passava pelo local no momento do ataque, chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Geral de Nova Iguaçu, mas não resistiu. Também vítima de bala perdida, Jéssica Lorena Sampaio, de 34, foi atingida na perna, passou por atendimento médico e recebeu alta em seguida.
Investigado por e irmão assassinado
Após o ocorrido, a página do Hora H ficou fora do ar. Procurada, a família informou que não irá se pronunciar: “Neste momento, a família Lemos não irá se pronunciar, até porque ainda não há fatos concretos esclarecidos. As informações que temos são as mesmas que vêm sendo divulgadas pela imprensa até agora. Vamos aguardar o andamento das investigações e, somente após a apuração dos fatos, será feito um pronunciamento oficial”.
Em 2019, Júlio chegou a ser preso enquanto trabalhava como gerente de um hotel na cidade de Porto Seguro, no sul da Bahia. Ele era suspeito de ter matado um casal em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em 2017.
Já em 2013, o empresário José Roberto Ornelas de Lemos, o Betinho, irmão de Júlio, foi executado com pelo menos 44 tiros. Ele foi baleado em uma padaria na Rua Eduardo Pacheco Vilena, no bairro Corumbá, também em Nova Iguaçu. O caso foi registrado na 58ª DP (Posse).
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o assassinato ocorreu porque o empresário não permitia a expansão da milícia local para o bairro Corumbá e ameaçava delatar, em seu jornal de grande circulação na região, os crimes praticados pela organização criminosa, investigada em outro processo. Os acusados foram presos em 2015.
Na época, em entrevista a O DIA, Júlio chegou a defender o irmão. “No dia 13 de junho de 2013 choramos pelo Beto e estamos aqui para cobrar explicações da polícia que ainda não prendeu os assassinos. Ele foi morto de forma covarde. Meu irmão denunciava maus policiais, bandidos e políticos e recebia ameaças”, disse.

