PT insiste em Haddad e embaralha planos do PSB para Tebet e França em SP
O PT tenta convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a disputar novamente o governo de São Paulo. A indefinição sobre a candidatura embaralha o cenário eleitoral no estado e impacta os planos do PSB para os ministros Márcio França e Simone Tebet.
O que aconteceu
Haddad é tratado como “plano A” do PT em São Paulo. O ministro já anunciou que deixará o governo em fevereiro, mas tem dito a aliados que não quer se candidatar e prefere coordenar a campanha de reeleição de Lula.
Mesmo assim, aliados esperam que o presidente consiga convencê-lo a disputar. “Nosso quadro passa muito pela decisão do Haddad”, diz o deputado federal Jilmar Tatto, vice-presidente do PT. “Há um consenso de que ele é o melhor candidato a governador. Se topar, está meio caminho andado. Se não, vamos ter que rever a nossa estratégia em São Paulo”, acrescenta.
Caso Haddad fique fora da disputa, o PSB pode ocupar o espaço. O partido trabalha com a pré-candidatura do ministro do Empreendedorismo, Márcio França, ao governo estadual. Geraldo Alckmin também é citado, mas lideranças do partido preferem que ele continue como vice na chapa de Lula.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, é outra opção considerada pelo partido. Ela recebeu o convite para se filiar ao PSB no ano passado e, inicialmente, disputar o Senado por São Paulo. No entanto, precisaria mudar o domicílio eleitoral – hoje no Mato Grosso do Sul — e sair do MDB, partido ao qual é filiada desde 1997.
Nos bastidores, também se discute a possibilidade de Tebet disputar o governo de SP. A avaliação de dirigentes do PSB ouvidos pela reportagem é de que a ministra tem um perfil de centro e poderia enfrentar menos dificuldade no interior do estado, onde o eleitorado é mais conservador e antipetista.
Martelo será batido por Lula, diz França
França disse que Tebet seria “muito bem-vinda” no PSB, mas reforçou o desejo de enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). “Perdi as últimas 2 últimas eleições em SP, mas tive quase 30 milhões de votos. Ela [Tebet] também é um grande nome nacional e é preparada. Decisão do pênalti de final de campeonato, quem deve bater é o presidente do clube: Lula. Somos um só time.”
Se Haddad decidir concorrer, Tebet e França passariam a ser opções para o Senado. No entanto, dificilmente haveria espaço para os dois na chapa, já que o PT também pleiteia uma das duas vagas. Um dos nomes cotados é o da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, hoje na Rede Sustentabilidade.
Na sexta, Tebet afirmou que discutiu a candidatura ao Senado com Lula. “Fizemos alguns raciocínios para ver onde eu posso cumprir melhor a minha missão. Não fechamos nada. Eu entendo que São Paulo tem dois nomes de peso relevantes, importantes, que têm condições de performar muito bem e levar a um segundo turno, que são Haddad e Alckmin”, disse durante evento em São Paulo.
Enquanto isso, a pressão sobre o ministro da Fazenda é crescente. “O PT é um partido hegemonista. Se ele puder ter uma cabeça de chapa, ele vai ter. Haddad diz que tem outros planos e que já disputou várias eleições, mas ele é um quadro partidário. Isso o coloca numa posição de responsabilidade”, diz o deputado estadual Paulo Fiorilo, vice-presidente do PT Paulista.
A palavra final será de Lula. Segundo aliados, o presidente tem aproveitado as viagens para conversar com os ministros sobre as eleições —foi assim com Tebet no Panamá na semana passada. O ministro da Fazenda vai acompanhar Lula na Índia nesta semana. “Ninguém fica imune a uma boa conversa com o presidente Lula”, resume Tatto.

